MATO GROSSO
MPMT debate com municípios gestão consorciada dos resíduos sólidos
MATO GROSSO
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu reunião para debater a implantação de um consórcio para destinação adequada dos resíduos sólidos na Baixada Cuiabana, na manhã desta terça-feira (29), com o objetivo de erradicar os lixões atualmente existentes na região. Conforme levantamento da 29ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística de Cuiabá, Mato Grosso possui 143 “lixões”, o equivalente a uma área de 2 mil hectares produzindo metano (um dos gases do efeito estufa). Apenas 35 municípios do estado fazem a destinação correta desses resíduos.
“Nós reconhecemos o grande desafio que é a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos e resíduos sólidos, e que isso implica diretamente em uma mudança de cultura da população e do poder público. Atento a isso, e em conformidade com o Planejamento Estratégico Institucional (PEI), o MPMT se comporta como um indutor de políticas públicas e ações que contribuam para esse trabalho”, destacou o procurador-geral de Justiça do MPMT, José Antônio Borges Pereira, na abertura da reunião de trabalho.
O titular da 29ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística de Cuiabá, Carlos Eduardo Silva, reforçou que o desafio é grande, mas que a região metropolitana está um passo à frente do restante do estado por possuir um aterro sanitário licenciado em Cuiabá e um em fase de licenciamento em Várzea Grande, capazes de se tornarem aterros regionais em um consórcio para atender diferentes municípios. Ele lembrou que, atualmente, apenas 25% dos resíduos produzidos na Capital vão para o aterro, enfatizou que os “lixões” não serão extintos da noite para o dia, e ponderou que esse é o momento de avançar na criação de um consórcio para a destinação dos resíduos.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, enfatizou que os municípios têm se esforçado na tentativa de resolver o problema dos “lixões”, que se trata de um problema de saúde pública que afeta o meio ambiente e as finanças das prefeituras, em razão das multas aplicadas, e parabenizou o MPMT pela iniciativa em articular a reunião. Para ele, a solução passa pela contrapartida do Governo do Estado e participação da iniciativa privada. Neurilan Fraga ainda apresentou um estudo da AMM que prevê, na perspectiva dos consórcios, estações de transbordo em Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Nobres e Poconé.
O secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) e presidente do Conselho Deliberativo Metropolitano da Região do Vale do Rio Cuiabá (Codem), Rafael Detoni Moraes, informou que está em fase de conclusão o prognóstico do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana, e que o mesmo será apresentado na próxima semana. Disse que 33% do lixo produzido pelos seis municípios da região metropolitana são passíveis de reciclagem, mas que somente 3% são reciclados, e que existem mais de 200 pontos de descarte ilegal de material na região. Consignou que a proposta do Conselho vai ao encontro da ideia do MPMT e da AMM, de formatação de um consórcio, incorporando os municípios do entorno.
Também participaram da reunião a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Hellen Uliam Kuriki, os promotores de justiça Michelle de Miranda Rezende Villela Germano, Alexandre Balas e Leandro Volochko, prefeitos e representantes dos municípios de Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Rosário Oeste e Santo Antônio de Leverger, integrantes das secretarias de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) e de Meio Ambiente (Sema-MT), e a defensora pública Kelly Christina Veras Otácio Monteiro.
Deliberação – No encontro, além de ser apresentada proposta de articulação entre todos os interessados, ficou acertado que o Codem levará para a reunião do dia 6 de dezembro uma proposta para concretizar juridicamente a participação do Estado no consórcio. A ideia é que o arranjo seja fechado até o início do próximo ano, com a definição de onde serão as estações de transbordo. “Temos alguns compromissos assumidos pelo Governo e um ambiente propício para avançar e começar a trabalhar em janeiro. Esperamos sinceramente que, até o fim do primeiro semestre de 2023, não tenhamos mais lixões operando na Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá”, afirmou o promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva.
