MATO GROSSO
Debate vai do crédito rural ao crédito de carbono em painel do II Congresso Nacional dos Tribunais de Contas
MATO GROSSO
| Foto: Thiago Bergamasco |
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Desenvolvimento sustentável: do crédito rural ao crédito de carbono, esse foi o tema do oitavo painel do II Congresso Nacional dos Tribunais de Contas, realizado nesta terça-feira (23). Com a presença de especialistas em direito, economia, agronegócio e sustentabilidade, o debate envolveu a atual conjuntura do mercado financeiro rural, caminhos para a regulamentação e o potencial brasileiro para ser um dos líderes globais em descarbonização.
Presidente da mesa, o juiz titular da Vara de Meio Ambiente e do Juizado Volante do Meio Ambiente (Juvam/MT), Rodrigo Curvo, ressaltou a importância do tema abordado. “Parabenizo os conselheiros José Carlos Novelli e Sérgio Ricardo pela iniciativa, por permitirem o debate de questões tão relevantes, principalmente sobre meio ambiente, um tema tão caro e tão atual. Hoje, nesse painel, tivemos condições de nos aprofundar de forma peculiar na temática do crédito rural e sua evolução para o crédito de carbono e saímos daqui muito melhores do que chegamos”.
Na ocasião, o pós-doutor na Universidade de Harvard, doutor e mestre em Direito, Terence Trennepohl, fez uma apresentação do mercado de carbono sob a perspectiva de quatro pontos: sociedade, direito, meio ambiente e sustentabilidade, e do que vê para o futuro. O especialista abordou o funcionamento do mercado de carbono, o que é crédito de carbono, o que é pegada de carbono, etapas de geração dos créditos de carbono e estrutura regulatória.
“Sou otimista, acho que não caminhamos para uma hecatombe climática e ambiental, que estamos a caminho da destruição e que, muitas vezes o agronegócio é responsável por isso, como muitas vezes é bradado por doutrinadores respeitadíssimos. Acho que evoluímos muito em termos de crescimento humanitário, claro que temos percalços, mas avançamos muito em diretos, garantias, deveres e obrigações”, salientou.
Na sequência, o também advogado, professor, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), Werner Grau, asseverou que não é possível se falar em conservação, sem transferência de tecnologia. “Precisamos falar de transferência de tecnologia para que eu otimize meu agro, para que eu use menos área com mais resultado, para que eu possa te entregar mais conservação, fora desse diálogo, estamos falando de assimetria e injustiça”.
Conforme ele, mercado de carbono significa RED +: redução das emissões pelo desmatamento e degradação da floresta, com benefícios sociais. “Ou seja, o produtor rural tem sim que conservar, mas tem um curso de oportunidade, atribui valor econômico à floresta. Estamos falando de congregar a atividade econômica e o meio ambiente. Se hoje temos um desmatamento a galope para a produção, também não podemos ter um freio que inviabilize essa produção, temos que conjugar as duas coisas a partir dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU”.
O painel também contou com a participação de Marta Sayuri Takahashi Marchiori, representante da FTX AGRO, atuante no segmento do agronegócio desde 2009, especializada em assessoria de crédito para produtores rurais e empresas do agronegócio. “Muito gratificante saber que a pauta está sendo disseminada de forma grandiosa. O crédito rural é a maior política agrícola do nosso país. Estou aqui para defender o produtor rural com a sustentabilidade, o produtor é a pessoa mais importante para essa cadeia. Ele pode gerar sustentabilidade dentro e fora da sua propriedade”.
Superintendente comercial do Banco do Brasil, Douglas Streck Silveira também posicionou a instituição financeira em relação ao desenvolvimento sustentável e ao meio ambiente. “A sustentabilidade faz parte de todas as ações do Banco, que tem um Plano de Sustentabilidade desde 2005, com 40 e poucas ações e dez compromissos firmados para o futuro sustentável”.
Realizado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), o encontro reúne pesquisadores e autoridades em nove painéis e quatro palestras nesta segunda e terça-feira e está sendo transmitido ao vivo pela TV Contas (Canal 30.2) e pelo Canal do TCE-MT no YouTube.
No primeiro dia, foram abordados temas como Estatuto do Pantanal, Insegurança Jurídica e Desenvolvimento Sustentável, os Desafios Ambientais dos Empreendimentos de Energia e a Transição Energética e Sustentabilidade na Mineração. Além disso, o repórter especialista em Meio Ambiente, Francisco José, ministrou a palestra “Preservar”.
Para tanto, marcam presença autoridades como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, o presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon), Cezar Miola, o presidente do TCE de Pernambuco (TCE-PE), Ranilson Ramos e do procurador federal membro da Advocacia Geral da União (AGU), Cezar Augusto Lima do Nascimento.
O Congresso conta com apoio da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), do Instituto Rui Barbosa (IRB), do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa (ALMT), do Ministério Público do Estado (MPMT), do Senado Federal, do Instituto Nacional de Áreas Úmidas (Inau), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).
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Secretaria de Comunicação/TCE-MT
E-mail: imprensa@tce.mt.gov.br
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Fonte: TCE MT – MT
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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