ECONOMIA
Pausa nas ‘canetas’ faz pacientes reconsiderarem bariátrica
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Considerados avanços expressivos no tratamento da obesidade, os medicamentos análogos de GLP-1, como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), proporcionaram novos caminhos para a perda de peso. Enquanto o uso dessas “canetas emagrecedoras” mais que dobrou entre 2022 e 2023 nos Estados Unidos, as cirurgias bariátricas caíram 25,6% no mesmo período, segundo estudo publicado no periódico científico JAMA Network Open.
No entanto, especialistas sugerem que o reganho de peso após a interrupção do uso pode começar a reverter esse movimento. Para o Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião bariátrico e idealizador do Instituto Medicina em Foco — clínica multidisciplinar de atendimento a pacientes com obesidade, doenças crônicas e populações em situação de vulnerabilidade —, o novo padrão já se percebe nos consultórios.
“O fenômeno que observamos é o ‘choque de realidade’ pós-interrupção. Os análogos de GLP-1 são ferramentas fantásticas, mas impõem uma dependência biológica e financeira. Muitos experimentam uma perda de peso inicial significativa, mas, ao interromperem o uso, enfrentam um reganho de peso rápido e agressivo. Esse “efeito sanfona” gera uma frustração que reconduz o paciente ao consultório do cirurgião, agora com a convicção de que necessita de uma intervenção com mecanismos metabólicos mais profundos e duradouros”, afirma.
A obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença crônica, complexa e recidivante (ou seja, com tendência natural à recaída). Esse caráter é central para entender por que a suspensão de qualquer tratamento sem acompanhamento adequado, seja medicamentoso ou cirúrgico, pode resultar em reganho de peso.
Publicada no periódico médico britânico The BMJ em janeiro de 2026, uma revisão sistemática da Universidade de Oxford confirma que pessoas tendem a recuperar peso rapidamente após interromper os medicamentos GLP-1, e de forma mais acelerada do que após o abandono de programas tradicionais de emagrecimento, como dieta e exercício. O mesmo estudo estima que cerca de metade dos pacientes com obesidade interrompem o uso desses medicamentos dentro de 12 meses.
A indicação cirúrgica após o uso de “canetas emagrecedoras” segue os critérios clínicos já estabelecidos: quando há falha no tratamento clínico (medicamentoso e comportamental) em pacientes com IMC acima de 35 kg/m², se associado a comorbidades, ou em pacientes com IMC acima de 40 kg/m², explica o cirurgião.
“Especificamente após o uso de análogos de GLP-1, a indicação surge quando o paciente não atinge a meta de perda ponderal necessária para o controle de doenças como o diabetes tipo 2 e a esteatose hepática, ou quando a manutenção desse peso se torna insustentável sem a droga, comprometendo a saúde metabólica a longo prazo”, completa.
Medicamento ou cirurgia: qual é a diferença metabólica?
Do ponto de vista do corpo humano, a diferença entre as duas abordagens é estrutural. Enquanto os medicamentos “imitam” o hormônio GLP-1 (que regula o açúcar e retarda o esvaziamento gástrico), a cirurgia bariátrica pode promover um “reboot” metabólico.
O procedimento altera o eixo intestino-cérebro, eleva a produção do GLP-1 natural e do PYY (que ativa a saciedade), além de reduzir drasticamente a grelina (o “hormônio da fome”). Além disso, a cirurgia altera a microbiota intestinal de uma forma que as drogas ainda não conseguem replicar, entregando um controle glicêmico muito mais robusto.
Ainda assim, para o Dr. Rodrigo, as abordagens não são inimigas, mas sim complementares. “Para perfis de obesidade leve, os medicamentos podem ser a solução definitiva, desde que o paciente consiga manter o uso crônico. Já para a obesidade moderada a grave, as canetas funcionam perfeitamente como uma ponte pré-operatória (para reduzir o risco cirúrgico) ou como um ajuste fino no pós-operatório tardio”, informa.
Mesmo com toda a segurança e tecnologia atual, o Dr. Rodrigo Barbosa chama a atenção para o que define como a “medicalização da pressa”. “O paciente pula de uma droga para outra e, quando cansa, quer a cirurgia como um ‘botão de reset’. A cirurgia não é a saída de emergência do remédio, mas sim a progressão lógica de uma linha de cuidado integrada”, adverte.
Para o especialista, é a integração entre cirurgia, nutrição, psicologia e endocrinologia que pode garantir que o paciente aprenda a lidar com sua nova anatomia e não transfira o vício da comida para outras compulsões. Sem esse suporte, qualquer intervenção pode falhar no futuro, alerta.
