Inicialmente, a caçamba de 5 m³ com entulhos já separados será recebida pelas duas empresas pelo valor de R$ 50,00. Para a caçamba de 5 m³ sem separação a tabela inicial é de R$ 100,00 e para as caçambas que comportam de 10 a 12 m³ o valor estabelecido é de R$ 150,00. Essa tabela de preço será válida até o dia 28 de fevereiro de 2024. Após esse prazo, respeitando a lei de liberdade econômica, a negociação entre as empresas.

“Esses valores forma negociados para esse processo inicial de adaptação; para que todos tenham condições de se reorganizar e continuar trabalhando”, frisa Ari. “Intermediamos essa negociação justamente porque defendemos que todos os trabalhadores tem sua contribuição com o desenvolvimento de Sorriso e precisamos avançar juntos no caminho da sustentabilidade”, defende o prefeito.

Reunião com catadores

Ainda ontem, 12 de dezembro, o Executivo esteve reunido com os catadores que atuam no lixão. Conforme o futuro gestor da pasta de Agricultura, Ciência, Meio Ambiente e Tecnologia (Samatec), Nerci Adriano Denardi, a conversa foi para orientar e acalmar esses trabalhadores. “Discutimos com todos a contratação da mão-de-obra via empresas terceirizadas e também a possibilidade de firmar um convênio para que eles possam atuar no barracão de reciclagem da Prefeitura Municipal”, explica. 14 pessoas participaram da reunião e adiantaram que já estão trabalhando para registrar uma associação de catadores. Denardi reforça que a Administração está trabalhando para realocar todas as pessoas que atuam diretamente na reciclagem no depósito.

Entenda o passo a passo do fechamento do Lixão

Com data estabelecida para o dia 22 de dezembro de 2023, o depósito será fechado de forma gradativa. O material oriundo de pequenos geradores como cortadores de grama, podadores de árvores e dos próprios moradores ao limpar seus quintais, ainda será recebido. Contudo, materiais de grandes geradores como empresas de disk entulho estarão proibidos a partir do dia 22.

A data para o fechamento já foi inclusive protocolada no Ministério Público (MP) e reafirmada no dia 05 de dezembro, em reunião do Executivo Municipal com o diretor regional da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Gabriel Conter. Todos os empresários que fazem uso do local já foram oficialmente comunicados.

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No dia 05, Gabriel Conter destacou que permanecer aberto não é uma opção possível ao Município. “Sorriso tem um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público desde 2013; teve autuações da Sema em 2015 e 2016 que orientam para o fechamento, então não há possibilidade de permanecer aberto; o fechamento dos ‘lixões’ é uma exigência da Sema para todos os municípios do estado e com Sorriso não é diferente” , pontuou. . A decisão foi novamente reafirmada na segunda-feira, 11 de dezembro, pelo juiz Anderson Candiotto.

Conter frisou ainda que caso permaneça aberto o Município entrará em desacordo com a lei, inclusive em descumprimento ao embargo judicial sobre a área, e, o prefeito, bem como a Administração, terão que responder criminalmente. Portanto, é necessário cumprir com a medida, fechar o lixão e iniciar o processo de recuperação ambiental da área. O espaço, lembrou Conter, vinha funcionando sob embargo judicial.

Segundo Denardi, esse é um processo longo, “há muito tempo a Administração vem trabalhando para colocar fim ao funcionamento do aterro e agora, com o fechamento determinado, é necessário dar o start para o processo de recuperação do passivo ambiental da área”, diz.

Já o prefeito Ari Lafin destaca que a conversa com todos os envolvidos tem sido constante, inclusive com o credenciamento de empresas que façam o trabalho de destinação correta de resíduos sólidos. Duas empresas locais fizeram todo o processo de credenciamento de área, licenças, equipamentos necessários para a destinação correta. “Desde o início deste ano estamos trabalhando com todos os envolvidos no processo, quer seja empresa ou coletores que atuam diretamente no depósito para o processo de desativação do lixão; deixamos bem claro o procedimento e pedimos que as empresas de disk entulho procurassem essas duas empresas licenciadas e que darão o destino correto ao lixo seco”, explica.

“O que repactuamos com o MP foi um prazo de seis meses para que o próprio Município possa fazer as tratativas de destino por questões de custos e legalidade”, diz Ari. O prefeito acrescenta ainda que é preciso deixar claro que são leis que devem e precisam ser cumpridas pois trata-se de crime ambiental o uso ilegal da área. “Nossa meta é fazer de Sorriso um modelo ambiental para o mundo; o agro já vem trabalhando como referência ambiental com o descarte correto de embalagens; o Município já vem sendo exemplo com o descarte do lixo úmido e agora também queremos ser exemplo na questão de resíduos sólidos”, defende o gestor.

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Ainda na reunião realizada em 31 de outubro com os empresários de Disk Entulho, a Administração Municipal explicou que os custos dos empresários serão os mesmos arcados pela Prefeitura, já que o município como ente, também não poderá depositar resíduos no Depósito.

“Esse é um processo de mudança, porém precisamos fazer; há um grave problema como incêndios que ocorrem no local e colocam em risco a vida de todas as famílias que estão no espaço”, diz o gestor. “Estamos conscientes que precisamos mudar essa cultura e que precisamos ofertar condições de trabalho para quem hoje busca seu sustento no Lixão”, frisa o prefeito. Com o fechamento oficializado, Sorriso cumpre o Marco Legal do Saneamento Básico, instituído em 2020 e que deve resultar no fechamento de lixões e similares.

Para que o processo todo possa ser realizado, alguns pontos também serão observados pela Prefeitura. Confira:

Novos pontos para descarte eventual

Para que possa ser concluído o fechamento do DMEG, a Prefeitura deve também instalar, em pontos estratégicos da cidade, os pontos de entrega voluntária, os PEVs. Com isso, torna-se viável a destinação de entulhos e restos de jardinagem, por exemplo, entre o intervalo da coleta de resíduos sólidos, serviço ofertado gratuitamente pela Prefeitura a cada dois meses (em média), em todos os bairros de Sorriso, organizados em oito setores.

“É muito importante que nossa população nos ajude a fazer esta transição, mudar a cultura de levar os resíduos para o DMEG – o antigo lixão – e utilize os pontos corretos para descarte, quando não for possível aguardar a coleta de resíduos”, destaca Ari, reiterando que, o que não pode acontecer de forma alguma, é a destinação incorreta destes resíduos.

Destinação incorreta é crime ambiental

Mais que evitar ambientes sujos e potencialmente perigosos, à medida que o acúmulo de entulhos pode abrigar focos de insetos e outros animais, e ainda atrapalhar o trânsito, o cuidado com os resíduos também é questão de respeitar a lei, visto que o “joga esse entulho em qualquer lugar” pode resultar em prisão. Isso mesmo, que a Lei 9.605/1998 institui como crime ambiental a destinação incorreta de resíduos.