ECONOMIA
Planos instituídos ampliam acesso à previdência complementar
ECONOMIA
A transformação das relações de trabalho e das estratégias de benefícios corporativos no Brasil tem impulsionado um debate cada vez mais relevante no sistema de previdência complementar fechado: como ampliar a cobertura previdenciária e levar a proteção financeira de longo prazo a um número maior de empresas e trabalhadores.
Historicamente associado a grandes corporações com estruturas próprias de previdência, o setor passou a desenvolver modelos mais flexíveis de adesão. Nesse contexto, os chamados planos instituídos vêm ganhando relevância por ampliarem as formas de acesso à previdência complementar, permitindo que empresas e organizações ofereçam aos seus colaboradores os benefícios de um plano administrado por uma Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC).
O modelo permite que associações, cooperativas, entidades representativas e empresas adiram a planos previdenciários já estruturados por fundações e entidades do setor. Na prática, a EFPC administra o plano, enquanto as organizações interessadas o disponibilizam aos seus colaboradores ou associados por meio de convênios de adesão.
Os números mais recentes revelam a expansão desse modelo. Dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) indicam que os planos instituídos somavam cerca de R$ 1 bilhão em ativos em 2010 e encerraram 2025 com R$ 27,7 bilhões, crescimento de quase 27 vezes em 15 anos. No mesmo período, o número de participantes ativos saltou de 85 mil para aproximadamente 874 mil pessoas.
Atualmente, os planos instituídos reúnem mais de 100 estruturas ativas no país, consolidando-se como uma das principais frentes de expansão do sistema fechado de previdência complementar, especialmente entre associações, cooperativas e empresas de médio porte que buscam ampliar a oferta de benefícios previdenciários de forma simplificada.
A Abrapp avalia que esse formato deve ganhar relevância crescente diante das mudanças demográficas, do envelhecimento populacional e da necessidade de ampliar a cultura de planejamento financeiro de longo prazo no Brasil.
“O Brasil vive uma transformação importante nas relações de trabalho e também na forma como as empresas enxergam os benefícios e a proteção financeira de seus trabalhadores. Os planos instituídos representam uma evolução significativa do sistema de previdência complementar fechado, ampliando o alcance das EFPC e criando novas oportunidades para que empresas, associações e trabalhadores tenham acesso à proteção previdenciária de longo prazo”, afirma Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp.
Segundo ele, o fortalecimento desses planos integra o movimento defendido pela atual gestão da entidade, sintetizado no conceito “Ressignificar a Previdência” — que busca reposicionar a previdência complementar como uma ferramenta mais acessível, moderna e conectada às necessidades da população.
Hoje, o sistema representado pela Abrapp administra cerca de R$ 1,3 trilhão em ativos, equivalente a aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e impacta mais de 8 milhões de pessoas. Ainda assim, o setor identifica um potencial relevante de expansão da cobertura previdenciária no país.
Um exemplo recente desse modelo ocorreu em Foz do Iguaçu (PR), onde a Fundação Fibra assinou um convênio de adesão com a Tarobá Construções. A empresa tornou-se Associada Especial Previdenciária Pessoa Jurídica da Abrapp e passou a disponibilizar aos seus colaboradores acesso ao Plano Família Itaipu, administrado pela Fundação Fibra.
O caso ilustra como empresas podem integrar estruturas previdenciárias já existentes sem a necessidade de desenvolver operações próprias. A adesão ocorre por convênio com a entidade fechada, responsável pela administração do plano e pela gestão previdenciária.
“A proposta nasceu da estratégia de ampliar o acesso à previdência complementar junto às empresas da nossa região. A Tarobá foi a primeira companhia a formalizar essa parceria dentro desse modelo estruturado de adesão ao Plano Família Itaipu, reforçando o potencial dos planos instituídos como instrumento de proteção previdenciária e desenvolvimento social”, destaca a Fundação Fibra.
Na avaliação da Abrapp, iniciativas desse tipo tendem a ganhar espaço nos próximos anos à medida que empresas busquem soluções para ampliar os benefícios de longo prazo oferecidos aos trabalhadores.
