POLITÍCA NACIONAL
Galípolo diz à CPI que Banco Central não possui papel na regulamentação das bets
POLITÍCA NACIONAL
Em reunião da CPI das Bets nesta terça-feira (8), os senadores e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, discordaram quanto ao papel do Banco Central com relação às instituições financeiras que movimentam os pagamentos a empresas ilegais de apostas virtuais.
Segundo o Banco Central, entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões são gastos por mês com apostas no Brasil. O colegiado investiga o impacto das apostas on-line na saúde financeira das famílias.
Galípolo esclareceu que a fiscalização e punições relacionadas à regulamentação do setor são função somente do Ministério da Fazenda, inclusive com relação às instituições de pagamento que prestam serviço às bets. Segundo ele, seria necessário alterar a legislação para permitir ao Banco Central aplicar multas ou impedir as atividades que infringissem as regras, por exemplo.
— A Secretaria de Prêmios de Apostas [SPA, do Ministério da Fazenda] é quem define a bet que está autorizada ou não. O Banco Central, uma vez informado pela SPA, vai dizer para a instituição financeira: “você tem aí empresas para observar nos seus procedimentos e, a partir de agora, não autorizar mais.” Não é o Banco Central que interrompe uma transação. A partir daí, é a própria instituição financeira que interrompe.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) questionou a notificação feita pela SPA ao Banco Central em março sobre 22 instituições de pagamentos que movimentam valores de apostas virtuais ilegais — atualmente, 81 empresas são autorizadas pela SPA —. Ele afirmou ter a impressão de que os órgãos envolvidos se esquivam do problema.
— Pelo que eu estou vendo, não há ainda nenhum procedimento no sentido de coibir isso. Está muito claro para nós que há muita irregularidade, muita operação irregular acontecendo.
Galípolo apontou que o incômodo decorre do período de cinco anos em que o setor de apostas operou sem regulamentação. Após 2023, a Lei 14.790 trouxe as regras para o setor, que passou por um momento de adaptação no segundo semestre de 2024. Desde de janeiro, vigora totalmente a regulamentação do setor, que engloba as bets esportivas e os jogos de aposta on-line — que se assemelham aos cassinos, como o chamado Jogo do Tigrinho.
Vácuo legal
Os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Dr. Hiran (PP-RR), presidente da CPI, também perguntaram sobre a responsabilidade do Banco Central na punição dessas instituições financeiras. Hiran apontou que o colegiado pode apresentar proposta legislativa para combater a movimentação financeira por bets ilegais.
— A gente fica tendo uma sensação de que há um vácuo legal. A gente tem que estabelecer uma legislação mais aprimorada em relação a coibir esse tipo de atividade, que é muito nociva à economia do nosso país — disse.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também questionou sobre regras do Banco Central que flexibilizam a atuação de instituições financeiras de “baixa volumetria”. Na primeira reunião da CPI, delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmou que resolução do BC para incentivar empresas digitais do mercado financeiro, as chamadas fintechs, acabam por abrir brechas que são aproveitadas pelos criminosos.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI, solicitou a Galípolo sugestões de melhorias legais. Segundo ela, as investigações do colegiado apontam que diversas instituições de pagamento são abertas unicamente para atender apostas ilegais.
Lavagem de dinheiro
Galípolo afirmou que a bet que atua sem autorização do Ministério da Fazenda não necessariamente comete delitos como lavagem de dinheiro ou envio ilegal de dinheiro ao exterior — crimes que Soraya apontou como comumente relacionados nas atividades ilegais —. Quando há essa relação, o Banco Central atua de outra maneira com a instituição financeira que presta serviços a elas, esclareceu Galípolo.
— As instituições financeiras são as responsáveis por identificar algum tipo de indício de que pode existir lavagem de dinheiro. Cabe à gente fiscalizar e garantir que as instituições autorizadas por nós estejam com procedimentos onde todos os seus funcionários saibam exatamente o que eles devem fazer. E aí muitas vezes nem passa pela gente, vai direto ao Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeira], para o Ministério Público, para a Polícia Federal.
Estudo
Segundo o secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca, entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões são movimentados por mês em apostas em 2025, o que reafirma as estimativas feita pelo órgão no final do ano passado. Deste valor, o Banco Central estima que cerca de 85% retorna aos apostadores — diferentemente da SPA, que calcula entre 93% e 94%, segundo Galípolo.
Lucca explicou que, com a regulamentação, a identificação dos valores movimentados passou a ser mais bem monitorada, com dados mais concretos.
— Essas instituições passaram a ter que ter uma uma conta específica no banco para fazer esse tipo de atividade e tem que se identificar com CNAE [classificação do IBGE para atividades econômicas] — explicou.
Em agosto de 2024, o Banco Central realizou estudo que identificou que cerca de R$ 3 bilhões pagos pelo Bolsa Família foram gastos pelos beneficiários em apostas por meio de Pix. Galípolo informou que o estudo tinha o propósito inicial de entender porque, mesmo com aumento de renda, os brasileiros não estavam poupando nem consumindo mais.
Galípolo também argumentou que não é atribuição do Banco Central gerir ou implementar formas de impedir que beneficiários de auxílios governamentais usem o dinheiro em apostas. A intervenção neste tipo de transação, segundo ele, poderia infringir direitos ao sigilo bancário, por exemplo.
Educação financeira
Chefe do Departamento de Supervisão de Conduta do Banco Central, Juliana Mozachi Sandri apontou o que o Banco Central faz pela educação financeira dos brasileiros, por exemplo, ao informar que aposta não é uma forma de investimento.
O órgão atua em escolas por meio do programa Aprender Valor e por meio de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para incentivar a educação por meio deles. Além disso, o Banco Central utiliza redes sociais para orientar o cidadão.
— O Banco Central está utilizando diversos meios de comunicação, como o Instagram e [outras] mídias sociais, para levar as questões de educação financeira e esclarecer o papel do Banco Central, como a gente atua e quais os cuidados que o cidadão tem que ter atenção, de forma mais simples e com uma linguagem descomplicada — afirmou Sandri.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada
O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.
A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.
Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.
A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.
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