ECONOMIA
Modelo por assinatura redefine investimentos em tecnologia
ECONOMIA
Uma nova modalidade de acesso a equipamentos para o setor gráfico está sendo adotada por empresas que buscam alternativas ao modelo tradicional de aquisição de máquinas. Baseado em um sistema de assinatura, o serviço permite o uso de equipamentos mediante pagamento mensal, sem a necessidade de compra imediata do ativo.
O projeto, denominado RHB Signature, foi desenvolvido para o mercado de outsourcing de impressão. No modelo, o cliente utiliza os equipamentos durante o período contratual mediante pagamento recorrente e, ao final do contrato, pode optar pela aquisição do ativo, conforme as condições estabelecidas.
A proposta está alinhada a modelos de contratação já utilizados em diferentes segmentos da economia, nos quais empresas priorizam despesas operacionais recorrentes em vez da aquisição direta de ativos. Nesse contexto, destacam-se os conceitos de CAPEX (Capital Expenditure) e OPEX (Operational Expenditure).
CAPEX refere-se aos investimentos realizados na compra de bens de longo prazo, como máquinas e equipamentos, que passam a compor o patrimônio da empresa. Já OPEX corresponde às despesas operacionais recorrentes necessárias para a manutenção das atividades, incluindo contratos de assinatura, locação e serviços.
Segundo Rodolfo Villas Boas, CEO da RHB Solutions, o modelo foi estruturado para atender empresas que buscam maior previsibilidade financeira na renovação de seus equipamentos.
“Observamos que muitas empresas enfrentam desafios relacionados ao investimento inicial necessário para atualização tecnológica. O modelo de assinatura permite distribuir esse investimento ao longo do contrato, mantendo o acesso aos equipamentos durante todo o período de utilização”, afirma.
De acordo com o executivo, outro aspecto considerado na criação da solução foi a possibilidade de atualização do parque tecnológico das empresas.
“Em mercados sujeitos a constantes evoluções tecnológicas, as organizações precisam avaliar não apenas o custo de aquisição, mas também o ciclo de vida dos equipamentos. O modelo de assinatura oferece uma alternativa para que essa atualização ocorra dentro de um planejamento financeiro previamente definido”, explica.
O serviço é direcionado a empresas que desejam utilizar equipamentos de impressão sem realizar a aquisição imediata dos ativos, adotando uma estrutura baseada em despesas operacionais recorrentes.
ECONOMIA
Mulheres avançam e enfrentam desafios no setor financeiro
Dados recentes confirmam que a presença feminina em cargos de liderança no mercado financeiro e de meios de pagamento tem crescido de forma consistente, mas ainda enfrenta barreiras estruturais e culturais. Em 2026, mulheres já representam 35,4% da força de trabalho no mercado de capitais brasileiro, mas sua participação em cargos de alta gestão (CFOs, CIOs, gestoras de portfólio) continua limitada.
Nesse contexto, o painel realizado pela Pagos — Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos — no último mês de maio, que reuniu Juliana Pentagna Guimarães, diretora-executiva do Banco BS2, Carol Corvalán, diretora de vendas da PagBank, e Linconl Rocha, presidente da Pagos, elucidou tais obstáculos e as perspectivas para o avanço das mulheres no setor.
“Hoje, aproximadamente 30% das posições de liderança do BS2 são ocupadas por mulheres. É um avanço relevante e que reflete a evolução natural da participação feminina em funções estratégicas ao longo dos últimos anos”, destaca Juliana. “Porém, acredito que o número ideal ainda está longe e que o mercado precisa caminhar para um equilíbrio maior. A diversidade de visões que a liderança feminina traz é essencial para ampliar debates e encontrar soluções inovadoras”, complementa.
Mudanças na cultura corporativa
Carol Corvalan ressalta, afirmando que: “Competência, preparo e dedicação são os verdadeiros diferenciadores neste mercado. Apesar de haver um avanço, a cultura corporativa ainda é bastante machista. Conciliar as demandas do trabalho com a vida pessoal, sobretudo na maternidade, é um desafio diário que exige apoio familiar e muita resiliência. Acredito que o mercado esteja evoluindo para abrir espaço a profissionais competentes, independentemente de gênero”.
O presidente da Pagos, Linconl Rocha, reforça essa mudança cultural: “Não se trata apenas de uma agenda feminista, mas da importância estratégica de ampliar o protagonismo feminino nas instituições financeiras. O aumento da sensibilidade e do olhar cuidadoso, típico das mulheres, tem gerado impactos positivos na forma como desenvolvemos produtos e serviços. Além disso, essa diversidade é capaz de gerar maior engajamento e cultura organizacional sólida”.
Performance financeira
Alguns dados corroboram esse movimento. Estudo publicado em 2024 na revista International Review of Financial Analysis, por exemplo, aponta que empresas com maior participação de mulheres em cargos de alta liderança apresentam uma eficiência de investimentos cerca de 11% superior à média observada no mercado, impulsionada pela redução de decisões de sobreinvestimento e subinvestimento.
Reportagem do g1, publicada em março de 2025, demonstra que, embora a participação feminina em empresas do mercado financeiro tenha aumentado, a proporção de mulheres ainda é baixa (15% do quadro total). Além disso, persistem desafios estruturais, como assédio, salários em média 68,7% menores que os dos homens e forte sub-representação em cargos de liderança e gestão de fundos, em que elas representam apenas 4,75% dos gestores ativos no país.
Criação de um ambiente que favoreça o crescimento das mulheres
“O desafio está não só em abrir espaço, mas também em criar um ambiente que favoreça o crescimento e a permanência dessas profissionais”, comenta Juliana. “Para isso, fortalecer políticas internas, promover mentorias e reverter vieses culturais são fundamentais”, acentua a executiva.
“Mais do que olhar para números isoladamente, acredito na importância de construir um ambiente que valorize competência, desempenho e diversidade de experiências. Isso enriquece a tomada de decisão e fortalece a capacidade das empresas de inovar e gerar resultados consistentes”, acrescenta.
Carol Corvalán assinala que esse debate ganha ainda mais relevância em um momento em que o setor financeiro vive revoluções tecnológicas, regulatórias e de experiência do cliente, exigindo visão ampla e diversidade para se manter competitivo. “A integração dos mundos bancário e de pagamentos, por exemplo, demanda diversas competências, e o olhar feminino tem sido um diferencial na construção desse ecossistema inovador”.
Linconl conclui, enfatizando: “Estamos vivenciando uma transformação sem volta. Acreditamos que o protagonismo feminino é parte crucial dessa mudança e continuaremos a fomentar essa agenda para que o mercado financeiro brasileiro seja cada vez mais plural, inclusivo e eficiente”.
A reflexão do último painel da Pagos, pautada em experiências reais e dados atualizados, evidencia que, apesar dos desafios, a liderança feminina no mercado financeiro caminha para se consolidar não apenas como bandeira social, mas como um imperativo estratégico para o futuro do setor.
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