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O Saber e o Sabor do Direito

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Muito da nossa cultura atual é baseada em excessos, em números, em superprodução. Com isso ocorre uma perda permanente da agudeza de nossa experiência sensível. As condições da vida moderna juntam força para entorpecer nossos “talentos naturais”.

A arrogância da “superprodução”, dos “números e estatísticas”, deveria ceder espaço para que a pessoa aprenda a ver mais, a ouvir mais, a sentir mais.

Percebemos isso na operação manual, na utilização, no manejo do Direito. No ato de tocar, segurar ou transportar com as mãos (hoje na ponta dos dedos e nas telas dos computadores) os processos e os procedimentos.

Tobias Barreto me lembrou recentemente que “o Direito não é só uma coisa que se conhece, é também uma coisa que se sente”.

Com efeito, usa-se muito a audição e a visão no Direito e esquece-se de que o ato máximo em um processo judicial vem do verbo sentir: a sentença. Isto não é por acaso, Amigo Leitor.

Ora, o Direito tem alguma coisa com os cinco sentidos – visão, audição, paladar, olfato e tato.E com o sexto para quem quiser. A neurociência já fala em outros mais. Ocorre que as manifestações jurídicas devem ser “verbi-voco-olfato-palato-tato-visuais”. Para mais, devem ser feitas com o corpo inteiro.

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Não há nada de mais pernicioso às ciências do que mantê-las inteiramente isoladas. Não há coisa mais daninha do que usarmos um sentido ou dois para atuarmos na vida das pessoas.

Por isso se torna preciso “animar”, “avivar” o Direito, que às vezes tem aspecto de morto. Dar mais sabor para ele. Sabe-se que saber e sabor têm, em latim, a mesma etimologia (o verbo latino sapare).

Roland Barthes, em sua famosa aula proferida no Collège de France, em 7 de janeiro de 1977, deixou na memória dos sentidos a seguinte sentença (de sentir): “Essa experiência tem, creio eu, um nome ilustre e fora de moda, que ousarei tomar aqui sem complexo, na própria encruzilhada de sua etimologia: Sapientia: nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível”.

* Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso

Fonte: MP MT

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ALMT aprova projetos de apoio à agricultura familiar, saúde e educação em sessão ordinária

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, durante sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (21), projetos voltados à agricultura familiar, saúde, educação e assistência social. Entre os destaques estão medidas de apoio aos produtores de queijo artesanal e à cadeia do leite.

Uma das principais discussões envolveu o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 5/2026 , de autoria de Gilberto Cattani (PL), que susta os efeitos de decreto do Poder Executivo relacionado à regulamentação de produtos lácteos artesanais. Segundo o parlamentar, as regras dificultam a atividade das pequenas queijarias e aumentam os custos de comercialização.

Em entrevista concedida antes da sessão, Cattani afirmou que a regulamentação promoveu uma redistribuição tributária que estaria “penalizando os artesanais, ou seja, o pequeno produtor, a pequena queijaria, e beneficiando as grandes indústrias”. O líder do governo, Dilmar Dal Bosco (União), chegou a pedir vista da proposta, mas devolveu a matéria durante a sessão, permitindo sua aprovação por unanimidade. Da mesma forma, foi aprovado o PDL nº 1/2026 , também de Cattani, que susta a obrigação de envio mensal de dados sobre produção, industrialização e comercialização por agroindústrias familiares e de pequeno porte. 

O plenário aprovou ainda, em segunda votação, o Projeto de Lei (PL) nº 554/2025 , que altera critérios de representatividade dos produtores na administração do Fundo de Qualidade, Produtividade e Segurança Alimentar do Leite. 

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Por outro lado, foi rejeitado o PL nº 347/2022 , de autoria de Gilberto Cattani, que buscava facilitar o acesso à posse e ao porte de armas de fogo para mulheres vítimas de violência doméstica com medidas protetivas judiciais. Com a rejeição, a proposta segue para arquivamento. A matéria tinha parecer contrário da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.

Saúde e educação— Entre as matérias incluídas na ordem do dia, os deputados aprovaram, em primeira votação, o PL nº 336/2026 , de Fábio Tardin (Pode), que garante a oferta de toucas hipotérmicas para reduzir a queda de cabelo de pacientes submetidos à quimioterapia na rede estadual. 

Na área de educação, o plenário aprovou o PL nº 1888/2025 , de Janaina Riva (MDB), que prevê a inclusão da carne suína na merenda escolar, com alternativa para estudantes com restrições alimentares. Foi acatada a Emenda nº 1 à proposta. Os deputados também aprovaram o PL nº 1975/2024 em segunda votação. A proposta institui uma campanha de desconexão das telas digitais, incentivando a redução do uso excessivo de celulares e redes sociais. “O nosso objetivo agora é criar uma campanha de desconexão das telas digitais e reforçar o trabalho que a escola vem fazendo, principalmente nas atividades extracurriculares”, afirmou Silva.

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Outras deliberações— Entre os projetos aprovados estão ainda o PL nº 4/2025 (segunda votação), de Eduardo Botelho (União), que institui a Política Estadual de Combate à Fome; o PL nº 619/2026 (primeira votação), de Max Russi (Podemos), que cria o Dia Estadual do Professor Indígena; e o PL nº 175/2025 (segunda votação, nos termos do Substitutivo nº3 ), também de Russi, sobre conectividade em comunidades indígenas e quilombolas.

Também foi aprovado, em primeira votação, o PL nº 1123/2026 , do Executivo, que autoriza a doação à União da Gleba Pelissoli II, em Santa Terezinha, para fins de regularização fundiária. 

Já o PL nº 795/2026 , que autoriza a contratação de empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal, foi retirado de pauta a pedido da liderança do governo. Também houve pedido de vista de Wilson Santos (PSD) em proposta que altera a delimitação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Chapada dos Guimarães.



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