CURIOSIDADES
Estâncias hidrominerais paulistas reúnem fontes terapêuticas
CURIOSIDADES
O estado de São Paulo tem onze municípios reconhecidos oficialmente como estâncias hidrominerais, distribuídos pelo interior entre as regiões de Campinas e o noroeste paulista. Esses destinos se notabilizam pelas fontes de água mineral com propriedades terapêuticas documentadas, pelo clima serrano e pela imersão na natureza — fatores que contribuem para a saúde e bem-estar dos visitantes.
Cada estância possui composição hídrica específica e indicações distintas, que variam conforme a concentração de minerais, grau de radioatividade e pH da água. Além das fontes, o clima de altitude e o contato com a natureza integram a experiência terapêutica. A seguir, um panorama de cada destino, com as propriedades das águas verificadas em fontes primárias e o acesso a partir da capital.
Amparo: a 120 km de São Paulo pela Dom Pedro I e SP-360, é denominada Capital Histórica do Circuito das Águas Paulista. A Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP) mantém Unidade de Lazer na cidade, com serviços de fisioterapia e sauna que utilizam as águas locais, radioativas e indicadas para asmas, dermatoses alérgicas, bronquites e diabetes. O município preserva patrimônio arquitetônico do século XIX.
Atibaia: a 70 km pela Fernão Dias, é estância turística e Capital Nacional do Morango. O principal atrativo natural é a Pedra Grande, no Parque Natural Municipal, com trilhas e mirante a 1.400 m de altitude. A produção de morango estrutura o calendário turístico local, com feiras e visitas a propriedades. Hotéis com spa atendem à demanda por bem-estar.
Águas da Prata: a 220 km pela Anhanguera e SP-344, possui fontes ferruginosas e carbogasosas, ricas em ferro, cálcio e magnésio, classificadas em um estudo da Universidade de São Paulo de 1981. O Balneário Municipal reúne mais de dez nascentes, entre elas as fontes Villela, Prata-Antiga, Prata-Nova, Prata-Radioativa, Vitória e do Boi.
Águas de Lindoia: a 190 km pela Anhanguera até Mogi Mirim e SP-147, conta com Balneário Municipal com águas oligometálicas, hipotermais, oxigenogasosas e radioativas, indicadas para cálculos renais, eczemas, artrite, fibromialgia, alergias e diabetes. Desde 2006, o tratamento integra o SUS como Prática Integrativa e Complementar.
Águas de Santa Bárbara: a 280 km pela Castelo Branco, tem águas classificadas pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas como “oligomineral, hipotermal, alcalina, fortemente bicarbonatada, cálcica, magnesiana e sulfatada, com sais ativados pelo radônio 222”. No II Congresso Internacional de Hidroclimatismo (1940), foram reconhecidas entre as de referência mundial. Acesso pelo Balneário Municipal Mizael Marques Sobrinho.
Águas de São Pedro: a 180 km pela Anhanguera até Piracicaba e SP-304, possui três fontes públicas: Fonte da Juventude (sulfurosa, para reumatismo, alergia, diabetes e pele), Fonte Gioconda (sulfatada sódica radioativa, para fígado e intestino) e Fonte Almeida Salles (bicarbonatada sódica, para gastrite e cálculos renais). O Grande Hotel São Pedro, tombado e em operação desde 1940, oferece banhos supervisionados.
Ibirá: a 425 km pela Anhanguera até São José do Rio Preto e BR-153, possui águas vanádicas, alcalinas e bicarbonatadas, pH próximo a 10, sem composição equivalente registrada no Brasil. Cinco fontes compõem o conjunto: Ademar de Barros, Carlos Gomes, Jorrante, Saracura e Seixas. Os banhos no Balneário Evaristo Mendes Seixas são indicados para cicatrização, com ação antioxidante e antialérgica.
Lindóia: a 195 km pela Anhanguera até Mogi Mirim e SP-147, é designada “Capital Nacional da Água Mineral” pela Setur-SP e responde por cerca de 40% do volume de água mineral consumido no Brasil. A água Lindoya, nome usado pelas mineradoras que exploram o solo do município, pode ser apreciada pelos turistas em fontes espalhadas em praças em vários bairros.
Monte Alegre do Sul: a 135 km pela Dom Pedro I e SP-360, teve as primeiras fontes descobertas em 1920. Conta com cerca de dez fontes no centro, entre elas a Fonte Luiza (indicada para problemas digestivos, reumatismo e pele) e a Fonte Senhor Bom Jesus. O Balneário Municipal oferece banhos de imersão, sauna e massoterapia, combinados com agroturismo em vinícolas e alambiques.
