CUIABÁ

MATO GROSSO

MPMT conhece experiências e debate caminho a percorrer

Publicados

MATO GROSSO

Para fechar o mês em que se celebra o Dia Nacional da Luta Antimanicomial – 18 de maio –, o Centro de Apoio Operacional (CAO) de Defesa dos Direitos Humanos, Diversidade e Segurança Alimentar do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) promoveu uma roda de conversa sobre os direitos das pessoas com transtornos mentais que estão em conflito com a lei. Além de conhecer as experiências de sucesso dos estados de Goiás e do Maranhão, o MPMT debateu o caminho a percorrer não só em Mato Grosso, como em outras regiões do país onde os manicômios judiciais ainda são uma realidade.

Na abertura do evento, o promotor de Justiça colaborador do CAO, Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho falou sobre a realização de mais uma roda de conversa, com apoio da Procuradoria-Geral de Justiça e da Escola Institucional do MPMT, com o objetivo de auxiliar membros e servidores da instituição abordando temas sensíveis da pauta de Direitos Humanos.

“Buscamos atender a uma série de demandas e temas e, para este mês, a escolha se deu em razão do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, a luta que desinstitucionalizou centenas de milhares de pessoas pelo Brasil com o fechamento de hospitais psiquiátricos. Além disso, na última semana tivemos a realização da IV Conferência Estadual de Saúde Mental em Mato Grosso. Embora tenha se passado mais de 20 anos da edição da Lei Antimanicomial, ainda precisamos debater e muitas vezes convencer as pessoas sobre sua importância”, enfatizou o promotor.

O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Paulo Henrique do Amaral Motta, também destacou a importância do tema em debate. “Não há qualquer dúvida de que o direito dos portadores de transtorno mental em conflito com a lei a um tratamento de qualidade e ao cumprimento da pena em um ambiente digno, deve ser garantido e respeitado. Em razão disso, é necessário que o Ministério Público, guardião dos direitos fundamentais, realize uma frutífera interlocução com o Sistema de Saúde, debatendo a desinstitucionalização”, defendeu.

Leia Também:  Comarca de Nova Xavantina divulga gabarito preliminar da prova objetiva para seleção de juiz leigo

O doutor em psicologia pela Universidade Federal Fluminense e promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás (MPGO), Haroldo Caetano da Silva, falou sobre a experiência do estado vizinho no campo da saúde mental. O expositor apresentou o Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), uma política pública instituída no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) que aboliu, desde 2006, a existência de manicômios judiciais e já contemplou mais de 800 pessoas desde então, evitando o encarceramento manicomial.

Segundo o promotor, o programa cumpre na totalidade as diretrizes da Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), buscando oferecer assistência e tratamento adequado e humanizado a esse público com uso da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), sem necessidade de criação de um sistema de atendimento paralelo. “Quando o Sistema de Justiça processa um indivíduo com transtorno mental e lhe aplica uma medida de segurança, não o envia para uma prisão disfarçada de hospital. Ele será introduzido na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), seja em que município for”, contou.

Haroldo Caetano também falou sobre a naturalização da violência e da tortura nos espaços de segregação e argumentou que discutir a internação manicomial em 2022, que está proibida por lei desde 2001, demonstra um pouco do fracasso das instituições que deveriam promover os Direitos Humanos. Ao apresentar fotos de diversas unidades visitadas por ele no país, afirmou que ainda existe uma política manicomial muito arraigada no país, que é hipocrisia denominar esses locais como hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico e que é eufemismo falar em internação quando na verdade as pessoas ficam aprisionadas.

Leia Também:  Sema-MT prorroga prazo para inclusão de processos no Siga Hídrico

Na sequência, a psicóloga e coordenadora de pós-graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Faculdade Laboro, Janete Valois Ferreira Serra, falou sobre a atuação das Equipes de Avaliação e Acompanhamento das Medidas Terapêuticas Aplicadas às Pessoas com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAPs), em funcionamento no Maranhão. Trata-se de um grupo de trabalho multiprofissional, intersetorial, que avalia os casos de forma a contribuir para o processo de desinstitucionalização, visando garantir a proteção dos direitos das pessoas e o acesso aos serviços de saúde e da assistência social.

“Existem diferentes olhares sobre a pessoa com doença mental. O sistema prisional tem uma leitura sobre a doença mental, em que ser louco já é um critério de periculosidade e me dá o direito de aplicar sanções, como vimos recentemente na mídia com o Caso Genivaldo, o procedimento tomado. O Judiciário tem um outro olhar, baseado na legislação, e nós da saúde tínhamos um outro olhar da periculosidade também. Então tivemos que primeiro nos sensibilizar de que são pessoas que precisam de cuidados em saúde mental, e que é nossa responsabilidade cuidar e não nos ater ao crime”, contou, destacando a importância da interlocução entre as instituições e da necessidade de compreenderem os fluxos umas das outras.

O encontro da série “Direitos Humanos em Debate” com o tema “Saúde mental e justiça criminal: uma abordagem sob a luz dos Direitos Humanos” ocorreu na manhã desta terça-feira (31), via plataforma Teams e transmissão ao vivo pelo canal do MPMT no YouTube (assista aqui). O evento contou com apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT.

Fonte: MP MT

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

MATO GROSSO

Caminhoneiro morre após perder controle de carreta e tombar na BR-364

Publicados

em

Reprodução

Um caminhoneiro morreu após um acidente envolvendo uma carreta na BR-364, em Campo Novo do Parecis (a 402 km de Cuiabá).

A ocorrência foi registrada no trecho da rodovia que liga o município a Tangará da Serra. Conforme as informações preliminares, o motorista seguia pela estrada conduzindo uma carreta Scania R 420, que transportava uma carga de fertilizantes agrícolas, quando perdeu o controle do veículo.

Após sair da pista, a carreta tombou às margens da rodovia. O impacto provocou danos na estrutura do veículo e também comprometeu parte da carga transportada.

Equipes de atendimento foram mobilizadas para prestar socorro, mas o caminhoneiro não resistiu aos ferimentos. Ele ficou preso nas ferragens e teve a morte confirmada ainda no local.

A área do acidente foi isolada para a realização da perícia, que deve apontar as possíveis causas da ocorrência. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde serão realizados os procedimentos de identificação.

As circunstâncias que levaram o motorista a perder o controle da carreta ainda serão apuradas.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Secretaria de Saúde inaugura o primeiro banco de leite humano no Norte de MT
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA