MATO GROSSO
Após vencer o câncer duas vezes, Dr. João compartilha experiência e defende tratamento mais perto dos pacientes
MATO GROSSO
O deputado estadual e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Dr. João (MDB), defendeu a descentralização dos serviços de oncologia e hemodiálise no estado durante uma roda de conversa realizada nesta segunda-feira (26), na Escola do Legislativo. O parlamentar, que enfrentou o câncer duas vezes, compartilhou sua experiência com a doença, ouviu relatos de servidoras que estão em tratamento e cobrou que as políticas públicas de saúde saiam do papel e cheguem efetivamente à população.
Promovido pela Superintendência de Saúde e Qualidade de Vida (Qualivida), em parceria com a Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (AAPOC), o encontro integrou as campanhas Outubro Rosa e Outubro Verde, voltadas à conscientização sobre os cânceres de mama e de fígado.
Durante a atividade, Dr. João relembrou as dificuldades que enfrentou quando precisou se deslocar de Tangará da Serra até Cuiabá para realizar o tratamento. Segundo ele, a experiência como paciente mudou sua maneira de enxergar os desafios enfrentados por quem depende dos serviços especializados de saúde.
“Eu enfrentei o câncer duas vezes e sei exatamente o que é receber um diagnóstico desses. Sei o medo que a gente sente, as dificuldades do tratamento e a importância de ter esperança. Eu saía de Tangará da Serra e vinha até Cuiabá para me tratar. Sei o que é percorrer centenas de quilômetros em busca da própria vida. Por isso, quando defendo a oncologia no interior, não estou falando apenas como médico ou deputado, mas como alguém que já esteve do outro lado”, destacou.
O parlamentar também se emocionou ao ouvir os depoimentos das servidoras que enfrentam a doença. Para ele, momentos como esse demonstram a importância de oferecer acolhimento aos pacientes, além da assistência médica, especialmente durante um período marcado por incertezas e dificuldades físicas e emocionais.
Dr. João aproveitou o encontro para cobrar maior efetividade das políticas públicas, ressaltando que a aprovação de leis precisa ser acompanhada de ações concretas que garantam atendimento à população.
“Nós precisamos fazer com que as leis saiam do papel. Não adianta aprovar uma legislação bonita e ela não chegar a quem precisa. A política pública tem que funcionar na ponta, lá onde está o paciente, onde está a família sofrendo e esperando por atendimento. É isso que eu cobro e vou continuar cobrando”, afirmou.
Uma das principais bandeiras defendidas por Dr. João ao longo de seus mandatos é a ampliação dos serviços especializados de saúde para os municípios do interior, especialmente nas áreas de oncologia e hemodiálise.
Médico nefrologista, o parlamentar tem atuado na articulação de investimentos, fortalecimento das clínicas de tratamento renal e ampliação da assistência hospitalar. Na área oncológica, defende que os pacientes possam realizar procedimentos e sessões de quimioterapia em unidades regionais, reduzindo a necessidade de viagens frequentes até Cuiabá.
O assunto já foi tratado diretamente com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre as prioridades apresentadas por Dr. João está a implantação de um Centro de Oncologia em Tangará da Serra, aproveitando a estrutura do novo Hospital Regional, que deverá atender também moradores de municípios vizinhos.
“Uma das grandes missões do meu mandato é fazer com que as pessoas não precisem atravessar Mato Grosso para salvar a própria vida. Já conversei com o governador Otaviano Pivetta sobre a expansão da oncologia e da hemodiálise. Tangará da Serra tem condições de se tornar um polo importante com o novo Hospital Regional. Quero que o paciente possa fazer seu tratamento perto de casa, perto da família, sem precisar enfrentar horas de estrada justamente quando está mais fragilizado”, defendeu.
Acolhimento –A superintendente da Qualivida, Ivana Mara Mattos Mello, destacou a importância da participação do primeiro-secretário na atividade, especialmente pela oportunidade de ouvir diretamente as servidoras e compartilhar sua experiência pessoal com o câncer.
“A presença do Dr. João teve um significado muito especial. Além de médico e primeiro-secretário da Assembleia, ele é alguém que já enfrentou o câncer duas vezes e conhece as dificuldades desse processo. Ter um parlamentar da Mesa Diretora presente, ouvindo nossas servidoras e compartilhando sua história, demonstra que o cuidado com as pessoas precisa estar no centro das nossas ações”, afirmou.
Ivana também ressaltou que a iniciativa integra o trabalho desenvolvido pela Qualivida, com o apoio da Mesa Diretora, para ampliar a atenção à saúde física e emocional dos profissionais que atuam na Assembleia Legislativa.
