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A coragem de não falar com todo mundo

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Especializada em marketing para seguros e self storage, a Creative Wings aposta em uma lógica simples, mas rara: para comunicar bem, é preciso entender o negócio antes de vender qualquer ideia. Quando Glauco Ormond decidiu concentrar a Creative Wings em seguros e self storage, a escolha não foi apenas estratégica. Foi também uma resposta a uma dor vivida de dentro.

“Eu fui Head de Marketing no mercado de seguros e senti na prática como é difícil encontrar uma agência que entenda o negócio, a linguagem, os produtos, os riscos, os canais de distribuição e, principalmente, o tempo desse mercado. Muitas vezes, a agência tinha boa intenção, mas não entendia o contexto. E quando você precisa explicar tudo do zero, o marketing perde velocidade e relevância”, afirma o fundador.

A decisão de nichar nasceu dessa percepção. Em vez de atender muitos setores de forma genérica, a agência escolheu se aprofundar em mercados técnicos e com potencial.

No caso dos seguros, os números confirmam a força do setor. Segundo a CNseg, o mercado segurador brasileiro arrecadou R$ 376,7 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de 4,2% sobre o ano anterior. No intervalo, foram R$ 268 bilhões devolvidos à sociedade em indenizações, benefícios, resgates, sorteios e despesas assistenciais de saúde. Para 2026, a projeção é de R$ 808 bilhões e crescimento de 5,7%.

Já o self storage vive expansão e profissionalização. Dados da ASBRASS mostram que o número de boxes no país passou de 147.770 em 2021 para 220.901 em 2025, crescimento de 49,5% em quatro anos. Ao mesmo tempo, o setor ainda enfrenta desafios de regulamentação, padronização e amadurecimento, o que torna a comunicação especializada necessária.

Por que esses mercados?

“Porque são mercados que não aceitam superficialidade. Seguro não é só vender apólice. Self storage não é só alugar espaço. Os dois lidam com confiança, patrimônio, risco, proteção, operação, relacionamento e educação do cliente. Se a comunicação não respeita isso, perde impacto real.”

Para Glauco, a especialização permite entregar mais do que campanhas. Permite entregar leitura de mercado.

“Quando a gente senta com um cliente de seguros ou self storage, a conversa já começa em outro nível. A gente sabe o que é corretora, seguradora, operadora, benefício, RC, sinistro, operador, locatário, box, ocupação e conversão. Isso muda tudo.”

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Uma das inspirações veio de uma palestra do Caito Maia, fundador da Chilli Beans. Glauco já admirava a forma como ele construiu uma marca com personalidade, coragem e identidade própria, mas ouvir sua história de perto trouxe uma provocação: crescer não significa tentar falar com todo mundo. Muitas vezes, crescer é ter coragem de escolher onde se quer estar.

“Naquele momento, ficou ainda mais claro para mim que a Creative Wings não precisava ser apenas mais uma agência de marketing. A gente podia, e deveria, assumir um posicionamento mais específico, profundo e verdadeiro.”

Assim como a Chilli Beans criou uma marca forte ao unir produto, cultura, atitude e consistência, Glauco escolheu construir sua atuação a partir do conhecimento real desses mercados.

“A palestra do Caito me ajudou a criar coragem para tomar uma decisão que, no fundo, eu já sabia que fazia sentido: nichar em seguros e self storage. Não como limitação, mas como escolha estratégica. Porque quando você entende profundamente um segmento, deixa de entregar apenas comunicação. Passa a entregar visão de negócio e caminhos mais consistentes para crescimento.”

E essa escolha trouxe resultado?

“Hoje eu vejo que foi uma decisão muito assertiva. Quanto mais a gente se aprofunda, mais valor conseguimos gerar. E isso também nos dá o privilégio de escolher melhor os clientes com quem queremos trabalhar.”

Esse ponto é central na visão de Glauco. Para ele, não basta contratar uma agência especialista se a empresa não está disposta a construir em parceria.

