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Brasil debate custos da cannabis medicinal

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O Brasil acaba de dar um dos passos mais importantes para a consolidação de sua indústria de cannabis medicinal. Com o avanço das discussões regulatórias sobre o cultivo nacional, abre-se uma oportunidade histórica para atrair investimentos, gerar empregos qualificados, estimular inovação e ampliar o acesso da população a tratamentos à base de cannabis.

Mas, enquanto grande parte do debate público permanece concentrada no limite de THC permitido para cultivo, uma questão econômica fundamental ainda permanece sem resposta: quanto custa produzir cannabis medicinal dentro das regras brasileiras?

Para a especialista Beatriz Emygdio, pesquisadora e consultora da cadeia produtiva da cannabis medicinal, a discussão precisa evoluir.

“O debate não é mais se o Brasil consegue produzir cannabis abaixo de 0,3% de THC. As evidências científicas indicam que consegue. A questão agora é entender qual será o custo produtivo, regulatório e econômico necessário para manter essa conformidade em escala comercial”, afirma.

Evidências científicas mostram viabilidade, mas também complexidade.

Resultados apresentados pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em parceria com a associação ABRACE, demonstram que é possível produzir cannabis dentro dos parâmetros regulatórios brasileiros mesmo em condições tropicais e semiáridas.

Os dados revelam, entretanto, que o teor de THC não depende apenas da genética da planta.

Fatores como clima, manejo agronômico, estágio de maturação, sistema de cultivo, metodologia de amostragem e análises laboratoriais influenciam diretamente os resultados obtidos.

Na prática, isso significa que a conformidade regulatória exige monitoramento constante e aumenta significativamente a complexidade operacional da produção.

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O custo oculto da conformidade.

Estudos internacionais apresentados durante o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal indicam que produtores de cultivares ricas em CBD frequentemente precisam antecipar a colheita para evitar que o teor de THC ultrapasse os limites regulatórios estabelecidos.

Essa estratégia, embora eficaz para garantir conformidade, pode reduzir significativamente o rendimento final.

Em alguns casos, flores que poderiam atingir entre 14% e 17% de CBD em maturação plena foram colhidas com apenas 8% a 10%, resultando em redução aproximada de 44% do conteúdo disponível para extração.

Segundo os dados apresentados, isso pode significar a necessidade de utilizar até 1,9 vez mais área cultivada, água, fertilizantes, energia e mão de obra para produzir a mesma quantidade de ingrediente ativo.

“Quando falamos em acesso do paciente, não podemos ignorar o impacto econômico dessas perdas produtivas. Em qualquer cadeia agroindustrial, produtividade e competitividade são fatores decisivos para a formação de preços”, explica Beatriz.

Quem vai absorver essa conta?

A discussão ganha relevância justamente porque a produção nacional foi defendida como instrumento para reduzir a dependência de importações e tornar os medicamentos mais acessíveis.

Contudo, especialistas alertam que custos adicionais relacionados a monitoramento, análises laboratoriais, gestão de risco e perdas produtivas inevitavelmente precisarão ser absorvidos ao longo da cadeia.

A principal dúvida é: qual parcela desses custos chegará ao consumidor final?

Ainda não existem dados consolidados capazes de responder a essa pergunta, mas o tema já mobiliza pesquisadores, produtores e investidores que acompanham a construção do mercado brasileiro.

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O que o mundo está fazendo.

Diversos países têm revisado seus marcos regulatórios à medida que acumulam experiência produtiva e evidências econômicas.

A República Tcheca elevou o limite de THC permitido para 1%. A Nova Zelândia também adotou o mesmo patamar. Em países africanos que disputam investimentos internacionais para suas cadeias produtivas, a discussão passou a incorporar não apenas critérios regulatórios, mas também produtividade, competitividade e sustentabilidade econômica.

Segundo Beatriz Emygdio, o ponto comum entre essas experiências não foi uma mudança na biologia da planta, mas sim a incorporação de dados econômicos ao processo regulatório: “O sucesso da cannabis medicinal brasileira não será determinado apenas pela capacidade de produzir plantas dentro de um limite regulatório. Será determinado pela capacidade de construir uma indústria economicamente sustentável, capaz de gerar inovação, competir internacionalmente e produzir medicamentos acessíveis para a população.”

As perguntas que definirão o futuro do setor.

Para a especialista, os próximos anos deverão ser marcados por um novo conjunto de debates:

Qual o impacto do limite de THC sobre a produtividade agrícola brasileira?

Qual o custo real da conformidade regulatória?