“Nosso objetivo é que os servidores se sintam acolhidos e saibam que não estão sozinhos. A Mesa Diretora tem dado atenção a esse trabalho, permitindo que a Qualivida desenvolva ações de prevenção, conscientização e acompanhamento. Cuidar de quem trabalha nesta Casa também é uma forma de valorizar o serviço público”, completou.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Mato Grosso deverá registrar 930 novos casos de câncer de mama em 2026, com taxa de 47,41 casos a cada 100 mil mulheres. Para o câncer de fígado, a previsão é de 160 novos diagnósticos, equivalentes a 4,16 casos por 100 mil habitantes.
Realizada na Escola do Legislativo, a roda de conversa reuniu servidoras e profissionais para compartilhar experiências, esclarecer dúvidas e discutir a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acolhimento aos pacientes oncológicos.
MATO GROSSO
ALMT instala CST para fortalecer cadeia produtiva do baru
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) instalou, na manhã desta quinta-feira (29), a Câmara Setorial Temática (CST) do Baru, que terá 45 dias em 2026 para discutir propostas de políticas públicas permanentes voltadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva do fruto no estado.
O presidente da Câmara Setorial Temática (CST) do Baru, Jilson São Francisco da Silva, afirmou que a instalação dos trabalhos na Assembleia Legislativa para discutir os pontos fundamentais para o fortalecimento da cadeia produtiva do baru e seu potencial como atividade econômica para o estado de Mato Grosso.
Segundo ele, a CST terá um prazo inicial de aproximadamente 45 dias para desenvolver as atividades e elaborar uma versão preliminar das propostas, com previsão de apresentação entre os dias 10 e 15 de dezembro. A intenção é solicitar a renovação da CST a partir de fevereiro, na 21ª Legislatura, garantindo mais 180 dias para aprofundar os estudos e concluir os trabalhos com qualidade e competência.
Jilson da Silva explicou que o objetivo da Câmara é apresentar sugestões ao Poder Executivo estadual, às secretarias e aos órgãos responsáveis pelos programas oficiais e pelas políticas públicas de desenvolvimento econômico. “As propostas deverão contribuir para o aprimoramento das iniciativas existentes e para a criação de medidas que estimulem a cadeia produtiva do baru em Mato Grosso”, disse.
O secretário da CST, Ricardo Pavan, afirmou que uma máquina de tecnologia espanhola está sendo adquirida para viabilizar a primeira indústria de processamento de baru no Brasil. “Ela está em fase de validação em Mato Grosso, sendo utilizada em testes durante a safra mais recente. O equipamento é usado para quebrar o fruto do baru e extrair sua amêndoa. A aposta é superar um dos principais gargalos da cadeia produtiva da espécie nativa do cerrado: a industrialização”, disse Pavan.
Pavan explicou que a tecnologia foi inicialmente testada na Europa e agora está sendo avaliada com o estoque de frutos reunido a partir da última safra. O equipamento é destinado à quebra do fruto para a retirada da semente, etapa fundamental para ampliar a capacidade de processamento e agregar valor à produção.
Segundo ele, além da amêndoa, utilizada na alimentação humana, o baru possui outras partes com potencial de aproveitamento industrial. “A polpa, por exemplo, pode ser transformada em ingrediente para a indústria alimentícia e também utilizada na fabricação de ração animal. Esse material apresenta fibras, carboidratos, proteínas e propriedades prebióticas, características que despertam o interesse do setor de alimentos”, explicou Pavan.
Ele afirmou que cada árvore do baru produza cerca de 150 quilos de frutos por safra, embora alguns exemplares possam alcançar de 400 a 500 quilos. “O aproveitamento desse potencial, entretanto, depende de soluções tecnológicas que permitam processar os frutos em escala comercial”, disse Ricardo Pavan.
A CST durante os trabalhos vai debruçar em seis eixos como, por exemplo, produção e base na coleta, plantio e organização dos extrativistas. Para isso vão firmar parcerias com a Embrapa, SENAR, UFMT, SEAF. O foco é de assistência técnica, cooperativas e mapa da cadeia em MT: municípios, comunidades, cooperativas e áreas de ocorrência.
Os outros eixos que a CST vai trabalhar é de ciência e nutrição em pesquisa sobre semente, polpa e endocarpo. A indústria e tecnologia para a quebra do fruto, processamento, padronização e logística. E a outra do mercado e promoção voltada à exportação, mercado nacional, merenda escolar e selo de origem de Mato Grosso.
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