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Canetas para emagrecer entram no radar da oncologia

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As chamadas “canetas para emagrecer”, que revolucionaram o tratamento da obesidade e do diabetes nos últimos anos, começam agora a despertar interesse em uma área inesperada da medicina: a oncologia. Um estudo apresentado durante a Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026 sugere que pacientes com câncer que utilizam medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, grupo que inclui fármacos como semaglutida e liraglutida, podem apresentar maior sobrevida e menos efeitos colaterais durante o tratamento com imunoterapia.

A pesquisa analisou dados de mais de 177 mil pacientes com tumores sólidos e cânceres hematológicos tratados com imunoterapia. Entre eles, cerca de 3.800 utilizavam medicamentos da classe do GLP-1. Após ajustes estatísticos para equilibrar as características dos grupos, os pesquisadores acompanharam mais de 3.400 pacientes em cada grupo por até cinco anos.

Os resultados chamaram atenção da comunidade científica. Os pacientes que utilizavam agonistas de GLP-1 apresentaram risco de morte 31% menor ao longo de cinco anos em comparação com aqueles que receberam apenas imunoterapia. Em números absolutos, a mortalidade foi de 32% entre os usuários desses medicamentos, contra 45% no grupo que não fazia uso da medicação.

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Segundo o coordenador de Oncologia da Rede Total Care, Carlos Donnarumma, os achados reforçam uma linha de pesquisa que vem ganhando força nos últimos anos: a influência do metabolismo e da inflamação sobre a resposta ao câncer.

“Os agonistas de GLP-1 parecem atuar em diferentes mecanismos biológicos que favorecem a ação da imunoterapia. Eles reduzem processos inflamatórios crônicos, muito comuns em pacientes com obesidade e diabetes, modulam a resposta imunológica e podem criar um ambiente mais favorável para que o organismo reconheça e combata as células tumorais”, explica.

De acordo com o oncologista, estudos experimentais também sugerem que esses medicamentos podem alterar o microambiente tumoral e influenciar positivamente a microbiota intestinal, fator cada vez mais associado à resposta aos tratamentos oncológicos. Outro dado relevante foi a redução de eventos adversos como febre, fadiga, pneumonia, sepse e caquexia, síndrome caracterizada pela perda involuntária de peso e massa muscular.

“Quando conseguimos reduzir a toxicidade do tratamento, aumentamos as chances de o paciente completar a terapia planejada. Isso se traduz em mais qualidade de vida, menos internações e potencialmente melhores resultados clínicos”, afirma Donnarumma.

Os benefícios, porém, não apareceram imediatamente. O estudo mostrou que as diferenças entre os grupos se tornaram mais evidentes após três e cinco anos de acompanhamento, sugerindo um possível efeito acumulativo ao longo do tempo.

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Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que ainda não é possível afirmar que os medicamentos foram responsáveis pelos benefícios observados. Como se trata de uma análise observacional baseada em dados do mundo real, o estudo identifica associações, mas não comprova relação de causa e efeito.

Para a oncologista do Hospital Pasteur, Thaíssa Gonzalez, os resultados devem ser interpretados com cautela, embora reforcem uma mudança importante na forma de compreender o tratamento do câncer.

“Hoje sabemos que fatores metabólicos influenciam diretamente a evolução da doença e a resposta às terapias. Cada vez mais a oncologia olha para o paciente de forma integrada, considerando condições como obesidade, diabetes, alimentação, atividade física e composição corporal. Esse estudo reforça a importância dessa abordagem mais ampla.”

Segundo a especialista, embora ainda não possamos afirmar que os agonistas de GLP-1 sejam responsáveis pelos benefícios observados, os dados reforçam a importância de controlar fatores como obesidade e diabetes durante o tratamento oncológico. Isso inclui acompanhamento multidisciplinar, alimentação adequada, prática regular de atividade física e preservação da massa muscular, aspectos que também impactam os resultados clínicos.



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Economia da longevidade redefine estratégias empresariais

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O aumento da expectativa de vida e a queda das taxas de natalidade estão acelerando a transformação do perfil etário da população e reposicionando a longevidade como um fator econômico central. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a população com 60 anos ou mais deve dobrar no Brasil até 2050, enquanto a expectativa de vida já supera os 75 anos. Esse cenário altera a dinâmica dos mercados e desafia modelos tradicionais baseados em ciclos de vida lineares.

A chamada Economia da Longevidade passa a impactar simultaneamente consumo, trabalho, poupança e inovação. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030 haverá mais pessoas acima de 60 anos do que crianças com menos de 10 anos no mundo, o que reforça a necessidade de adaptação estrutural por parte das empresas. “A longevidade deixou de ser apenas uma questão demográfica e passou a ocupar um papel central nas decisões estratégicas das empresas, exigindo uma revisão profunda dos modelos de negócio”, afirma Marco Aurélio Ferrari, conselheiro, advisor, mentor em startups e diretor de Relações Institucionais da Conselheiros TrendsInnovation.

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Do ponto de vista técnico, o fenômeno se desdobra em três frentes principais. A primeira é demográfica, com impacto direto sobre a razão de dependência e pressão sobre sistemas previdenciários. A segunda é econômica, já que consumidores mais longevos tendem a apresentar comportamento mais seletivo, priorizando valor, experiência e bem-estar. A terceira é organizacional, exigindo mudanças na gestão de talentos diante da convivência entre múltiplas gerações no ambiente de trabalho, bem como a necessidade crescente de prolongar trajetórias profissionais em um contexto em que a geração de renda se estende por mais tempo.

Apesar do avanço desse cenário, ainda há um descompasso entre as transformações demográficas e a resposta corporativa. Estudo da McKinsey & Company aponta que empresas ainda direcionam a maior parte de seus investimentos para públicos mais jovens, ignorando o potencial de consumo da população mais velha, que concentra parcela crescente da renda em diversas economias. De acordo com o especialista, esse desalinhamento também se manifesta na subutilização de profissionais mais experientes, cujas competências e capacidade produtiva ainda encontram barreiras relevantes de inserção e permanência.

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“As empresas ainda operam, em grande parte, com modelos desenhados para uma sociedade mais jovem, o que cria lacunas relevantes em produtos, serviços e comunicação. Isso tende a se tornar um problema estratégico nos próximos anos”, diz Ferrari.

Estudo realizado pela Stato Intoo e Universidade Presbiteriana Mackenzie aponta que 70% dos trabalhadores percebem que profissionais mais velhos recebem menos oportunidades de promoção e frequentemente são pressionados a se aposentar, para abrirem espaço para pessoas mais jovens.

Isso inclui revisar portfólios, desenvolver soluções voltadas à autonomia e qualidade de vida e adaptar estratégias de relacionamento para ciclos mais longos com consumidores e colaboradores, além de repensar políticas de trabalho que valorizem a experiência e ampliem as possibilidades de atuação ao longo da vida.

A longevidade se consolida, assim, como uma das principais fronteiras de expansão econômica das próximas décadas. Empresas que anteciparem esse movimento tendem a capturar valor em um mercado mais longevo, sofisticado e economicamente ativo.



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