“Não adianta contratar um especialista e não escutar. Marketing não funciona quando vira uma relação de fornecedor e pedido. Funciona quando existe confiança, troca, alinhamento e coragem para executar. A gente quer trabalhar com clientes com perfil de parceria, que queiram crescer, respeitem o processo e estejam abertos a ouvir.”

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A fala pode soar incomum em um mercado em que muitas agências tentam atender qualquer demanda. Mas, para Glauco, crescer também passa por saber dizer não.

“Tem cliente que a gente sabe que pode alavancar. Tem cliente que tem produto, história e diferenciais, mas ainda não conseguiu transformar isso em comunicação, posicionamento e oportunidade. É aí que a gente entra forte. Mas precisa ter parceria. Sem isso, o melhor planejamento vira arquivo parado.”

Um exemplo recente reforçou essa percepção. Outro dia, ouvimos de um cliente, uma corretora que atua com um tipo de seguro muito nichado, olha o nicho aparecendo de novo, que depois da nossa entrada como agência, a dinâmica comercial mudou. Antes, a empresa precisava ser muito mais ativa na prospecção. Hoje, esse movimento acontece de forma mais passiva, porque as pessoas começaram a conhecer melhor a corretora, o que ela faz e em que é especialista.

“E poxa, isso é muito gratificante de ouvir. Porque no fim, é exatamente isso que a gente busca. Não é fazer marketing de forma solta, sem conexão com o negócio. É ajudar uma empresa a ocupar o lugar que ela merece no mercado. Quando o cliente começa a ser procurado porque ficou mais claro quem ele é, o que faz e em que é especialista, o marketing cumpriu um papel muito importante.”

No fundo, essa trajetória fala sobre marketing, mas também sobre escolha. Escolher um nicho. Escolher profundidade. Escolher clientes. Escolher ser parceiro antes de ser prestador.

E talvez esse seja o recado para outros empreendedores: especializar não é diminuir o mercado. É aumentar a relevância.

“Durante muito tempo, eu vi empresas tentando parecer maiores sendo genéricas. Hoje acredito no contrário. Quanto mais claro você é sobre o que faz, para quem faz e por que faz, mais forte você fica. A Creative Wings nasceu para ajudar empresas de seguros e self storage a comunicarem melhor o valor que elas já têm, mas muitas vezes ainda não conseguiram mostrar do jeito certo.”



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Proposta da AMIG cria comitê mineral para a América Latina

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Em meio à corrida global por minerais críticos — insumos essenciais para a transição energética e para novas tecnologias —, a articulação internacional tem se tornado decisiva para países ricos em recursos naturais. Foi nesse contexto que a Associação Brasileira de Municípios Mineradores (AMIG Brasil) participou do 27º Congresso Mundial de Mineração (WMC 2026), em Lima, no Peru, reforçando a importância da presença brasileira nos principais fóruns globais do setor.

Além de acompanhar a programação do congresso, o presidente da entidade, Marco Antônio Lage, foi convidado para integrar uma mesa-redonda de alto nível com o tema “Rumo a uma Mineração do Futuro: Cadeias de Valor Resilientes, Sustentáveis e Competitivas em Minerais Críticos”. O debate reuniu lideranças internacionais e evidenciou o papel central da América Latina no fornecimento de recursos estratégicos para a economia de baixo carbono.

Durante o evento, Lage apresentou uma proposta estratégica que foi prontamente aprovada pelos participantes: a criação de um comitê internacional entre países latino-americanos para discutir e revisar os marcos regulatórios do continente. A iniciativa, apoiada pelo ministro de Energia e Minas do Peru, Waldir Eloy, que a considera inovadora, busca orientar o novo ciclo da mineração, garantindo que a região atue de forma coordenada diante da crescente demanda global por recursos estratégicos.

Agenda internacional e protagonismo dos territórios – Lage enfatizou que a participação da AMIG Brasil reforça o posicionamento da entidade em ampliar sua inserção nas agendas internacionais, com foco na troca de conhecimento e na incorporação de melhores práticas para a mineração pública no país.

Durante sua participação, ele destacou que o momento global exige mais do que expansão produtiva.

