ECONOMIA
Fundos de pensão fazem ofensiva contra endividamento
ECONOMIA
O número de brasileiros endividados cresce sem parar. Já são 81,7 milhões de pessoas nessa situação, o que significa um crescimento de 28,1% em 10 anos, de acordo com levantamento da Serasa. Além disso, o valor total das dívidas disparou 176% no período, e a reincidência também assusta: 42% dos endividados este ano já estavam nessa condição em 2016. O estudo também mostra que 60% da população economicamente ativa (ou 87 milhões de pessoas) pretende depender da previdência pública no futuro.
Diante desses dados, os fundos de pensão decidiram ampliar suas ações para aumentar a conscientização da importância da administração do dinheiro e da necessidade de se preparar para a aposentadoria.
Nesse sentido, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) e a Universidade Corporativa da Previdência Complementar (UniAbrapp) tomaram duas iniciativas: lançaram o Prêmio Marisele, que vai reconhecer ações criativas de toda a sociedade que visem ampliar a conscientização para a importância da previdência; e aumentaram a atuação das entidades nas escolas dentro do programa “Poupadores do Futuro”, em colaboração com o Ministério da Previdência Social, que transmite informações sobre administração de recursos a alunos de escolas públicas, particulares e universidades.
Segundo Jarbas de Biagi, diretor-presidente da UniAbrapp, o Prêmio Marisele busca reconhecer ações de toda a sociedade que incentivem a cultura previdenciária. “Serão premiadas iniciativas nesse sentido, incluindo vários segmentos da população. Vamos fortalecer muito o debate sobre previdência entre os jovens, por exemplo, e para pessoas que ainda não são tão próximas do nosso segmento”.
Além de destacar ações de educação financeira e previdenciária, a premiação tem o objetivo de mobilizar pessoas comprometidas com a construção de um futuro mais previdente. Também busca reunir um banco de casos para consulta das Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC (como também são conhecidos os fundos de pensão) e, dessa forma, democratizar o conhecimento.
“A UniAbrapp está buscando romper limites e chegar de forma mais ampla à sociedade. Vamos divulgar o assunto nas escolas e na mídia, de forma que possamos alcançar o maior número possível de pessoas”.
As inscrições estão divididas em três categorias: institucional, pessoas físicas e jovens. Podem participar projetos realizados entre 2025 e 2026, sendo permitido o envio de um caso por participante. Também são elegíveis iniciativas desenvolvidas no programa Poupadores do Futuro.
Em relação ao programa “Poupadores do Futuro”, foram mobilizados mais de 60 fundos de pensão, que realizaram em maio atividades educativas em escolas públicas e privadas de diferentes regiões do país.
A proposta foi aproximar crianças, adolescentes e jovens de temas ligados ao consumo consciente, organização financeira, planejamento de longo prazo e cultura previdenciária. Este ano, o programa alcançou 30 mil estudantes, ou seja, seis vezes mais do que em 2025.
ECONOMIA
retatrutida tem resultado similar à bariátrica
Os resultados divulgados recentemente pela farmacêutica Eli Lilly sobre a retatrutida, medicamento experimental para tratamento da obesidade, vêm chamando a atenção da comunidade médica internacional. Os dados do estudo de fase 3 TRIUMPH-1 indicam uma perda média de peso de até 28,3% após 80 semanas de tratamento, desempenho que se aproxima dos resultados tradicionalmente observados em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.
A pesquisa avaliou 2.339 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sem diabetes. Os participantes que receberam a dose mais alta da medicação perderam, em média, 31,9 quilos, o equivalente a 28,3% do peso corporal. Além disso, 45,3% dos pacientes alcançaram redução superior a 30% do peso, patamar historicamente associado aos resultados da cirurgia bariátrica.
A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos para obesidade e atua simultaneamente sobre três receptores hormonais — GLP-1, GIP e glucagon —, mecanismo que busca potencializar o controle do apetite, o gasto energético e o metabolismo.
Para o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em emagrecimento definitivo e longevidade e fundador do Instituto Evollution, os resultados reforçam uma transformação significativa na forma como a obesidade vem sendo tratada.
“Estamos observando uma evolução muito rápida das terapias para obesidade. Durante décadas, a cirurgia bariátrica foi considerada a principal alternativa para pacientes com excesso de peso importante. Agora começamos a ver medicamentos capazes de entregar resultados próximos aos da cirurgia, porém sem os riscos inerentes a um procedimento invasivo de grande porte”, afirma.
Segundo o especialista, que já acompanhou mais de 2 mil pacientes em protocolos clínicos utilizando análogos de GLP-1, a chegada de terapias cada vez mais eficazes amplia as possibilidades terapêuticas para diferentes perfis de pacientes.
“A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Quanto mais ferramentas seguras e eficazes tivermos à disposição, maiores serão as chances de individualizar o tratamento e alcançar resultados sustentáveis a longo prazo”, explica Dr. Joaquim Menezes.
Além da perda de peso, os participantes do estudo também apresentaram melhora em diversos indicadores cardiometabólicos, incluindo redução da circunferência abdominal, dos triglicerídeos, da pressão arterial sistólica e de marcadores inflamatórios relacionados ao risco cardiovascular.
Os efeitos adversos observados foram predominantemente gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação, perfil semelhante ao já conhecido em medicamentos da mesma classe. Cerca de 11% dos participantes interromperam o tratamento devido a eventos adversos.
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, Dr. Joaquim destaca que a retatrutida ainda está em fase de desenvolvimento e depende da conclusão dos processos regulatórios para chegar ao mercado.
“Os dados são extremamente promissores e mostram para onde a medicina da obesidade está caminhando. Mas é importante lembrar que estamos falando de uma terapia ainda em avaliação regulatória. O mais relevante neste momento é compreender que o tratamento da obesidade evolui rapidamente e que o futuro tende a oferecer opções cada vez mais eficazes e menos invasivas para os pacientes”, conclui.
Especialistas avaliam que, caso os resultados sejam confirmados nas próximas etapas regulatórias, a retatrutida poderá representar um novo marco no tratamento da obesidade, aproximando pela primeira vez os resultados farmacológicos daqueles tradicionalmente obtidos por procedimentos cirúrgicos.
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