POLITÍCA NACIONAL
Na CPI, presidente do Nova Cidade avalia derrota de virada: ‘isto é futebol’
POLITÍCA NACIONAL
Ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas (CPIMJAE) nesta quarta-feira (27), o presidente do Esporte Clube Nova Cidade de Nilópolis (RJ), Jorge Luiz Pacheco Eloy, disse não ver correlação entre a derrota de virada para o Belford Roxo, em partida da equipe sub-20, e o elevado volume de apostas no resultado. Ele defendeu a idoneidade do clube, mas lembrou que, à época da partida sob questionamento, o time estava sob gestão terceirizada.
A oitiva atendeu a requerimento (REQ 164/2024 – CPIMJAE) do presidente do colegiado, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), a respeito dos desdobramentos da operação VAR, iniciada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por solicitação da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj). Os policiais civis identificaram indícios de atuação criminosa nos clubes Nova Cidade, Belford Roxo, São José, Brasileiro e Duquecaxiense.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), presidindo a reunião, destacou a partida da terceira divisão do campeonato estadual sub-20, em 5 de junho, em que o Nova Cidade vencia por 3 a 1 o Belford Roxo ao fim do primeiro tempo, mas acabou perdendo o jogo por 5 a 3 — “virada improvável” que foi acompanhada de um volume atípico de apostas em bets na Ásia, o que teria chamado atenção dos órgãos de compliance.
Eloy explicou que a Ferj suspendeu os dois clubes por suspeita de manipulação de resultado, mas o Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado do Rio de Janeiro (TJD-RJ) absolveu as agremiações. Apesar do nome “tribunal”, o TJD-RJ é uma instância administrativa privada e não integra o Poder Judiciário.
O presidente do Nova Cidade admitiu que não assistiu ao jogo sob suspeita, mas, citando a virada do Palmeiras sobre o Botafogo em partida do Campeonato Brasileiro de 2023, disse que “isto é futebol”.
— A princípio não tem nenhuma suspeita, suposta suspeita de manipulação, não. É porque o time de base, ele exige muito do físico. E infelizmente a gente não tem profissionais competentes para estar exercendo a função de preparador físico. Jogam bem no primeiro tempo e, no segundo tempo, infelizmente, pode acontecer como aconteceu com o Botafogo: perdeu no físico, tomou quatro gols — avaliou.
Respondendo a pergunta de Jorge Kajuru lida por Girão, Eloy também disse não ver associação entre o resultado desfavorável e as apostas suspeitas: ele declarou desconhecer as “provas claras e incontestáveis” do cenário apostado que teria rendido R$ 5 mil para quem apostou R$ 200 nas bets da Ásia, que não teriam sido mencionadas no curso do processo no TJD-RJ, e disse não saber de pessoas ligadas ao clube que tenham feito apostas.
Para ele, foi “natural do futebol”, depois de duas derrotas seguidas, a demissão do treinador sub-20, Ede Vicente, que também era responsável pela gestão terceirizada da equipe e pelo agenciamento de transferência de jogadores destacados para outros clubes. No entanto, o presidente do clube questionou a gestão terceirizada e disse estar disposto a buscar “reparos” da empresa.
— [Fico] constrangido de ter envolvido o nome do Esporte Clube através de uma empresa que nós acreditávamos que seria uma pessoa idônea, que seria uma pessoa que poderia estar representando à altura o futebol do Brasil no Rio de Janeiro.
O dirigente disse que o contrato com a empresa não envolvia dinheiro, mas “projeção de determinados jogadores”, e, segundo ele, agenciadores particulares ou pessoas jurídicas do ramo constantemente procuram o clube e propõem parcerias semelhantes. Eloy salientou que, em seus 11 anos à frente do Nova Cidade, é a primeira vez em que o clube aceitou a participação de uma empresa para gerenciar o sub-20.
— Nunca fizemos isso, até porque a gente é um clube de origem humilde, de terceira divisão, sem recursos, sem apoio. E todos os clubes de terceira, quarta, quinta divisão, também ficam à mercê de aparecer uma empresa, um agenciador, um patrocinador que possa nos ajudar a custear uma competição, que é muito cara — esclareceu.
Jorge Luiz Pacheco Eloy ressaltou que o clube não compactua com o assédio a jogadores em torno de apostas esportivas. Ele opinou que o ideal seria acabar com as casas de apostas para tornar possível a volta de um “futebol de vibração”.
No mesmo sentido, Girão se disse preocupado com o alcance mundial das apostas esportivas, que estaria prejudicando um “grande patrimônio do povo brasileiro”.
— Você vê a que nível de ramificação, de capilaridade chegou o mundo da jogatina, que está destruindo o futebol, está afastando as torcidas. Tem muita gente pegando abuso, porque não sabe se o jogo está combinado, se não está. E tudo isso se agravou muito a partir de aposta esportiva.
Requerimentos
Também convidado para depoimento nesta data, Reginaldo Gomes, presidente da Sociedade Esportiva Belford Roxo, não compareceu à CPI. Ao fim da reunião, os membros da comissão aprovaram requerimento (REQ 172/2024 — CPIMJAE) de Eduardo Girão convertendo o convite em convocação.
O colegiado também aprovou requerimento (REQ 171/2024 — CPIMJAE) de convocação de Thiago Chambó Andrade, denunciado na Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás. O senador Romário (PL-RJ) é o autor do requerimento.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA MT
TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada
O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.
A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.
Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.
A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.
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