POLITÍCA NACIONAL
Suspensão da Voepass não é punição pelo acidente, diz diretor da Anac
POLITÍCA NACIONAL
O diretor-presidente substituto da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Roberto José Silveira Honorato, afirmou que a suspensão das atividades da empresa Voepass não é uma punição pelo acidente ocorrido em agosto de 2024. A razão para tal decisão, segundo ele, é que a partir de outubro a empresa perdeu, de forma geral, as condições para atender às exigências do órgão.
Roberto fez essas declarações nesta terça-feira (18), durante audiência pública promovida pela Comissão de Infraestrutura (CI). A audiência foi solicitada pelo senador Sergio Moro (União-PR) com o objetivo de esclarecer por que a Anac suspendeu as atividades da Voepass a partir de 11 de março.
O diretor da Anac destacou que o órgão passou a acompanhar a companhia de perto no mês seguinte ao acidente. Ele contou que, na primeira etapa desse monitoramento, a Voepass corrigiu os erros identificados pela Anac, mas que isso não ocorreu na segunda fase do acompanhamento, que durou de outubro a fevereiro.
— O que constatamos foi uma degradação dos sistemas de gestão de segurança. Então há uma quebra de confiança. Nós tínhamos proposto que a empresa tivesse um tempo maior de solo para que uma eventualidade de manutenção pudesse ser tratada, [para que houvesse] a troca de algumas pessoas em sua organização, [para que houvesse] a redução de rotas. Uma vez que a empresa comprovar [o atendimento das exigências feitas pela Anac], a suspensão poderá ser retirada. Não existe uma relação direta com o acidente. Não é uma punição por conta do acidente, que está em investigação pelo Centro Nacional de Prevenção de Acidentes — disse Roberto.
Ele ressaltou que há 15 anos a Anac fiscaliza o setor com a colaboração das companhias aéreas. O diretor explicou que nesse modelo a gestão da empresa dever ser capaz de identificar riscos e solucioná-los, pois, segundo ele, é inviável a Anac realizar o acompanhamento no “dia a dia”. Roberto afirmou que esse modelo de regulação é adotado internacionalmente.
Denúncias
Sergio Moro questionou os representantes da Anac sobre as denúncias feitas por funcionários da Voepass de que as aeronaves dessa companhia estariam em condições precárias, conforme divulgado em matérias jornalísticas publicadas nesta semana.
— Havia alguma informação concreta específica sobre essa precariedade? Ou esse fato só veio à tona agora pela matéria jornalística? — indagou o senador.
O superintendente de Padrões Operacionais da Anac, Bruno Diniz Del Bel, respondeu que a agência recebeu informações de problemas na companhia antes do acidente, mas que eles foram corrigidos.
— A gente sempre tratou daqueles fatos que a gente recebeu: a gente chamava a empresa, e a empresa consertava. Até aquele momento, a gente não identificava essa degradação dos pilares da garantia da segurança operacional.
A Voepass conta atualmente com seis aeronaves e incluía entre suas operações 15 localidades com voos comerciais.
Responsabilização
Para o senador Jayme Campos (União-MT), houve falha da Anac no acidente. Ele também citou matérias jornalísticas sobre supostos problemas no uso das peças dos aviões.
Já o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) enfatizou que possui experiência em investigação e prevenção de acidentes aéreos, e que o foco do debate não deve ser a busca de culpados.
— Quando a gente fala de segurança de voo, não se trata de um inquérito para culpar alguém; é uma investigação para achar fatores contribuintes para que aquilo não aconteça mais — declarou Pontes.
O diretor-presidente substituto da Anac afirmou que há “vários fatores que em um momento ali se alinham para que aconteça um acidente” aéreo. Segundo Roberto, na apuração do acidente a Anac deve verificar se houve possíveis erros e desobediência às normas que possam ter levado à queda da aeronave em agosto de 2024. Ele explicou que esse tipo de investigação normalmente dura cerca de um ano.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA MT
TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada
O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.
A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.
Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.
A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.
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