POLITÍCA NACIONAL
Criação de linha oficial de pobreza tem votação adiada na CAS
POLITÍCA NACIONAL
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) adiou nesta quarta-feira (30) a votação do projeto que institui a linha oficial de pobreza e prevê metas para sua erradicação. O PL 350/2021, do senador Paulo Paim (PT-RS), tem voto favorável da relatora, a senadora Jussara Lima (PSD-PI), mas ela pediu mais tempo para reavaliá-lo. Se aprovada pela CAS, a proposta seguirá para análise da Câmara dos Deputados.
O projeto define a linha oficial de pobreza como o rendimento mínimo necessário para que um grupo familiar ou uma pessoa que viva sozinha possam suprir suas necessidades vitais. Conforme o texto, tal valor deverá ser divulgado juntamente com a metodologia utilizada para calculá-lo.
De acordo com a matéria, as políticas públicas de erradicação da pobreza deverão conter metas nacionais e regionais de redução do número de famílias e pessoas vivendo abaixo da linha oficial de pobreza.
Projeto com teor parecido já havia sido aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados em 2014, mas foi vetado pela então presidente Dilma Rousseff. Na opinião de Paim, é necessário definir uma linha oficial de pobreza, pois isso permitirá estabelecer metas e direcionar ações de combate ao problema.
Para Jussara Lima, assim como o governo deve se esforçar para cumprir metas de controle inflacionário, metas fiscais e de crescimento, deve também trabalhar para alcançar metas para a erradicação da pobreza.
“Tais metas devem ter como finalidade maior a promoção do bem de todos, o fortalecimento da cidadania, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, pois não há sucesso econômico sem a redução das desigualdades e não há meta mais relevante que a erradicação da pobreza”, argumenta a relatora.
Mudanças no texto
O projeto original estabelece prazos para a regulamentação da linha oficial de pobreza, com a criação de metas de redução de pobreza a serem estipuladas na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na Lei Orçamentária Anual. Pelo texto de Paim, essas metas devem constar, também, na mensagem enviada todos os anos pelo presidente na República na abertura dos trabalhos legislativos. Tais pontos foram excluídos na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para evitar possíveis questionamentos sobre a constitucionalidade do projeto. Jussara Lima mantém essas alterações em seu relatório.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
TCU pode avançar nesta semana em fiscalização proposta pela Coronel Fernanda contra venda casada
O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) poderá analisar nesta semana a abertura de uma fiscalização preliminar sobre a suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural, proposta pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). A iniciativa volta ao centro do debate em um momento de juros elevados, maior endividamento no campo e restrição ao acesso a financiamentos pelos produtores rurais.
A fiscalização foi solicitada pela parlamentar e aprovada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados no fim do ano passado. Agora, caberá ao TCU decidir se aprofunda a investigação sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito rural, especialmente a exigência da contratação de produtos bancários acessórios (seguros, títulos de capitalização, consórcios e investimentos), como condição para a liberação dos financiamentos, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Para a deputada Coronel Fernanda, o avanço da análise pelo TCU representa um passo fundamental para proteger os produtores e assegurar que o crédito rural cumpra sua função como política pública. “O produtor não pode ser penalizado com custos ocultos e imposições ilegais justamente no momento em que mais precisa de apoio para produzir. Crédito rural não é balcão de vendas de produtos financeiros”, tem defendido a parlamentar.
Além da venda casada, a proposta de fiscalização prevê a análise da transparência das taxas e encargos cobrados nas operações, bem como a governança e os controles internos das instituições financeiras públicas federais responsáveis pela execução do crédito rural. A atuação do Banco Central do Brasil, órgão supervisor do sistema financeiro, também será objeto da apuração.
A matéria está na pauta do plenário do TCU desta quarta-feira (28/1). Caso aprovada, a fiscalização abrangerá operações realizadas por bancos federais e incluirá uma verificação específica dos recursos oriundos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO), que utilizam dinheiro público. A sugestão técnica é que o processo seja relatado pelo ministro Augusto Nardes, que já conduz outras duas auditorias relacionadas ao crédito rural.
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