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Setor sucroalcooleiro já moeu quase 620 milhões de toneladas nesta safra

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A moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul alcançou 619,26 milhões de toneladas no acumulado da safra 2023/24 até o dia 1º de dezembro, segundo informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O volume representa um avanço de 15,9% em relação ao ano anterior, impulsionado por um incremento de 23,9 milhões de toneladas processadas somente na segunda quinzena de novembro.

De acordo com a Unica, o período recente observou um salto de 46% na moagem da matéria-prima, com 218 unidades produtoras em operação, incluindo usinas de cana, empresas produtoras de etanol a partir do milho e usinas flex. A cifra é substancialmente maior do que os 141 estabelecimentos ativos no mesmo período da safra anterior.

Etanol – Em paralelo ao crescimento da moagem, a produção total de etanol das usinas do Centro-Sul teve um incremento de 39,9% na segunda quinzena de novembro, atingindo 1,25 bilhão de litros. A Unica atribui esse aumento à priorização da produção do biocombustível em detrimento do açúcar, uma tendência comum no final da safra devido à deterioração da qualidade da cana.

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O etanol hidratado, usado diretamente nos veículos flex, representou 778,19 milhões de litros do total produzido, com um aumento de 98,5%. Enquanto isso, a produção de etanol anidro, misturado à gasolina, diminuiu 6,07%, totalizando 469,52 milhões de litros.

Desde o início da safra 2023/24 até dezembro, a fabricação de etanol alcançou 29,85 bilhões de litros, um crescimento de 11,87%, divididos entre 17,71 bilhões de litros de etanol hidratado e 12,14 bilhões de anidro.

Destaca-se também o etanol de milho, cuja produção cresceu 30,97% somente na segunda quinzena de novembro, representando 21% do total do biocombustível produzido no período. No acumulado da temporada, a produção deste tipo de etanol totalizou um aumento de 41,98%, chegando a 4,05 bilhões de litros.

Açúcar e CBios – A produção de açúcar também teve uma alta expressiva de 35% na segunda quinzena de novembro, chegando a 1,40 milhão de toneladas. Desde o início da safra em 1º de abril, as usinas do Centro-Sul acumularam uma produção de 40,82 milhões de toneladas de açúcar, um aumento de 23,5% em relação à safra anterior.

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Até o dia 8 de dezembro houve a emissão de 32,43 milhões de créditos de descarbonização (CBios) em 2023, com cerca de 26,75 milhões de CBios em posse da parte obrigada do programa RenovaBio, após ajustes de estoque e metas anuais.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

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A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

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Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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