ECONOMIA
Brasil caminha rumo à universalização do saneamento
ECONOMIA
Levantamento do Instituto Trata Brasil indica que a falta de água potável ainda atinge 16,9% dos brasileiros, enquanto 44,8% não têm acesso à coleta de esgoto. Esse déficit impacta diretamente a saúde pública, a produtividade do trabalho, a valorização imobiliária, o turismo e a qualidade de vida da população, comprometendo o desenvolvimento socioeconômico do país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada real investido em saneamento gera economia de quatro reais em despesas com saúde.
As enchentes e inundações registradas durante o verão evidenciam a importância de cuidar dos sistemas de drenagem urbana que, ao lado do abastecimento de água, do esgotamento sanitário e da gestão de resíduos sólidos, compõem o saneamento básico.
“Embora seja um setor historicamente desafiador, sobretudo por estar sob a responsabilidade do poder público e sujeito às suas prioridades orçamentárias, o cenário tem apresentado avanços consistentes. Ano após ano, surgem sinais de que o Brasil pode, de fato, caminhar rumo à universalização do saneamento em todo o território nacional”, avalia o vice-presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, Francisco Carlos Jorge Colnaghi.
No ano passado, o setor apresentou indicadores animadores. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinou R$ 22,1 bilhões para saneamento básico. Desde o início da atual gestão, os investimentos somam aproximadamente R$ 61 bilhões para ampliar o acesso da população a esses serviços essenciais.
Quatro grandes projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) em saneamento devem ir a leilão ainda neste ano, com previsão de atender 477 municípios e mobilizar R$ 20,3 bilhões em investimentos. Esse movimento reforça a expectativa de que 2026 seja o ano com o maior número de PPPs estruturantes desde a sanção do Marco Legal do Saneamento, em 2020.
Segundo levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), nos últimos seis anos, seis projetos de PPPs foram leiloados, somando R$ 17,3 bilhões em investimentos contratados e 264 municípios atendidos.
O estado de Goiás lidera esse avanço, com leilão realizado em março. A modelagem estruturada pela Saneago prevê concessão administrativa voltada ao esgotamento sanitário em 216 municípios, divididos em três blocos, com investimentos estimados em R$ 6,3 bilhões.
Outros três projetos que podem avançar neste ano estão nos estados do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. No Ceará, a consulta pública já foi encerrada e o projeto abrange o serviço de esgoto em 128 municípios, com previsão de R$ 6,9 bilhões em investimentos. Na Paraíba, a modelagem está em consulta pública e pretende atender 85 cidades, com aporte estimado de R$ 3,1 bilhões. Já no Rio Grande do Norte, o estudo ainda está em desenvolvimento, com expectativa de alcançar 48 municípios e movimentar R$ 4,1 bilhões.
Para 2026, a Abcon projeta o chamado “ano das PPPs”, impulsionado, entre outros fatores, por ajustes regulatórios realizados em 2023, que retiraram as PPPs do limite de 25% para subdelegação contratual imposto aos prestadores de serviço. “Será um ano de grandes conquistas, com reflexos positivos para os setores público e privado”, complementa Francisco Carlos Jorge Colnaghi.
Entre os projetos previstos para 2026, destacam-se concessões em Alagoas — o chamado Bloco D, voltado à água e esgoto em 21 municípios, com destaque para Arapiraca — e em Rondônia, também contemplando serviços de água e esgoto. Neste último caso, a consulta pública já foi encerrada, com previsão de atender 45 municípios e mobilizar R$ 4,9 bilhões. No total, as seis modelagens destacadas devem alcançar 543 cidades, beneficiando cerca de 10,9 milhões de pessoas e somando R$ 27,5 bilhões em investimentos.
Outro marco esperado para 2026 é a possível desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A lei que autoriza a venda do controle acionário da estatal foi sancionada pelo governador Romeu Zema no fim do ano passado. Dezembro também foi marcado pelo leilão dos dois blocos de saneamento de Pernambuco, arrematados pela gestora Pátria Investimentos e pelo consórcio Pernambuco Saneamento, formado pela BRK Ambiental e pela Acciona.
De acordo com a Abcon, desde 2020 foram realizados 62 certames no setor, totalizando R$ 200 bilhões em investimentos contratados e R$ 61,4 bilhões arrecadados em outorgas. Desse total, 18 leilões tiveram abrangência regional e 44 foram municipais.
“Diante desse cenário animador, é possível dizer que viveremos um 2026 promissor quando se trata de saneamento básico”, acentua o vice-presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, Francisco Carlos Jorge Colnaghi.
ECONOMIA
Produção de azeitonas na Califórnia otimiza a importação
Conhecida pela produção de vinhos, o clima da Califórnia também tem se mostrado ideal para o cultivo de azeitonas. Introduzidas na região por missionários espanhóis no século XVIII, hoje são cultivadas por pequenos e médios produtores familiares, com destaque para as variedades Manzanilla e Sevillana, em fazendas nos vales de San Joaquin, Tulare, Glenn e Tehama, responsáveis por quase toda a produção de azeitonas do país.
Com invernos amenos e verões quentes e secos, o clima da Califórnia confere atributos particulares aos frutos que, mesmo com produção em larga escala, mantêm processo de colheita manual. A cura das azeitonas também é respeitada, passando sete dias imersas em uma solução de soda cáustica e por sucessivos enxágues e oxigenação, ativando naturalmente a coloração preta dos frutos. Na sequência, são enlatadas em salmoura suave, seguindo as normas de segurança alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O resultado são azeitonas com perfil sensorial padronizado, sem o amargor característico do produto de outras origens.
Atuando como guardião da tradição do cultivo de azeitonas e como motor da inovação em produção, o California Olive Committee (COC) opera sob supervisão do USDA — status que outorga ao COC a autoridade legal para estabelecer e fazer cumprir regulamentos de qualidade, financiamento de pesquisas e a promoção das azeitonas de mesa ao redor do mundo. Em essência, é um modelo de autogestão da indústria, em que os próprios produtores e processadores decidem, de forma democrática, os rumos do setor.
O COC tem como objetivo assegurar que cada azeitona californiana carregue consigo não apenas o sabor característico, mas o compromisso com a indústria agrícola das azeitonas dos Estados Unidos. O comitê também é responsável por transformações na indústria, criando padrões de qualidade que passam pelo manejo correto do solo, preservação de recursos naturais e padronização das azeitonas. Para isso, investimentos em pesquisa científica agrícola são constantes, garantindo o desenvolvimento de novas variedades e técnicas de cultivo mais eficientes e sustentáveis.
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