MATO GROSSO
Adoção e o poder de mudar vidas: João, Maria e Ana
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Você já foi surpreendido ao descobrir que uma criança foi adotada, mas que pela semelhança física com a mãe ou o pai poderia carregar os genes da família, de tão parecida? A Adoção tem dessas também. Une pessoas com características totalmente diferentes e em alguns casos parecidas. A advogada Maria Rita Rocha Bernardon, 27 anos, nascida em Várzea Grande, é a filha do meio da família. João Paulo com 28 anos e a irmã mais nova, Ana Regina, com 26 anos, são os filhos adotivos da advogada e servidora pública aposentada, Lindacir Rocha Bernardon. “Algumas vezes fomos questionadas. Inclusive eu e a minha mãe, temos uma marca na nuca, exatamente igual. É incrível”, disse Maria Rita que está grávida e pretende adotar.
Ela foi adotada com um ano e três meses. Veio de uma família com oito irmãos e foi abandonada aos 15 dias de vida. “Pra mim foi mais tranquilo a adaptação, mas mesmo assim nós três tínhamos traumas, sem saber o porquê, de onde viemos… tínhamos inúmeras diferenças, mas vivíamos algo tão lindo. Independente de nossas diferenças somos tão unidos e é um laço que construímos, que é muito forte. Vivi muito a experiência da minha irmã e isso me ajudou também. Iniciei um estágio muito cedo na própria Ampara. Aprendi muito sobre as crianças institucionalizadas e também tive contato com os pretendentes à Adoção. A dor da espera, a angústia, tudo isso foi me moldando e trazendo à tona minha realidade. Eu tinha sido privilegiada. E todas as crianças que estão em processos de Adoção também tem a perspectiva de uma vida melhor. O estágio na Ampara foi um divisor de águas pra mim. Toquei uma realidade que fazia parte de minha história e que ao mesmo tempo estava distante”, revelou.
Ana Regina – Formada em Publicidade, atualmente ela trabalha em uma concessionária de carros. A mais nova da família, chegou mais velha, com quase seis anos. “Convivi com minha mãe biológica e ela me batia muito, até que um dia uma vizinha me levou para o abrigo. Ela queria me tirar daquele ciclo de violência. Pra mim foi melhor. Quando eu cheguei para minha mãe, já vinha de três devoluções. Na minha cabeça somente bebês eram adotados. Eu queria sempre testar a pessoa que estava comigo para ver o limite. Então já cheguei revirando a casa de ponta à cabeça. Mas meu sonho era ter uma mãe, um pai e irmãos. Nesse meio tempo acabamos perdendo meu pai. Acreditei que minha mãe me devolveria, afinal de contas ela estava com três crianças. Mas no dia 12 de novembro de 2002, saiu a sentença. Eu me recordo quando ela disse que agora eu era dela e que éramos uma família. Eu mudei da água para o vinho. Tive a certeza que daria certo. Vim com muitas dores e sofrimentos. Era agressiva, passei muitas dificuldades. Mas minha mãe sabia que o amor me mudaria. E ela venceu. Nós vencemos. Tudo o que sou, devo a ela. Pela paciência pelo amor e este amor, nós construímos. Ela dizia que tinha amor disponível e nós construímos essa relação”, disse Ana.
Mãe – Uma família que começou há muito tempo antes. A advogada Lindacir Rocha Bernardon sempre quis ser mãe. “A minha primeira adoção foi em razão da infertilidade. Eu queria um filho, queria ser mãe e assim roguei a Deus. Naquela época a legislação era diferente, não havia cadastro, fila. Achamos uma criança e conseguimos fazer todos os trâmites necessários. Com a minha segunda filha, a motivação era o desejo de ter também uma menina e que fossem dois, pois eu pensava que filho único seria muito ruim para ele. Já a terceira filha, a motivação foi completamente diferente, pois era uma menina de seis anos, nunca havia ido à escola, sofreu violência física, já havia passado por outras famílias e então resolvemos acolhê-la, dar amor e contribuir para aliviar seu sofrimento”, revelou Lindacir.
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Dr. João recebe relatório inédito da CST do Nelore
O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dr. João (MDB), recebeu em seu gabinete, na última terça-feira (2), a entrega simbólica do relatório final da Câmara Setorial Temática de Melhoria da Genética na Criação de Zebuínos, iniciativa criada por requerimento de sua autoria e que se tornou a primeira CST da história da ALMT totalmente dedicada à pecuária e ao melhoramento genético. O documento fecha um ciclo de debates técnicos e políticos que colocaram no centro da pauta temas como melhoramento genético de ponta, eficiência produtiva, performance e rentabilidade ao produtor, regularização ambiental com foco no CAR 2.0, segurança jurídica e criação de políticas públicas reais de fomento.
O deputado abriu espaço institucional dentro da Assembleia para um tema que movimenta a economia mato-grossense, gera empregos e impacta diretamente desde o pequeno até o grande produtor. No relatório, o próprio parlamentar ressalta que a melhoria genética dos rebanhos zebuínos não é apenas pauta técnica, mas uma política pública estratégica para a economia do Estado, para a sustentabilidade produtiva e para o futuro da pecuária.