Planejamento estratégico – A “Destinação ambientalmente adequada dos rejeitos e resíduos sólidos” é um dos projetos estratégicos do Ministério Público de Mato Grosso para o quadriênio 2020-2023. A instituição tem como meta elevar para 29% o índice de destinação adequada de resíduos até 2023, bem como aumentar para 35% o índice de reciclagem e logística reversa no estado.
Fonte: MP MT
MATO GROSSO
ALMT aprova projetos de apoio à agricultura familiar, saúde e educação em sessão ordinária
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, durante sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (21), projetos voltados à agricultura familiar, saúde, educação e assistência social. Entre os destaques estão medidas de apoio aos produtores de queijo artesanal e à cadeia do leite.
Uma das principais discussões envolveu o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 5/2026 , de autoria de Gilberto Cattani (PL), que susta os efeitos de decreto do Poder Executivo relacionado à regulamentação de produtos lácteos artesanais. Segundo o parlamentar, as regras dificultam a atividade das pequenas queijarias e aumentam os custos de comercialização.
Em entrevista concedida antes da sessão, Cattani afirmou que a regulamentação promoveu uma redistribuição tributária que estaria “penalizando os artesanais, ou seja, o pequeno produtor, a pequena queijaria, e beneficiando as grandes indústrias”. O líder do governo, Dilmar Dal Bosco (União), chegou a pedir vista da proposta, mas devolveu a matéria durante a sessão, permitindo sua aprovação por unanimidade. Da mesma forma, foi aprovado o PDL nº 1/2026 , também de Cattani, que susta a obrigação de envio mensal de dados sobre produção, industrialização e comercialização por agroindústrias familiares e de pequeno porte.
O plenário aprovou ainda, em segunda votação, o Projeto de Lei (PL) nº 554/2025 , que altera critérios de representatividade dos produtores na administração do Fundo de Qualidade, Produtividade e Segurança Alimentar do Leite.
Por outro lado, foi rejeitado o PL nº 347/2022 , de autoria de Gilberto Cattani, que buscava facilitar o acesso à posse e ao porte de armas de fogo para mulheres vítimas de violência doméstica com medidas protetivas judiciais. Com a rejeição, a proposta segue para arquivamento. A matéria tinha parecer contrário da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.
Saúde e educação— Entre as matérias incluídas na ordem do dia, os deputados aprovaram, em primeira votação, o PL nº 336/2026 , de Fábio Tardin (Pode), que garante a oferta de toucas hipotérmicas para reduzir a queda de cabelo de pacientes submetidos à quimioterapia na rede estadual.
Na área de educação, o plenário aprovou o PL nº 1888/2025 , de Janaina Riva (MDB), que prevê a inclusão da carne suína na merenda escolar, com alternativa para estudantes com restrições alimentares. Foi acatada a Emenda nº 1 à proposta. Os deputados também aprovaram o PL nº 1975/2024 em segunda votação. A proposta institui uma campanha de desconexão das telas digitais, incentivando a redução do uso excessivo de celulares e redes sociais. “O nosso objetivo agora é criar uma campanha de desconexão das telas digitais e reforçar o trabalho que a escola vem fazendo, principalmente nas atividades extracurriculares”, afirmou Silva.
Outras deliberações— Entre os projetos aprovados estão ainda o PL nº 4/2025 (segunda votação), de Eduardo Botelho (União), que institui a Política Estadual de Combate à Fome; o PL nº 619/2026 (primeira votação), de Max Russi (Podemos), que cria o Dia Estadual do Professor Indígena; e o PL nº 175/2025 (segunda votação, nos termos do Substitutivo nº3 ), também de Russi, sobre conectividade em comunidades indígenas e quilombolas.
Também foi aprovado, em primeira votação, o PL nº 1123/2026 , do Executivo, que autoriza a doação à União da Gleba Pelissoli II, em Santa Terezinha, para fins de regularização fundiária.
Já o PL nº 795/2026 , que autoriza a contratação de empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal, foi retirado de pauta a pedido da liderança do governo. Também houve pedido de vista de Wilson Santos (PSD) em proposta que altera a delimitação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Chapada dos Guimarães.
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