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Seguro D&O pode ampliar segurança de executivos em startups

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O Brasil registra atualmente mais de 20 mil empresas inovadoras ativas. Dados do Observatório Sebrae Startups — plataforma com o maior volume de informações do setor na América Latina —, divulgados pela Agência Sebrae de Notícias, indicam um crescimento de 30% na base de registros em 2025. Com 35,8% das empresas concentradas na região Sudeste, o levantamento aponta para uma distribuição geográfica cada vez mais pulverizada e dinâmica no país.

O Nordeste responde por 24,7% das startups ativas, seguido pela região Sul com 20,7%. O Centro-Oeste detém 9,5% e o Norte 9,2%. Em termos de aberturas de novas empresas em 2025, São Paulo ocupa a primeira posição em números absolutos, seguido por Santa Catarina e Pernambuco. No crescimento percentual do mesmo período, a Bahia registrou 9%, Pernambuco 8% e Minas Gerais 6%.

Guilherme Silveira, CEO da corretora de seguros especializada em seguros corporativos Genebra Seguros, pontua que o amadurecimento do ecossistema de inovação brasileiro trouxe uma maior conscientização sobre governança corporativa e aumentou a atenção de investidores, reguladores, clientes e parceiros sobre as responsabilidades dos administradores.

“As startups operam em um ambiente de crescimento acelerado, alta competitividade e tomada constante de decisões estratégicas. Isso deixa fundadores, diretores e conselheiros mais expostos a questionamentos e demandas relacionadas à sua atuação”, avalia o especialista.

A Lei 6.404/76, que rege o funcionamento das sociedades anônimas no Brasil, estabelece em seu Artigo 158 que o administrador responde civilmente pelos prejuízos que causar à companhia quando agir com culpa, dolo ou mediante violação da lei ou do estatuto social. A legislação estabelece, ainda, a responsabilidade do administrador em casos de conivência ou negligência com atos ilícitos de outros gestores, e no descumprimento de deveres para o funcionamento da companhia.

Segundo o CEO da Genebra Seguros, os principais riscos jurídicos e financeiros que hoje preocupam executivos de startups e empresas inovadoras variam conforme o estágio da empresa. Todavia, questões relacionadas à captação de investimentos, governança corporativa, proteção de dados, cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), relações trabalhistas, propriedade intelectual e responsabilidade perante investidores surgem com frequência.

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“À medida que a startup cresce, aumenta também a complexidade das decisões e, consequentemente, a exposição dos executivos. Há ainda um aumento da preocupação com temas ligados à segurança cibernética. Um incidente envolvendo dados de clientes, por exemplo, pode gerar investigações regulatórias e questionamentos sobre a atuação da administração”, acrescenta o empresário.

O executivo explica que o seguro D&O tem crescido, especialmente entre startups e empresas de inovação, nos últimos anos, já que é visto por investidores e fundos de venture capital como uma prática de proteção e gestão de riscos. “Para startups, em que decisões são rápidas e muitas vezes baseadas em hipóteses ainda não totalmente validadas, o seguro D&O permite que o time executivo opere sem o medo constante de exposição pessoal, o que é de crucial importância para que a agilidade das decisões seja mantida”.

Seguro D&O

O seguro D&O, sigla para Directors and Officers (diretores e executivos), é uma modalidade de seguro de responsabilidade civil que protege o patrimônio pessoal desses gestores quando responsabilizados judicial ou administrativamente por decisões tomadas no exercício de suas funções. A contratação é feita pelas empresas, que também ficam cobertas contra os riscos.

“Na prática, o seguro D&O pode cobrir custos de defesa jurídica, acordos e indenizações decorrentes de reclamações de investidores, sócios, colaboradores, clientes, fornecedores e órgãos reguladores, desde que observadas as condições da apólice. O D&O oferece uma camada de proteção que permite que os gestores tomem decisões estratégicas com mais segurança”, exemplifica o executivo.

Para Silveira, o D&O é uma ferramenta preventiva de gestão de riscos. Segundo ele, o momento mais comum para contratação costuma ser durante as primeiras rodadas de investimento, quando a empresa começa a estruturar sua governança e passa a ter maior exposição perante investidores e terceiros.

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“O momento ideal para contratá-lo é antes que qualquer problema aconteça. Qualquer startup que possua sócios, executivos e responsabilidades relevantes pode se beneficiar dessa proteção. Quanto mais cedo a empresa incorporar uma cultura de gestão de riscos, mais preparada ela estará para crescer de forma sustentável”, declara o empresário.

O CEO da Genebra Seguros observa que o seguro D&O faz parte de um conjunto de práticas que fortalecem a credibilidade da startup perante o mercado. Para ele, em um ambiente cada vez mais competitivo e regulado, isso pode se tornar um diferencial relevante para atrair investimentos, fechar parcerias e sustentar o crescimento de longo prazo do negócio.

“A contratação de um seguro D&O é um sinal de que a organização se preocupa com governança, transparência e proteção de seus administradores. Quando os executivos sabem que possuem uma estrutura adequada de proteção, conseguem concentrar seus esforços na geração de valor para o negócio, na inovação e no crescimento da empresa”, enfatiza Silveira.

O especialista alerta que, na hora de contratar esse tipo de seguro, o erro mais comum é olhar apenas para o preço da apólice ou não atentar se esta está alinhada ao estágio da empresa e aos riscos específicos do segmento de atuação. “A contratação deve ser feita com apoio de profissionais especializados, capazes de estruturar uma solução adequada à realidade do negócio. É fundamental avaliar os limites segurados, as exclusões, as extensões de cobertura, a abrangência territorial e o perfil da seguradora”, conclui.