“Quando criamos essa Câmara Temática, o nosso objetivo era muito claro: tirar esse debate do campo da conversa isolada e transformar conhecimento técnico em proposta concreta para quem produz em Mato Grosso. Fortalecer a genética do rebanho zebuíno é fortalecer a economia do Estado, gerar mais renda no campo e dar mais competitividade ao nosso agro”, afirmou Dr. João.
O relatório destaca que o estado reúne condições singulares para liderar nacionalmente o avanço do melhoramento genético de raças zebuínas, por ter o maior rebanho bovino do país, produtores tecnificados, instituições com conhecimento acumulado e ambiente político favorável. Ao mesmo tempo, o documento aponta que ainda existe um descompasso entre o potencial já instalado e os resultados efetivamente alcançados, sobretudo entre pequenos e médios produtores.
Esse diagnóstico ajuda a explicar o peso político da iniciativa de Dr. João. O relatório conclui que não falta genética em Mato Grosso, falta política pública estruturada para democratizar o acesso à genética. Também enumera os principais gargalos que travam esse avanço: ausência de assistência técnica contínua, dificuldades fundiárias e ambientais, pouca integração entre cadeia produtiva e poder público e obstáculos para que pequenos produtores consigam incorporar manejo, nutrição e gestão compatíveis com animais geneticamente superiores.
Ao longo dos trabalhos, a CST reuniu discussões que passaram por todas as frentes decisivas para o setor. Houve debates sobre ciência aplicada ao melhoramento genético, nutrição gestacional, uso de reprodutores avaliados, acesso à assistência técnica, ultrassonografia de carcaça, regularização fundiária, entraves ambientais, CAR, crédito rural, impacto da reforma tributária e integração entre governo, entidades e cadeia produtiva. O resumo do relatório destaca que, ao fim de oito reuniões, foi formado um corpo coerente de análises técnicas, institucionais, econômicas e políticas capaz de embasar uma política pública robusta para o melhoramento genético da pecuária de corte em Mato Grosso.
No mérito, o documento deixa duas entregas centrais. A primeira é a defesa da criação de um Programa Estadual de Melhoramento Genético da Pecuária de Corte, com acesso democrático a reprodutores avaliados e biotecnologias, integração entre genética, manejo, nutrição e gestão, fortalecimento da Empaer, alinhamento entre crédito, meio ambiente e regularização fundiária, além de metas e indicadores de impacto econômico, social e ambiental. A segunda é a proposta de realização da ExpoGenética Mato Grosso, pensada como um evento nacional para transformar o Estado em referência institucional e mercadológica na genética zebuína.
Na prática, isso significa que a Câmara não ficou restrita ao debate. O relatório aponta saídas concretas, com diretrizes, metas e fontes possíveis de financiamento, além de defender uma política permanente e não episódica para o setor. Entre as metas projetadas estão ampliar a inseminação, reduzir a idade média de abate, elevar rendimento de carcaça, aumentar marmoreio, eficiência alimentar e produtividade por hectare, com prioridade para pequenos e médios produtores.
O trabalho também reforça uma visão que Dr. João sustenta desde a instalação da CST: fortalecer o rebanho zebuíno é fortalecer uma cadeia que sustenta Mato Grosso. O texto introdutório do relatório trata a pecuária zebuína, especialmente o Nelore, como patrimônio estratégico do Estado, base de uma cadeia produtiva que gera empregos, renda, competitividade e crescimento econômico em todas as regiões. Também destaca que a modernização genética conversa diretamente com sustentabilidade, eficiência produtiva e posicionamento internacional da carne mato-grossense.
“Mato Grosso já é gigante na pecuária, mas pode ser ainda maior quando transformar esse potencial em política pública estruturada. O que estamos entregando aqui é um caminho técnico, sério e possível para fazer a genética chegar na ponta, principalmente para quem mais precisa dela, que é o pequeno e o médio produtor”, declarou o deputado.
A CST foi formalmente aprovada em março de 2025, reunindo representantes do setor produtivo, da academia, de associações de criadores, órgãos públicos e técnicos da própria Assembleia. Participaram das discussões, segundo o relatório final, representantes da Nelore MT, Federação Mato-grossense de Agricultura (Famato), Associação dos criadores de Mato Grosso (Acrimat), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Fórum Agro MT, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (FESA), Sindicato Rural de Cuiabá, Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer-MT), Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF), , Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Desenvolve MT, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar), além de técnicos, pesquisadores, assessores legislativos, representantes de cooperativas, indústria frigorífica e outras instituições ligadas à pecuária e ao desenvolvimento rural. A composição oficial da CST também teve nomes como José Esteves de Lacerda Filho, Alexandre El Hage, Jociani Gonçalves de Oliveira, Marcos Carvalho, Francisco Manzi, Juliano Latorraca Ponce, Celso Nogueira, Rayane Lage Cordeiro, Carlos Bolzan, Leôncio Pinheiro da Silva Filho, Salvador Santos Pinto, Olímpio Riso de Brito, Xisto Bueno e Ida Beatriz Machado.
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