ECONOMIA
O que observar antes de ingressar em um curso de Medicina
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Ingressar em Medicina é um objetivo que mobiliza milhares de estudantes todos os anos. Mas, diante da conquista da aprovação, um aspecto fundamental não pode ficar em segundo plano: a escolha da instituição onde será construída a formação profissional.
Mais do que encontrar uma vaga, futuros médicos e suas famílias precisam avaliar se a faculdade oferece as condições necessárias para uma formação sólida, segura e alinhada às exigências da profissão. Em um curso de longa duração, alto investimento financeiro e grande impacto social, aspectos como autorização do Ministério da Educação (MEC), qualidade da estrutura acadêmica e acesso a atividades práticas devem fazer parte da análise antes da matrícula.
A preocupação é especialmente relevante em um momento em que o país busca ampliar o número de médicos em atividade. O desafio, porém, não se resume à abertura de vagas. Para especialistas, é essencial garantir que a expansão da formação médica ocorra com qualidade e dentro dos parâmetros definidos pelos órgãos reguladores.
No Tocantins, por exemplo, a discussão ganha relevância diante das necessidades de assistência em saúde e das diferenças na distribuição de profissionais entre a capital e os municípios do interior. Dados da Demografia Médica 2025 mostram que o estado possui 4.427 médicos registrados, o equivalente a 2,81 profissionais por mil habitantes. Embora o indicador apresente evolução, ainda existem desafios relacionados ao acesso à assistência em diversas regiões.
Nesse contexto, a qualidade da formação dos futuros profissionais torna-se um tema estratégico.
Para o médico Florentino Cardoso, cirurgião oncológico, presidente da Associação Médica Brasileira (2011-2017) e conselheiro titular do Conselho Federal de Medicina (2019-2024), a decisão sobre onde estudar deve considerar critérios técnicos e estruturais que terão impacto direto na formação profissional.
“Medicina não é um curso que possa ser tratado apenas como oferta educacional. A formação médica exige adequada estrutura, professores qualificados, projeto pedagógico consistente, campo de prática, preceptoria e supervisão permanente. Quando esses aspectos não são observados, o estudante fica exposto e, mais adiante, o paciente”, afirma.
Um dos primeiros passos é verificar se o curso possui autorização para funcionar. A consulta pode ser feita gratuitamente por meio do Cadastro e-MEC, sistema oficial do Ministério da Educação que reúne informações sobre instituições e cursos superiores em funcionamento no país.
Na plataforma, é possível confirmar a situação regulatória do curso, identificar a instituição responsável pela oferta e consultar os atos autorizativos emitidos pelo MEC. A recomendação é que essa verificação seja feita antes de qualquer compromisso financeiro.
Segundo Dr. Florentino, entender a situação do curso é uma medida de proteção para estudantes e famílias.
“O estudante deve saber exatamente onde está entrando. É preciso verificar se há autorização regular, se a instituição está submetida à supervisão do MEC e se existem condições reais para que a formação aconteça com qualidade. A escolha não pode ser movida apenas pelo sonho de cursar Medicina. É preciso escolher com segurança”, destaca.
Outro aspecto decisivo é a formação prática. Diferentemente de outros cursos, a graduação em Medicina depende de uma vivência contínua em ambientes de assistência à saúde. Laboratórios, centros de simulação, ambulatórios, unidades básicas de saúde, hospitais e programas de internato são componentes essenciais para o desenvolvimento das competências clínicas.
Por isso, antes da matrícula, é recomendável que o candidato procure entender onde ocorrerão as atividades práticas, quais são os convênios mantidos pela instituição, como funciona a supervisão dos estudantes e quem são os profissionais responsáveis pela preceptoria.
“Não basta abrir vagas. É preciso garantir que cada aluno tenha condições adequadas de aprender. A boa formação médica depende de acompanhamento, prática supervisionada e responsabilidade social. O país precisa de médicos bem formados, não apenas de mais diplomas”, reforça Dr. Florentino.
A transparência institucional também merece atenção. Informações sobre estrutura, corpo docente, campos de prática, internato, mensalidades e situação regulatória devem estar facilmente disponíveis para consulta. Em cursos com duração mínima de seis anos, qualquer incerteza relacionada à oferta pode gerar impactos acadêmicos, financeiros e pessoais relevantes.