“Ressignificar a previdência significa aproximar o setor das pessoas e construir modelos mais aderentes à realidade atual. Quanto mais ampliarmos a cobertura previdenciária e aproximarmos as pessoas da previdência complementar, maior será o impacto social e econômico gerado para o país”, conclui Devanir Silva.
ECONOMIA
Senior living em João Pessoa ganha força
O envelhecimento da população brasileira começa a redesenhar também o mercado imobiliário. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil já tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um crescimento de 56% em relação a 2010. Esse movimento amplia a procura por cidades que ofereçam qualidade de vida, serviços de saúde, segurança, mobilidade, lazer e imóveis preparados para uma rotina mais confortável na maturidade.
Nesse cenário, João Pessoa ganha espaço como uma das capitais mais observadas por aposentados, famílias e investidores do nicho conhecido como silver economy. A combinação entre clima agradável, vida urbana menos acelerada, presença de praias, serviços essenciais e infraestrutura de saúde tem fortalecido a imagem da capital paraibana como uma espécie de “Flórida brasileira” para quem deseja envelhecer com mais autonomia.
O conceito de senior living, ainda em expansão no Brasil, vai além de apartamentos adaptados. Ele envolve moradias planejadas para pessoas 60+, com acessibilidade, áreas comuns funcionais, integração social, proximidade de hospitais, farmácias, supermercados, parques, academias, restaurantes e serviços essenciais. Para esse público, localização e praticidade passam a ter tanto peso quanto metragem, vista ou acabamento.
Para Frank Ramalho, CEO da TagHaus Imobiliária, a tendência deve ganhar força em João Pessoa nos próximos anos. “João Pessoa reúne condições reais para o avanço do senior living: clima, saúde, mobilidade urbana e qualidade de vida. Os empreendimentos que entenderem essa mudança, oferecendo acessibilidade, segurança, convivência e localização estratégica, tendem a conversar diretamente com uma demanda crescente da população 60+ e de suas famílias”, afirma.
Em João Pessoa, bairros como Cabo Branco, Tambaú, Manaíra, Jardim Oceania, Bessa, Altiplano e Miramar tendem a se destacar nesse movimento por reunirem boa oferta de apartamentos, serviços, lazer, mobilidade e acesso a equipamentos de saúde. A busca não é apenas por imóvel de praia, mas por uma rotina possível: caminhar, resolver demandas do dia a dia perto de casa, receber familiares, ter segurança e manter independência.
A infraestrutura de saúde também pesa na decisão. A capital paraibana conta com rede hospitalar pública, hospitais privados, clínicas, laboratórios e serviços especializados que atendem moradores locais e pessoas vindas de outras cidades do Estado. Para famílias que procuram imóveis para pais idosos, esse fator é decisivo, especialmente quando o imóvel está próximo de redes hospitalares, consultórios e vias de fácil deslocamento.
Do ponto de vista imobiliário, o senior living cria uma nova camada de demanda. Apartamentos com plantas inteligentes, elevador, vagas acessíveis, ventilação natural, varanda, áreas de convivência, portaria, segurança e localização plana passam a ser mais valorizados. Ao mesmo tempo, investidores observam o crescimento do público 60+ como oportunidade para locação de longa permanência, segunda moradia ou imóveis voltados a famílias que desejam trazer os pais para perto.
A tendência também exige uma mudança de leitura do mercado. Envelhecer bem deixou de ser apenas uma pauta de saúde e passou a ser uma pauta urbana, econômica e imobiliária. Para João Pessoa, o desafio será transformar esse interesse em projetos mais inclusivos, com acessibilidade real, serviços conectados e condomínios preparados para diferentes fases da vida.
Se antes a aposentadoria era associada apenas ao descanso, agora ela se aproxima de escolhas mais estratégicas: morar melhor, viver com segurança, estar perto da praia, manter a vida social ativa e ter suporte urbano no entorno. É nesse cruzamento entre longevidade, qualidade de vida e mercado imobiliário que João Pessoa aparece como uma das capitais brasileiras com maior potencial para o crescimento do senior living.
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