Serra Negra: a 155 km pelas rodovias Dom Pedro I e SP-095, recebeu o título de Estância Hidromineral e Climática em 1938, após identificação das propriedades radioativas das águas em 1928. Mantém fontes públicas como Fonte São Carlos, Fonte dos Italianos, Brunhara, Sant’Anna, Santo Agostinho e Santa Luzia. O Parque Fonte Santo Agostinho oferece acesso às nascentes. O município conta com mais de dez mineradoras de água envasada.
Socorro: a 165 km pela Dom Pedro I, é classificada como estância turística e integra o Circuito das Águas Paulista. Oferece atividades de turismo de aventura (rafting, rapel, tirolesa, arvorismo e trekking), ecoturismo em áreas de Mata Atlântica e turismo rural em hotéis-fazenda. A cidade conta com infraestrutura de acessibilidade para pessoas com deficiência em diversos atrativos.
As onze estâncias integram a Associação das Prefeituras Estância do Estado de São Paulo (APRECESP), entidade que reúne 78 estâncias, incluindo os principais destinos do interior e do litoral paulista. Com 45 anos de atuação, a APRECESP promove a representatividade institucional, a integração entre municípios e a qualificação de gestores do turismo paulista.
Mais informações: www.turismopaulista.tur.br
CURIOSIDADES
Acessibilidade na CASACOR SP garante experiência para PCDs
A CASACOR São Paulo 2026, a maior mostra de arquitetura, design, arte e paisagismo das Américas, realizará nesta edição um conjunto de ações voltadas à acessibilidade, atendendo visitantes com deficiência motora, visual e auditiva. O evento, realizado de 10 a 20 de outubro de 2026 no Centro de Exposições da cidade, contará com percursos adaptados, rampas, elevadores, banheiros acessíveis e recursos de comunicação na Língua Brasileira de Sinais (Libras), seguindo as diretrizes do Desenho Universal e mantendo a certificação da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) obtida nos três últimos anos.
O percurso acessível inclui rampas de inclinação adequada, circulação livre para cadeiras de rodas e elevadores que dão acesso a sete ambientes diferentes. Cada um desses espaços recebeu equipamentos de acessibilidade que permitem a visita a mezaninos e aos níveis superiores sem comprometer o conceito arquitetônico dos projetos. Nove banheiros foram adaptados, oferecendo cabines exclusivas, áreas familiares e, em alguns casos, instalações para crianças e pessoas de baixa estatura.
Diversos projetos da mostra incorporam recursos de acessibilidade como parte da linguagem dos ambientes. Entre eles, destaca‑se o “Nota em Linhas”, de Rafaella Manso, que dispõe de elevador para o pavimento superior; o Restaurante Raiz, de Marta Martins, que integra soluções de acessibilidade ao seu layout; “A Poética do Ritmo”, de Isabella Nalon, concebido para receber visitantes por meio de elevador; e a Casa da Marcenaria Brasileira, de João Panaggio, equipada com plataforma elevatória para percursos completos. Outros ambientes, como o banheiro Galeria (Carlos Navarro) e o Spa Raízes (Marcos Serrano Miralles), também contam com adaptações específicas.
Além das adaptações físicas, a edição 2026 oferece recursos para pessoas com deficiência visual e auditiva. Mapas táteis, audiodescrição e carrinhos motorizados estão disponíveis ao longo do circuito. O atendimento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para visitantes surdos é realizado em parceria com a ICOM, empresa especializada em comunicação acessível.
A CASACOR recebeu, pelo terceiro ano consecutivo (2024‑2026), o Selo de Acessibilidade da CPA, em razão de recursos como rampas, elevadores, mapas táteis e audiodescrição. Darlan Firmato, Diretor de Operações da CASACOR São Paulo, afirmou que a preocupação com a inclusão tem mais de duas décadas: “A CASACOR busca ser acessível há 21 anos, carregando, nessa missão, pioneirismo e a obrigação universal de fazer da maior plataforma de arquitetura, design, arte e paisagismo das Américas um exemplo ao receber bem pessoas com deficiência motora, visual e auditiva”.
Silvana Cambiaghi, arquiteta e consultora de acessibilidade da mostra desde 2005, destacou que a acessibilidade não é tratada como adaptação pontual, mas como conceito integrado ao planejamento e à montagem dos ambientes: “Transformar a CASACOR em uma mostra acessível é um processo que começa muito antes da abertura ao público. A acessibilidade deve estar presente em todas as fases, do projeto à execução, com base nos princípios do Desenho Universal”, ressaltou, citando a participação do engenheiro Oswaldo Rafael Fantini e dos arquitetos Luis Fernando Estuqui e Marina Rangel.
A iniciativa reforça a trajetória iniciada em 2006, quando foram implementadas as primeiras adaptações – rampas, nivelamento de pisos, banheiros acessíveis e calçada tátil – e consolida a CASACOR como referência nacional em arquitetura universal.
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