A recomendação é que estudantes e responsáveis façam uma avaliação cuidadosa antes da decisão final. Entre os principais pontos a serem observados estão:
- Situação do curso no sistema e-MEC;
- Qualificação do corpo docente;
- Estrutura de laboratórios e centros de simulação;
- Existência de campos de prática e convênios com a rede de saúde;
- Organização do internato médico;
- Transparência das informações acadêmicas e regulatórias.
Para quem sonha com a carreira médica, a aprovação no vestibular representa apenas o primeiro passo. A qualidade da formação recebida ao longo dos anos será determinante para a construção da trajetória profissional e para a segurança dos pacientes que serão atendidos no futuro.
“Saúde é nosso bem maior. Quando falamos de curso de Medicina, estamos falando da vida das pessoas. A regulação existe para proteger o estudante, sociedade e paciente. Escolher bem a instituição é o primeiro passo para uma carreira construída com qualidade e segurança”, conclui Dr. Florentino.
ECONOMIA
O novo luxo imobiliário não é altura: é bem-estar
Excesso de luxo, disputa por metragem, verticalização acelerada e maximização de VGV: atributos antes considerados determinantes já não garantem mais diferenciação em um mercado imobiliário cada vez mais saturado. É preciso ir além e romper as lógicas tradicionais. Um movimento que ganha força em diferentes regiões do país, incluindo o disputado e aquecido polo de Santa Catarina, onde incorporadoras começam a migrar para uma arquitetura de menor densidade, maior qualidade ambiental e valorização do bem-estar como ativo de longo prazo.
Nesse contexto, grandes nomes nacionais da arquitetura e da arte nacional participam da concepção de um empreendimento no Litoral Norte catarinense que reposiciona a relação entre valor imobiliário, natureza e experiência de moradia. O projeto do Athene Garden, incorporado pela FHaus Empreendimentos em Camboriú, reduziu em oito unidades residenciais o plano original e abriu mão de cerca de R$ 50 milhões em potencial construtivo para ampliar áreas de convivência e contato com o ambiente natural.
“Existe uma mudança estrutural em curso, e isso exige escolhas que nem sempre são óbvias. Priorizamos a forma como os espaços se relacionam entre si e com a paisagem, o que levou naturalmente à redução de adensamento e à revisão do número de unidades”, explica o arquiteto Leonardo Zanatta, responsável pela assinatura do projeto. “Além disso, elementos como biofilia, conforto térmico e acústico, ventilação natural e qualidade do ar também foram elementos centrais nas decisões que nortearam o projeto.”
O empreendimento reúne ainda o paisagista Ricardo Cardim, referência nacional em biodiversidade urbana, e o artista visual Walmor Corrêa, cuja produção transita entre arte, ciência e imaginário popular. Para o projeto, Corrêa vem desenvolvendo a obra Refúgio, uma escultura em bronze que representa um casal de corujas-buraqueiras sobre base de pedra natural.
A peça nasce da observação direta do terreno, onde as aves foram identificadas durante as primeiras visitas ao local. A presença da espécie também influenciou o nome do empreendimento, inspirado em Atena, deusa grega associada à sabedoria e tradicionalmente representada pela coruja como símbolo de visão e proteção.
“Quando conheci a história das corujas e a forma como elas foram incorporadas à identidade do lugar, percebi que existia ali algo raro: um interesse genuíno em compreender e respeitar aquilo que já fazia parte da paisagem. A obra procura traduzir essa ideia de pertencimento, proteção e convivência entre natureza e presença humana”, afirma Corrêa.
Além dos profissionais envolvidos, o projeto busca certificações internacionais LEED e WELL em nível Platinum e será o primeiro da região a incorporar os selos Biodiversidade Nativa e Floresta de Bolso®. Tudo isso em um ecossistema de mais de 400 mil m² de Mata Atlântica preservada, dentro do bairro planejado Colinas de Camboriú, às margens da BR-101 e a 5 minutos do centro de Balneário.
A proposta sintetiza um movimento ainda incipiente no mercado imobiliário brasileiro, no qual decisões de concepção passam a considerar não apenas potencial construtivo, mas também desempenho ambiental, qualidade de vida e permanência do ativo ao longo do tempo. “O discurso sobre conceito é amplamente difundido. O diferencial real está quando ele se transforma em decisão concreta. No nosso caso, isso significou abrir mão de unidades e aceitar que qualidade precisa ser construída, não apenas declarada”, afirma a direção da FHaus.
Fotos do empreendimentos disponíveis no link.
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