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Turnover elevado é motivo para rever critério de contratação

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O recrutamento e seleção deixou de ser apenas uma atividade operacional para se tornar parte estratégica da gestão de riscos nas organizações. A alta rotatividade de funcionários, que gera custos diretos e indiretos, tem levado empresas a revisar seus critérios de contratação e a buscar maior previsibilidade nas escolhas.

Um levantamento realizado a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo portal Panrotas, revela que o Brasil lidera o índice de rotatividade de funcionários no mundo, com 56% de turnover, superando países como França (51%), Bélgica (45%) e Reino Unido (43%).

Esse cenário é agravado pelo desafio em encontrar mão de obra: pesquisa da Manpower Group, publicada pela Exame, aponta que o Brasil registrou 80% de dificuldade na contratação de talentos.

Quando o processo falha, o impacto atinge diretamente a saúde financeira e a sustentabilidade do negócio. Um estudo da Sólides, divulgado pela CartaCapital, aponta que 53% dos líderes empresariais admitiram ter contratado profissionais inadequados em 2025, sendo que 61% destas contratações equivocadas estavam relacionadas a comportamentos incompatíveis com as funções.

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De acordo com João Almada, sócio da Dartz Ideal Recruitment, o mercado começou a entender que um erro na seleção gera um impacto severo na lucratividade. “Além das despesas diretas com rescisões, a empresa precisa investir em novas frentes de recrutamento. Com o turnover alto, esses gastos com constantes interrupções e novos treinamentos podem dobrar ou triplicar, desequilibrando o fluxo de caixa”, afirma.

Gabriela Biojone, também sócia da empresa, complementa que os danos vão além do bolso, prejudicando a consolidação da cultura organizacional. “Quando o time está em eterna mudança, torna-se difícil criar raízes e alinhar processos a longo prazo”, reforça.

Para a executiva, contratações desalinhadas geram baixa performance, ruptura de equipes e até exposição em temas sensíveis como compliance. Por isso, o recrutamento passou a incorporar uma visão mais analítica e preventiva, atuando como um mecanismo de mitigação de riscos.

A persistência desse cenário acende um alerta sobre a necessidade de maior integração interna. Biojone pontua que, mais do que um gargalo isolado do RH, a rotatividade elevada e o baixo engajamento de novos contratados costumam refletir uma falha sistêmica entre a liderança e a estratégia do negócio, resultando em análises técnicas ou comportamentais superficiais.

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Para tornar o processo mais assertivo, João Almada aponta que o uso de ferramentas orientadas a dados é fundamental. “A inteligência artificial (IA) tem contribuído para processar grandes volumes de informações e identificar padrões, mas deve atuar como suporte, e não substituta”, explica.

O empresário acrescenta que outras metodologias incluem assessments para avaliar o perfil psicológico; entrevistas por competências, focadas em evidências reais de desempenho; e business cases, que testam a resolução de problemas em tempo real. “Essas ferramentas reduzem a subjetividade”, destaca.

Para o futuro, a expectativa é que a tecnologia permita que as seleções ganhem escala, refinando o cruzamento de dados comportamentais e técnicos. No entanto, o fator humano continua soberano.

“A grande inovação não é a tecnologia por si só, mas a capacidade de compreender o momento organizacional e traduzir a cultura da empresa em decisões de contratação mais sustentáveis”, conclui Gabriela Biojone.

Para saber mais, basta acessar: https://www.dartzir.com/



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ABB moderniza sistema de água de aldeia guarani

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A suíço-sueca ABB, a integradora de tecnologias APS Soluções e a ONG Biosaneamento concluíram um projeto de automação na aldeia guarani Krukutu, que vai garantir à comunidade do extremo sul da cidade de São Paulo acesso à água potável, até quando faltar eletricidade.

O projeto consistiu na modernização do sistema de bombeamento do poço artesiano que abastece a caixa d’água da comunidade — localizada às margens da Represa Billings, em área de densa Mata Atlântica —, com tecnologias capazes de fazê-lo funcionar mesmo quando a rede elétrica da região sofrer interrupções ou instabilidades.

“A aldeia Krukutu está localizada em uma região remota de São Paulo, situada no final de uma linha de transmissão da rede elétrica”, afirma Bruno Alba, gerente de operações da Área de Motion da ABB no Brasil. “Essa condição resulta em baixa qualidade de fornecimento de energia, inclusive com interrupções frequentes”, completa.

No projeto concebido e implementado pela APS Soluções, o sistema de bombeamento foi atualizado com painéis solares e o inversor de frequência ACQ80, da ABB, para ganhar confiabilidade elétrica e atributos de automação. Os painéis têm a função de gerar energia. O inversor contribui para reduzir o consumo de energia elétrica e garante que a bomba funcione em qualquer condição, até quando faltar eletricidade na rede convencional.

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De acordo com a ABB, o inversor de frequência híbrido-solar para bombas ACQ80 foi projetado para operar conjugado à rede de eletricidade e aos painéis solares. Sua lógica integrada de rastreamento otimiza o uso da energia, inclusive nos dias com menor incidência de luz, quando recorre à rede para obter o complemento de eletricidade necessário para fazer as bombas funcionarem e manter a caixa d’água abastecida.

“Quando dá vento aqui, cai a energia, e a bomba para de funcionar. Às vezes caía a árvore em cima dos fios e, até a concessionária vir solucionar, demorava dois ou três dias. Esse trabalho [de modernização] facilitou bastante. Não precisa nem ligar manualmente”, conta Tranquilino, o karaí mirim da Krukutu, responsável pelas ações de saneamento.

A população da comunidade Krukutu oscila entre 320 e 500 indígenas ao longo do ano, dependendo da circulação das famílias entre as aldeias existentes na Terra Indígena Tenondé Porã e em outras partes da Serra do Mar.

A comunidade é apoiada já há alguns anos pela ONG Biosaneamento, que realiza ações de saneamento em comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas de todo o país, e agora quer replicar a solução em outras localidades.

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“Esse território serve [também] para produzir água […] usada no abastecimento da cidade de São Paulo. Então, dar condições para essa comunidade [indígena] viver aqui é fundamental [para preservar a região]”, ressalta Luiz Fazio, presidente da Biosaneamento.



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