Para mais informações, basta acessar: genebraseguros.com.br/



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Banco Central prevê crescimento de 2% para o PIB em 2026

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O Banco Central (BC) elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia em 2026. Em seu Relatório de Política Monetária , divulgado nesta quinta-feira (25), a autarquia destaca a surpresa positiva no resultado do Produto Interno Bruto (PIB – soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país) do primeiro trimestre e a melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa.

No primeiro trimestre de 2026, a economia do país cresceu 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025, com expansão nos três grandes setores da economia – agropecuária, indústria e serviços. Diante do resultado, de acordo com o BC, as estimativas para os três setores foram elevadas, bem como para a demanda interna, de consumo das famílias e investimentos por parte de empresários.

“A revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”, diz o BC no relatório.

“Em sentido oposto, a expectativa de trajetória mais elevada para as taxas de juros tende a mitigar esse impulso”, acrescentou.

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O relatório do BC apresenta as diretrizes das políticas adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para a definição da taxa básica de juros, a Selic, e avalia a evolução recente e as perspectivas da economia, especialmente as projeções de inflação. A Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificultou a queda da taxa em ritmo mais elevado.

Na última reunião, semana passada, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual – para 14,25% ao ano – pela terceira vez seguida, apesar das tensões em torno do fim da guerra .

A autoridade monetária ainda pondera que permanecem as incertezas sobre os efeitos dos conflitos no ambiente doméstico.

“Embora seus efeitos mais evidentes sobre a economia brasileira até o momento tenham se concentrado nos preços [especialmente combustíveis e alimentos], o conflito no Oriente Médio também eleva a incerteza em torno das projeções de crescimento”, explicou.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3% , com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

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Inflação

Em maio, o preço dos alimentos pressionou a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou em 0,58% . O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já acima do teto da meta de inflação.

A meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, isto é, de 1,5% a 4,5%.

Em seu Relatório de Política Monetária, o BC ressalta que a inflação deve subir até o fim de 2026, ficando mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta de inflação, e volta a diminuir em 2027.

A probabilidade de a inflação estourar o teto da meta (4,5%) em 2026 subiu de 30% para 79% em comparação ao relatório anterior, de março.

No horizonte relevante de política monetária, atualmente o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada é 3,7%.

De acordo com o BC, as projeções de inflação até o horizonte relevante elevaram-se consideravelmente desde março, em 0,5 ponto percentual.

“Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções para esse horizonte, destacam-se a surpresa altista com a realização do IPCA; a estimativa mais alta para o

hiato do produto (capacidade ociosa da economia); o aumento nos preços do petróleo, de seus derivados e de commodities em geral; e o aumento das expectativas de inflação”, diz o BC.

“Por outro lado, a trajetória mais alta considerada para a taxa Selic e a apreciação cambial contribuíram para atenuar esse aumento”, acrescentou a autarquia.

Crédito

A projeção para o crescimento do saldo do crédito ofertado tanto para pessoas físicas quanto para empresas em 2026 foi mantido em 9%. Houve revisão para baixo na expectativa de crescimento do crédito livre sendo compensada por maior crescimento projetado para o direcionado.

No crédito livre, os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado ─ com regras definidas pelo governo ─ é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

O crescimento esperado para o crédito com recursos livres diminuiu 0,3 ponto percentual, para 7,8%, com revisões para baixo no segmento de pessoas jurídicas e para cima no de pessoas físicas.

Para as famílias, o desempenho considera os novos programas do governo, que tem efeito positivo sobre o saldo, como o Move Brasil voltado a motoristas de aplicativos e taxistas, e que tendem a reduzir o estoque de dívida, como o Novo Desenrola Brasil. Para as empresas, a projeção diminuiu diante da trajetória esperada para fatores determinantes do crédito, tais como as taxas de juros e de câmbio.

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Por sua vez, a projeção para o crédito direcionado aumentou 0,5 ponto percentual, para 10,7%, com ajuste concentrado no financiamento às empresas, com destaque para o programa Desenrola para Micro e Pequenas Empresas , que flexibilizou as condições de contratação e ampliou os limites de endividamento das empresas no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Apesar do aumento, a projeção atualizada segue indicando desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo. O saldo do crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 10,3% em 2025, abaixo da variação de 11,5% observada em 2024.

“A desaceleração esperada segue consistente com o cenário prospectivo para a atividade econômica doméstica e com os efeitos correntes e defasados da política monetária, em conjuntura de endividamento e comprometimento de renda elevados”, explicou o BC.

Contas externas

A projeção de déficit em transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países, foi reduzida em relação ao relatório anterior, passando de R$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões (2,1% do PIB) em 2026.

O aumento do saldo comercial, impulsionado principalmente pela elevação do preço do petróleo, explica a maior parte dessa revisão.

A elevação do valor projetado para as exportações vem da combinação de aumento do volume esperado e, principalmente, da perspectiva de preços mais altos.

“Em termos de quantum, espera-se crescimento maior em produtos básicos, em linha com a expectativa para a produção agrícola. Já nos preços, destaca-se o aumento em soja, carne bovina e, especialmente, petróleo, seguindo a dinâmica dos preços internacionais”, diz o BC.

O valor importado também foi revisto para cima, refletindo majoritariamente o aumento nos preços, especialmente dos combustíveis.

Esse déficit externo estará financiado por capitais de longo prazo, principalmente pelos investimentos diretos no país (IDP), que têm projeção de fluxo líquido de entrada de US$ 75 bilhões (2,8% do PIB), contra US$ 70 bilhões do relatório anterior.

“O cenário projetado para as contas externas, contudo, segue sujeito a riscos acima do usual, em razão das repercussões do conflito no Oriente Médio”, acrescenta o relatório.



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