“Estamos diante de uma discussão estratégica sobre terras raras e minerais críticos, fundamentais para a transição energética. A AMIG Brasil apoia a indústria mineral e reconhece a importância dos investimentos, mas defende uma mineração mais justa, sustentável e inclusiva — não apenas no discurso, mas na prática”, afirmou.

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Lage ressaltou que “as inquietações e pautas defendidas pela AMIG no Brasil são compartilhadas por outros países latino-americanos. Temos enfrentado no Brasil problemas relacionados a marco regulatório, fiscalização, questões ambientais e tributárias são gargalos comuns à Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Brasil — países com reservas estratégicas de minerais críticos.”

Valor agregado no centro da estratégia – Um dos principais pontos defendidos pelo presidente da AMIG foi a necessidade de mudança no modelo econômico da mineração na América Latina. Segundo ele, países como o Brasil ainda operam majoritariamente como exportadores de commodities, sem capturar plenamente os benefícios da cadeia produtiva.

“O Brasil, por exemplo, é uma potência geológica, assim como o Peru, mas essa riqueza não se traduz em benefícios sociais proporcionais. Hoje, grande parte do beneficiamento ocorre fora do país — a China é um exemplo claro dessa capacidade. A China responde por pelo menos 70% da extração ou do refino global dessas substâncias. Precisamos mudar essa lógica e agregar valor aos nossos produtos”, destacou.

Nesse contexto, Lage defendeu a construção de uma política mineral mais robusta, capaz de atrair investimentos não apenas para a exploração, mas também para o beneficiamento e a industrialização, promovendo inovação, desenvolvimento tecnológico e geração de conhecimento. “O comitê proposto servirá como base para políticas industriais que ampliem o conhecimento geológico e a agregação de valor nos países de origem”, enfatizou.

Desafios estruturais e necessidade de reformas – Durante o debate, o presidente da AMIG também chamou atenção para entraves estruturais que limitam o desenvolvimento do setor no Brasil. Entre eles, um marco regulatório considerado ultrapassado — com código minerário de 1967 —, fragilidade na fiscalização e distorções tributárias.

“Hoje, o Brasil não cobra imposto de exportação sobre minerais, o que estimula a venda de commodities sem valor agregado. Isso ocorre também por causa da Lei Kandir, de 1996, que isentou as empresas exportadoras do pagamento do ICMS”, pontuou. Segundo ele, cerca de 90% da produção nacional de minério de ferro é isenta deste imposto, o que gera impacto de bilhões de reais nos cofres dos estados produtores.

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“Somente em 2025, foram exportadas cerca de 431 milhões de toneladas de produtos do setor mineral (alta de 7,1% em relação a 2024), totalizando aproximadamente US$ 46 bilhões (alta de 6,2%). O minério de ferro respondeu por 63,3% das exportações. Trata-se de um volume expressivo com baixa retenção de valor para União, estados e municípios”, alertou.

Além disso, Lage destacou a estrutura de fiscalização insuficiente e concessões minerárias sem prazo definido. “Esses fatores dificultam a construção de uma mineração mais sustentável e eficiente”, explicou.

Outro ponto crítico é o baixo conhecimento geológico do território nacional. “O Brasil conhece oficialmente apenas cerca de 30% do seu subsolo. Muitas vezes, empresas internacionais sabem mais sobre nossas reservas do que o próprio país. Isso precisa ser corrigido com investimento em pesquisa e desenvolvimento”, afirmou.

Mineração sustentável e legado para os territórios – A fala de Lage também enfatizou a necessidade de garantir que a mineração deixe um legado positivo para os territórios. Ele citou os impactos de desastres recentes e questionou o retorno efetivo da atividade para as comunidades locais.

“A nossa história, no Brasil, mostra que ofertamos nossas riquezas, mas não colhemos os benefícios sociais. A pergunta que fica é: o que permanece para os territórios após a mineração?”, pontuou. Como exemplo, mencionou o caso de Itabira (MG), cidade na qual é prefeito, berço da mineração da Vale, que enfrenta o esgotamento de suas reservas e o risco de declínio econômico. “Essa realidade precisa mudar e servir de alerta para toda a América Latina”, disse.



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