Os limites do tratamento medicamentoso
Apesar dos resultados iniciais expressivos, a manutenção do tratamento com análogos de GLP-1 apresenta desafios práticos que têm levado pacientes a buscarem novamente os consultórios cirúrgicos. Segundo o médico, os principais obstáculos incluem:
- O platô na perda de peso: pacientes com graus mais elevados de obesidade podem experimentar uma estagnação na perda percentual de peso com as medicações. Nesses casos, o paciente emagrece, mas pode não atingir a meta necessária para sair da zona de risco ou controlar comorbidades graves;
- O fator financeiro e a adesão: por ser a obesidade uma doença crônica, o tratamento medicamentoso exige uso contínuo. O alto custo mensal para manter a terapia a longo prazo torna-se uma barreira financeira, dificultando a adesão prolongada de parte dos pacientes;
- O reganho após a interrupção: quando o paciente cessa o uso da medicação — seja pelo custo ou pela intolerância aos efeitos colaterais —, observa-se um reganho de peso frequentemente rápido.
Nesse contexto de desafios com a terapia crônica, a intervenção cirúrgica continua sendo apontada como uma alternativa para um controle metabólico duradouro. “Atualmente, os procedimentos contam com o apoio da cirurgia robótica e de novas tecnologias de grampeamento, recursos que têm o objetivo de reduzir complicações e tornar a recuperação mais rápida e segura”, conclui Dr. Rodrigo Barbosa.
Para obter mais informações, basta acessar: https://emfoco.med.br/
ECONOMIA
Procon-MT aponta variação de até 137% no preço dos presentes
A Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon-MT), órgão vinculado à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), realizou levantamento de preços no mercado varejista de brinquedos, em razão do Dia das Crianças, comemorado na segunda-feira (12.10).
Entre os itens pesquisados, a maior variação de preço identificada foi para o produto ‘MIRACULOUS – LADYBUG MUSICAL (45cm) que registrou uma diferença de 137,63% entre o menor preço (R$ 129,99 em uma das lojas pesquisadas ) e o maior preço (R$ 308,90 na outra), representando uma variação absoluta de R$ 178,91.
A coleta de dados foi realizada no período de 6 a 8/10/2026. Foram comparados produtos de fabricantes e marcas de ampla circulação no mercado (como bonecas, bonecos, jogos de mesa e massas de modelar), totalizando 64 itens. A pesquisa abrangeu os sites oficiais das lojas de departamento.
O objetivo do levantamento de preços, explica a secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, é oferecer uma referência transparente de preços aos consumidores residentes nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande, auxiliando o público a tomar decisões conscientes de compra, identificar as melhores oportunidades e estimular a livre concorrência no mercado consumidor mato-grossense.
O coordenador de Fiscalização, Controle e Monitoramento de Mercado do Procon-MT, André Badini, destaca que que a pesquisa identificou maior disponibilidade de estoque online em uma das quatro lojas, com 93,8% dos itens da amostra encontrados (60 de 64 produtos).
Para o monitoramento foram estabelecidos critérios como preços à vista, pesquisados para entrega/atendimento na região de Cuiabá e Várzea Grande. Não foram computados valores de frete, taxas de entrega, cupons de desconto individuais ou cashback.
“Os preços coletados refletem o momento da pesquisa e estão sujeitos a alterações diárias promovidas pelos estabelecimentos”, informa André Badini.
Veja AQUI o relatório da pesquisa.
Orientações ao consumidor:
-Pesquise e compare preços antes de comprar: As variações entre as lojas podem ultrapassar 100% no mesmo produto. Sempre leve em conta o custo do frete no valor final da compra.
-Observe o Selo do Inmetro e faixa etária: Certifique-se de que o brinquedo possui o selo de certificação do Inmetro e que a indicação etária é adequada à criança.
-Preços e formas de pagamento: Fique atento se os preços promocionais exigem formas de pagamento específicas (como Pix ou boleto) e se há cobrança de juros no parcelamento.
-Direito de arrependimento: Nas compras realizadas fora do estabelecimento comercial (como pela internet), o consumidor tem o prazo de até sete dias após o recebimento do produto para desistir da compra.
-Guarde comprovantes e confirmações: Armazene as telas de confirmação do pedido, e-mails e notas fiscais para resguardar seus direitos em caso de eventuais trocas ou reclamações.
Reclamações: Em caso de problemas, o consumidor pode procurar presencialmente o Procon mais próximo de sua residência. Também é possível registrar reclamação pelo Procon Digital disponível no aplicativo MT Cidadão ou pela plataforma Consumidor.gov.br.
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