MATO GROSSO
Poder Judiciário discute em audiência pública o sub-registro civil de nascimento
MATO GROSSO
Com o objetivo de levar o registro de nascimento para toda a população mato-grossense, o Poder Judiciário do Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) realizou nesta sexta-feira (10/06), a audiência pública “O sub-registro civil de nascimento e a invisibilidade social como cidadão, identidade, dignidade e acesso a direitos”. O evento, que reúne cerca de 400 pessoas entre desembargadores, juízes, cartorários e a população em geral, é realizado de maneira híbrida, virtual e presencial, na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em Cuiabá.
Já o corregedor-geral, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou que a CGJ está compromissada com a erradicação e considerando os dados estatísticos no Estado, segundo o IBGE, que reportou a existência de 2513 crianças sem certidão de nascimento, não mede esforços para erradicação do sub-registro de nascimento no âmbito do Estado a fim de que saiam da invisibilidade social como cidadãos.
Eixo I – No primeiro eixo da audiência pública o tema “Erradicação do Sub-Registro Civil como Pressuposto para o fim da invisibilidade social como Cidadão. Identidade, Dignidade e Acesso a Direitos” foi debatido pelo membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Richard Pae Kim.
Já a juíza do Tribunal de Justiça do Maranhão, Jaqueline Reis Caracas, complementou o eixo trazendo estratégias do Poder Judiciário do Maranhão. “Acredito firmemente no papel de protagonista do Poder Judiciário no enfrentamento ao sub-registro, de liderar essa frente de trabalho, de criar uma rede interinstitucional de combate. De envolver todos os atores que fazem parte desse processo. O registro civil hoje é atribuição dos cartórios extrajudiciais e cabe ao Poder Judiciário a missão de não só orientar como de também fiscalizar a atuação das serventias extrajudiciais. Para chegar nessa informação de sub-registro o IBGE cruza duas informações, de quantas pessoas nasceram e quantas foram registrados neste mesmo período. Através desse cruzamento de dados obtém indicador. Em 2003 tínhamos a marca de quase 20% população em sub-registro, hoje esse índice é de 2,11%, em 2019. Kim mostrou como o nosso país tem disparidades entre as regiões. Onde os melhores indicadores estão no sul e sudeste e os piores norte e nordeste. Infelizmente a gente acaba que chega a conclusão de que isso tem relação com as questões econômicas, sociais, Índices de Desenvolvimento Humano, ou seja, não é uma causa isolada”, destacou.
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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