ECONOMIA
Servidores de SP têm oftalmologia especializada no interior
ECONOMIA
O acesso a serviços oftalmológicos especializados se expandiu no interior paulista desde maio de 2026, com a ampliação da rede credenciada do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE).
São quatro novos hospitais especializados em saúde ocular na região: dois em Ribeirão Preto, um em Presidente Prudente e um em Registro. Agora, servidores públicos estaduais e seus dependentes nessas regiões passam a contar com mais consultas, exames e procedimentos cirúrgicos oftalmológicos sem precisar se deslocar até São Paulo.
A ampliação acompanha o perfil dos conveniados do órgão, formado majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos, faixa etária mais afetada por doenças como catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade, segundo o Relatório Mundial sobre a Visão, da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, o glaucoma atinge cerca de 1 milhão de pessoas, segundo o Ministério da Saúde, enquanto as cirurgias de catarata pelo SUS chegaram a 601 mil procedimentos em 2019, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) — número que dobrou em relação a 2009.
Em Presidente Prudente, a instituição credenciada é o Visare Hospital de Olhos, hospital especializado em oftalmologia com centro cirúrgico próprio. Lá, o atendimento vai da prevenção a procedimentos de alta complexidade. Para o diretor técnico da Visare, Claudio R. Soares Vieira, o credenciamento reduz uma barreira importante para os servidores da região.
“Muitas vezes, pacientes precisavam percorrer longas distâncias em busca de consultas, exames e procedimentos oftalmológicos especializados. Isso reduz o deslocamento e facilita o acompanhamento médico e o cuidado com a visão”, afirma.
Da clínica ao hospital
A Visare foi fundada em 2004 com a proposta de oferecer, no interior paulista, tratamentos oftalmológicos disponíveis até então apenas nos grandes hospitais das capitais. “A história da Visare é marcada por crescimento planejado e compromisso com a evolução da oftalmologia regional. Iniciamos nossas atividades como uma clínica oftalmológica focada em consultas e exames especializados. Com o aumento da demanda e a necessidade de oferecer um atendimento mais completo, investimos continuamente em infraestrutura, tecnologia e formação de equipes”, diz Vieira.
Entre as especialidades disponíveis na instituição estão o tratamento para catarata, glaucoma, retina e vítreo, córnea, ceratocone, oftalmologia geral, oftalmopediatria, plástica ocular e cirurgias refrativas, além de exames diagnósticos de alta precisão.
A existência de centro cirúrgico próprio é um elemento central nesse modelo. “Ele proporciona maior controle dos processos, mais agilidade no agendamento e uma integração completa entre consulta, diagnóstico, cirurgia e acompanhamento pós-operatório”, explica o diretor técnico.
O movimento da Visare acompanha uma estratégia mais ampla do IAMSPE, que prevê a abertura de 26 novos editais no segundo semestre de 2026 para contratação de serviços em diversas áreas da saúde no interior do estado.
Para mais informações, basta acessar o site da Visare.
ECONOMIA
Planos instituídos ampliam acesso à previdência complementar
A transformação das relações de trabalho e das estratégias de benefícios corporativos no Brasil tem impulsionado um debate cada vez mais relevante no sistema de previdência complementar fechado: como ampliar a cobertura previdenciária e levar a proteção financeira de longo prazo a um número maior de empresas e trabalhadores.
Historicamente associado a grandes corporações com estruturas próprias de previdência, o setor passou a desenvolver modelos mais flexíveis de adesão. Nesse contexto, os chamados planos instituídos vêm ganhando relevância por ampliarem as formas de acesso à previdência complementar, permitindo que empresas e organizações ofereçam aos seus colaboradores os benefícios de um plano administrado por uma Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC).
O modelo permite que associações, cooperativas, entidades representativas e empresas adiram a planos previdenciários já estruturados por fundações e entidades do setor. Na prática, a EFPC administra o plano, enquanto as organizações interessadas o disponibilizam aos seus colaboradores ou associados por meio de convênios de adesão.
Os números mais recentes revelam a expansão desse modelo. Dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) indicam que os planos instituídos somavam cerca de R$ 1 bilhão em ativos em 2010 e encerraram 2025 com R$ 27,7 bilhões, crescimento de quase 27 vezes em 15 anos. No mesmo período, o número de participantes ativos saltou de 85 mil para aproximadamente 874 mil pessoas.
Atualmente, os planos instituídos reúnem mais de 100 estruturas ativas no país, consolidando-se como uma das principais frentes de expansão do sistema fechado de previdência complementar, especialmente entre associações, cooperativas e empresas de médio porte que buscam ampliar a oferta de benefícios previdenciários de forma simplificada.
A Abrapp avalia que esse formato deve ganhar relevância crescente diante das mudanças demográficas, do envelhecimento populacional e da necessidade de ampliar a cultura de planejamento financeiro de longo prazo no Brasil.
“O Brasil vive uma transformação importante nas relações de trabalho e também na forma como as empresas enxergam os benefícios e a proteção financeira de seus trabalhadores. Os planos instituídos representam uma evolução significativa do sistema de previdência complementar fechado, ampliando o alcance das EFPC e criando novas oportunidades para que empresas, associações e trabalhadores tenham acesso à proteção previdenciária de longo prazo”, afirma Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp.
Segundo ele, o fortalecimento desses planos integra o movimento defendido pela atual gestão da entidade, sintetizado no conceito “Ressignificar a Previdência” — que busca reposicionar a previdência complementar como uma ferramenta mais acessível, moderna e conectada às necessidades da população.
Hoje, o sistema representado pela Abrapp administra cerca de R$ 1,3 trilhão em ativos, equivalente a aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e impacta mais de 8 milhões de pessoas. Ainda assim, o setor identifica um potencial relevante de expansão da cobertura previdenciária no país.
Um exemplo recente desse modelo ocorreu em Foz do Iguaçu (PR), onde a Fundação Fibra assinou um convênio de adesão com a Tarobá Construções. A empresa tornou-se Associada Especial Previdenciária Pessoa Jurídica da Abrapp e passou a disponibilizar aos seus colaboradores acesso ao Plano Família Itaipu, administrado pela Fundação Fibra.
O caso ilustra como empresas podem integrar estruturas previdenciárias já existentes sem a necessidade de desenvolver operações próprias. A adesão ocorre por convênio com a entidade fechada, responsável pela administração do plano e pela gestão previdenciária.
“A proposta nasceu da estratégia de ampliar o acesso à previdência complementar junto às empresas da nossa região. A Tarobá foi a primeira companhia a formalizar essa parceria dentro desse modelo estruturado de adesão ao Plano Família Itaipu, reforçando o potencial dos planos instituídos como instrumento de proteção previdenciária e desenvolvimento social”, destaca a Fundação Fibra.
Na avaliação da Abrapp, iniciativas desse tipo tendem a ganhar espaço nos próximos anos à medida que empresas busquem soluções para ampliar os benefícios de longo prazo oferecidos aos trabalhadores.
“Ressignificar a previdência significa aproximar o setor das pessoas e construir modelos mais aderentes à realidade atual. Quanto mais ampliarmos a cobertura previdenciária e aproximarmos as pessoas da previdência complementar, maior será o impacto social e econômico gerado para o país”, conclui Devanir Silva.
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