Qual a taxa de não conformidade esperada em ambientes tropicais e subtropicais?

Como essas exigências afetam a competitividade da indústria nacional?

E, principalmente, quanto dessa conta será repassada aos pacientes?

Responder a essas perguntas será fundamental para avaliar se a regulamentação brasileira conseguirá cumprir a promessa que motivou sua criação: fortalecer a produção nacional, ampliar o acesso aos tratamentos e consolidar uma nova indústria estratégica para o país.



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Pequenas lojas sustentam setor de material de construção

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O varejo de material de construção brasileiro fechou 2025 com 160.627 lojas em operação e faturamento estimado em R$ 238,9 bilhões, segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas da Associação Nacional de Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). O dado revela um setor de grande capilaridade nacional, mas marcado principalmente pela presença de negócios de pequeno porte.

De acordo com o estudo, 69,5% das lojas têm até quatro funcionários, o equivalente a cerca de 111,5 mil estabelecimentos. Ao todo, o segmento emprega 808.631 trabalhadores formais, com média de 5,03 funcionários por loja.

Para o presidente do Sistema Anamaco, Cassio Tucunduva, os números mostram que o varejo de material de construção tem uma relevância que vai além do faturamento. “O setor de material de construção é uma força econômica sustentada, em grande parte, por pequenos empresários. São lojas presentes no dia a dia das cidades, que abastecem obras, reformas e famílias, geram empregos locais e movimentam a economia em todas as regiões do país”, afirma.

Sudeste perde participação, e setor avança fora dos grandes centros

Embora ainda concentre a maior fatia do varejo de material de construção, o Sudeste vem perdendo participação no total de lojas do país. Em 2006, a região representava 50,3% dos estabelecimentos. Em 2025, passou para 45,7%.

No mesmo período, Nordeste, Norte e Centro-Oeste ampliaram participação, em um movimento que aponta para a descentralização gradual do setor e para o crescimento do varejo de material de construção fora dos mercados historicamente mais concentrados.

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“A pesquisa mostra um setor cada vez mais distribuído pelo território nacional. Isso acompanha transformações econômicas, urbanas e regionais do Brasil, com expansão do varejo em diferentes praças e maior protagonismo de mercados fora do eixo tradicional”, analisa o presidente da Anamaco, entidade que reúne Fecomacs e Acomacs de todo país.

Presencial ainda domina, mas WhatsApp já é quase universal

Apesar do avanço da digitalização no varejo, o atendimento presencial segue como base do setor: 100% das lojas pesquisadas realizam atendimento físico. Entre os canais de contato com clientes, o WhatsApp já é utilizado por 97% dos estabelecimentos, enquanto o telefone aparece em 91%.

O e-commerce também avança, mas com diferenças relevantes conforme o porte da empresa. Entre pequenas e médias lojas, 20% já realizam vendas online. Entre grandes empresas, o índice chega a 56%.

O levantamento mostra ainda que cerca de um terço das lojas que ainda não vendem pela internet pretende iniciar operações digitais nos próximos 12 meses.

Para a consultora do Instituto de Pesquisas da Anamaco, Katia Ratnieks, os dados indicam que a digitalização no setor avança de forma complementar, e não como substituição imediata do atendimento presencial.

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“O atendimento presencial continua sendo central no varejo de material de construção, especialmente porque muitas compras envolvem orientação técnica, confiança e relacionamento. Mas os canais digitais já fazem parte da rotina das lojas, principalmente o WhatsApp, que se consolidou como uma ponte direta entre lojista e consumidor”, avalia.

Segundo ela, o desafio dos próximos anos será transformar a presença digital em ganho real de produtividade, vendas e gestão. “Há uma diferença importante entre usar canais digitais para atendimento e estruturar uma operação digital mais completa. O estudo mostra que muitas empresas já deram o primeiro passo, mas ainda existe espaço para evoluir em e-commerce, marketplace, gestão de dados e integração entre o físico e o digital”, completa.

A Pesquisa Anamaco é realizada desde 1991 pelo Instituto de Pesquisas da Anamaco e embasa a definição dos vencedores do Prêmio Anamaco, uma das principais premiações do setor da construção civil.

O levantamento reúne dados sobre número de lojas, faturamento, emprego, perfil regional, canais de venda, digitalização, formas de compra, uso de e-commerce e marketplace, adoção de tecnologias digitais, fontes de informação e práticas de gestão adotadas pelos lojistas. A pesquisa foi elaborada com base na análise de duas mil lojas em todo o país.



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