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País terá déficit de 532 mil profissionais de tecnologia até 2029, aponta debate

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Senadores e debatedores defenderam nesta quarta-feira (30) a necessidade de o Brasil ampliar a conectividade digital e capacitar populações vulneráveis. Eles participaram de uma audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) sobre o programa Conecta e Capacita, do governo federal.

O debate foi sugerido pelo senador Fernando Dueire (MDB-PE), que vai apresentar um relatório sobre os obstáculos à inovação no Brasil. O tema é a política pública avaliada neste ano pelo colegiado.

Dueire defendeu a formação de profissionais qualificados para enfrentar a escassez de mão de obra no setor de tecnologia. Ele apontou a crescente demanda na área, que projeta um grande déficit de profissionais nos próximos anos.

— O Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de tecnologia por ano, o que abrirá um déficit de 532 mil pessoas para trabalhar na área. O mercado está à procura de profissionais para atuar em desenvolvimento de aplicativos, comércio eletrônico, análise de dados e segurança da informação — disse.

O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o ex-senador Inácio Arruda, abordou o papel do Conecta e Capacita no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que possibilita a ampliação da rede de infovias (redes de banda larga) pelo país. Arruda explicou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) é crucial para a manutenção do programa, especialmente em áreas mais isoladas.

— O investimento está na ordem de R$ 500 milhões, principalmente para a ampliação da rede de conexão, incluindo diversas escolas de formação superior e universidades — afirmou.

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Coordenação

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) cobrou mais eficiência na coordenação entre ministérios para otimizar os recursos. Ele alertou para o risco de sobreposição de ações e desperdício de recursos públicos.

— Estou trabalhando com o Ministério das Mulheres e da Educação, mas a questão é como garantir que não haja desperdício de ações e recursos, já que muitas vezes há várias áreas atuando na mesma frente — afirmou.

A coordenadora-geral de Incentivo à Cooperação e Inovação na Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Marcela França, disse que a pasta mapeia as ações de inovação na educação profissional e tecnológica em nível estadual. Segundo ela, o trabalho deve ser concluído no início do próximo ano.

Desafios

Marcela França falou ainda da meta de conectividade e integração nas unidades da rede federal de educação profissional, ressaltando que o principal desafio é levar conectividade ao interior do país.

— Temos o desafio de alcançar regiões remotas e proporcionar oportunidades equivalentes às dos grandes centros. Estamos avançando, mas ainda há muito a fazer para garantir acesso e infraestrutura nessas áreas — afirmou.

Wellington Fagundes sugeriu a realização de uma audiência pública específica sobre o tema, preferencialmente antes da votação do projeto da Lei Orçamentária Anual. De acordo com ele, a área de inovação e tecnologia possui alta demanda de recursos, e uma melhor organização poderia evitar desperdícios e direcionar os investimentos para as prioridades certas.

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Dueire também defendeu a realização de uma nova audiência sobre o tema.

— Em minha experiência, pude ver a efetividade dos conselhos para organizar os esforços entre diferentes áreas, e acredito que o mesmo deva ocorrer no setor de ciência e tecnologia. A ideia de uma nova audiência é oportuna e será providenciada rapidamente — disse.

Setor industrial

O superintendente de Educação Profissional e Superior do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Felipe Morgado, destacou que a instituição está presente em 95% dos municípios brasileiros, oferecendo cursos em áreas como cibersegurança, análise de dados e programação. Morgado disse que o alinhamento com as demandas reais da indústria é essencial,.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, enfatizou a necessidade de financiamento contínuo para expandir as infovias e fortalecer a rede de pesquisa de alto desempenho, principalmente em regiões carentes. Ela defendeu o Conecta e o Capacita como uma iniciativa vital para promover a pesquisa e a inovação no Brasil.

— A autonomia tecnológica é fundamental para o desenvolvimento do país. Sem investimento em infraestrutura, a pesquisa brasileira ficará estagnada. O fortalecimento das redes de pesquisa é crucial para garantir que a ciência nacional esteja alinhada com as demandas globais — disse.

Vinícius Gonçalves, sob supervisão

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada

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O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.

A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.

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Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.

A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.

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