ECONOMIA
Mercado imobiliário de 2026 revela cenário de contrastes
ECONOMIA
O cenário analisado aponta para direções opostas: uma aceleração no setor popular, devido aos incentivos habitacionais; e uma queda no segmento de alta renda diante dos juros, que impacta diretamente no valor dos aluguéis e na oferta de crédito.
Já nos setores de construção e incorporação, o país vive um momento de adaptação estratégica. De acordo com o Valor Econômico, os lançamentos na capital paulista registraram recuo de 5% no primeiro trimestre, puxados pela retração dos segmentos de médio e alto padrão. Esse dado contrasta bastante com o desempenho nacional medido pela Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), em que os lançamentos subiram 19,3% no acumulado de 12 meses. Esse crescimento nacional é impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que funciona como um amortecedor para as grandes construtoras manterem suas margens de lucro saudáveis.
Essa cautela na compra da casa própria por parte da classe média, assustada com as taxas de juros, pressionou o mercado de locação. Em abril, o Índice FipeZAP registrou um avanço de 1,04%, a maior alta mensal em um ano. Com a demanda aquecida e a oferta de imóveis prontos limitada, os preços dos aluguéis dispararam muito acima da inflação oficial.
Para Ana Carolina Gozzi, co-CEO do Compre & Alugue Agora, esse cenário redesenha o comportamento de consumo. “A classe média é empurrada para o aluguel devido às barreiras do financiamento tradicional. Para o investidor, essa escalada transforma a locação residencial em uma das ferramentas de maior proteção patrimonial e rentabilidade em 2026”, analisa a executiva.
Em contrapartida, o setor financeiro começou a se movimentar de forma agressiva. Mesmo com o Banco Central fixando a taxa Selic em 14,5% ao ano, instituições privadas liberaram crédito. O grande destaque do período é o Santander, que passou a permitir o financiamento de até 90% do valor do imóvel em operações selecionadas, reduzindo a barreira de entrada do comprador para apenas 10%. De forma paralela, o mercado de home equity (crédito com garantia de imóvel) bateu recorde histórico, movimentando R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
De acordo com Ana Carolina, a engenharia financeira se tornou o principal pilar de sustentação do mercado. “As instituições perceberam que precisavam flexibilizar as regras para capturar o comprador de média e alta renda. Movimentos como reduzir o valor de entrada e o teto recorde do home equity provam que o mercado imobiliário está criando mecanismos criativos para gerar liquidez e manter as engrenagens girando, transformando um cenário macroeconômico complexo em previsibilidade de negócios”.
O panorama analisado indica que o sucesso no setor imobiliário depende da capacidade de se adaptar às oscilações do mercado. O contraste entre a força do segmento popular e a cautela da alta renda, impulsionado pela flexibilidade do crédito bancário e forte demanda de locação, exige que construtores e investidores abandonem velhas práticas. Compreender essa situação e antecipar as flutuações trimestrais é garantia da resiliência patrimonial e lucratividade em futuras negociações.
ECONOMIA
Marcas chinesas avançam e já respondem por 44% das vendas de carros premium no Brasil
As montadoras chinesas conquistaram 44% dos emplacamentos de veículos premium no Brasil em junho, impulsionadas pelo desempenho da Denza, marca da BYD. Em apenas sete meses de atuação no país, o SUV híbrido B5 tornou-se o modelo mais vendido do segmento, com 566 unidades comercializadas, superando concorrentes tradicionais da BMW, Volvo, Mercedes-Benz e Audi.
Apesar de a BMW ainda liderar o acumulado do ano, o avanço da Denza evidencia a crescente competitividade das fabricantes chinesas, que têm atraído consumidores ao oferecer veículos eletrificados com mais tecnologia embarcada e preços mais competitivos.
O cenário acompanha a expansão do mercado de eletrificados no país. Nos primeiros 15 dias de julho, esses veículos representaram 23,6% dos automóveis emplacados no Brasil, com mais de 25 mil unidades vendidas. No acumulado de 2026, o segmento registra crescimento de 120%, consolidando a BYD como uma das protagonistas da transição para a mobilidade elétrica.
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