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Vacinação: um cuidado para todas as fases da vida

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Manter o cartão de vacinação atualizado é um dos gestos mais simples e, ao mesmo tempo, mais eficazes de cuidado com a saúde. Ainda assim, muitas pessoas associam a vacinação apenas à infância e acabam negligenciando a importância das vacinas ao longo da vida adulta e na terceira idade. Esse equívoco pode trazer riscos desnecessários, tanto individuais quanto coletivos.

Como médico, reforço que a vacinação é uma estratégia essencial de proteção individual e coletiva. Ela previne doenças graves, reduz hospitalizações, evita complicações e contribui diretamente para a chamada imunidade de grupo, que protege, inclusive, aqueles que, por alguma condição clínica, não podem ser vacinados. Ao longo das décadas, as vacinas se consolidaram como uma das maiores conquistas da medicina moderna.

O Brasil conta com um dos calendários de imunização mais completos do mundo, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Esse calendário contempla vacinas desde o nascimento até a terceira idade, com esquemas específicos para cada faixa etária, levando em consideração fatores como idade, condições de saúde e riscos epidemiológicos.

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É importante destacar que cada fase da vida possui um cartão de vacinação diferente, justamente porque as necessidades de proteção mudam ao longo do tempo. Crianças, adolescentes, adultos e idosos demandam imunizações e reforços distintos, que acompanham o processo natural de desenvolvimento, envelhecimento e exposição a determinadas doenças.

Na prática clínica, observamos que muitos adultos não sabem quais vacinas precisam reforçar ou sequer possuem seu cartão atualizado. Doenças como hepatites, influenza, tétano, coqueluche e até algumas pneumonias podem ser prevenidas com vacinas disponíveis, seguras e amplamente testadas, reduzindo significativamente o risco de complicações e internações.

Na Unimed Cuiabá, contamos com uma equipe especializada, preparada para orientar, avaliar e regularizar o cartão de vacinação de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Oferecemos por meio do nosso Núcleo de Vacinação, vacinas de maior abrangência, ou seja, todas as vacinas do calendário, com acompanhamento profissional, garantindo segurança, informação e acolhimento em cada etapa do cuidado.

Vacinar-se é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com a coletividade. Em um cenário em que doenças já controladas podem voltar a circular, manter o cartão de vacinação em dia é mais do que uma escolha individual: é um compromisso com a saúde pública, com o bem-estar da sociedade e, acima de tudo, com a vida.

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No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado

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No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.

Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.

O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.

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De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.

É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.

Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.

O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.

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O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.

Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.

Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.

O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.

O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.

Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.

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