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Subestimar a influenza é um risco que Cuiabá não pode correr

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Há um erro recorrente que a sociedade insiste em repetir: tratar a gripe como algo banal. Em Cuiabá e na Baixada Cuiabana, esse equívoco começa a cobrar seu preço diante do aumento expressivo dos casos de influenza A, especialmente do subtipo H3N2.

 

Não se trata de alarmismo, mas de realidade. Os prontos atendimentos estão mais cheios, os sintomas mais intensos e os desfechos, em alguns casos, mais graves. Ainda assim, parte da população segue ignorando sinais claros de que o cenário mudou.

 

Com experiência de quase 30 anos em terapia intensiva e um olhar técnico, mas também direto sobre o momento atual, observo um recrudescimento das viroses. A influenza A, principalmente o H3N2, tem se exacerbado e aumentado o número de atendimentos.
Não é um fato isolado, ela reflete o que já se percebe na prática. Febre alta, dores intensas no corpo, calafrios e prostração não são apenas sintomas incômodos, são sinais de alerta. E ignorá-los, ou adiar o atendimento médico, pode ser decisivo.

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Reforço um ponto crucial: tempo, quando a gripe vem forte, a orientação é procurar atendimento em até 48 horas. Esse período é determinante, principalmente para pacientes mais vulneráveis. E aqui está outro problema: muitos ainda acreditam que vai passar sozinho, mas não vai.

 

Não é bem assim.

 

Idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas estão entre os mais afetados. São justamente esses grupos que mais sofrem com complicações e que, infelizmente, aparecem nas estatísticas mais graves. Já temos casos de óbitos, principalmente entre idosos. Isso exige atenção redobrada.

 

Como se não bastasse, o H3N2 não está sozinho. O H1N1 também circula, ampliando o impacto nos serviços de saúde e tornando o cenário ainda mais complexo. A combinação de vírus ativos e comportamento negligente cria um ambiente propício para a escalada dos casos.

 

E, no entanto, as soluções continuam sendo ignoradas. Hidratação, repouso, isolamento em caso de sintomas, uso de máscara e vacinação são medidas simples, acessíveis e eficazes. Ainda assim, são frequentemente deixadas de lado.

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O uso de antivirais, como o oseltamivir, também entra nesse contexto — mas depende diretamente de diagnóstico precoce. Ou seja, mais uma vez, o fator tempo se impõe como decisivo.

 

Talvez o maior problema não seja o vírus em si, mas a forma como lidamos com ele. A pandemia recente deveria ter deixado lições mais sólidas sobre prevenção, responsabilidade coletiva e cuidado com os mais vulneráveis. Mas o que se vê, em muitos casos, é o retorno de hábitos perigosos.

 

A gripe mudou. Tornou-se mais agressiva em determinados contextos, mais rápida na transmissão e mais exigente na resposta. O que ainda não mudou e precisa mudar — a postura da população.

 

Ignorar sintomas não é resistência. É risco.

Dr. Carlos Augusto Carretoni Vaz é clinico geral e cardiologista atuando em Cuiabá, Mato Grosso

 

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A colcha de retalhos da vida e a urgência do autocuidado: uma reflexão sobre o câncer e a prevenção

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Outubro deveria ser apenas mais um mês no calendário, mas um convite para estar no Centro Estadual de Reabilitação Dom Aquino Corrêa (CRIDAC-MT) transformou o meu dia em um misto inevitável de emoção, dor e reflexão. O evento era dedicado a mulheres que enfrentaram ou enfrentam o câncer de mama. Olhar para cada uma delas foi como assistir a um filme sobre a luta diária pela vida.

Ali, testemunhei a realidade de quem carrega marcas visíveis e invisíveis. A dor de quem perdeu a mama e não teve a oportunidade de fazer a reconstrução; a limitação das sequelas que tiram a mobilidade dos braços; e a luta silenciosa para resgatar uma autoestima fragmentada. Para além do corpo, existe o peso invisível de ter que provar o tempo todo a sua condição de pessoa com deficiência para não ser julgada, e a sombra constante do medo de que a doença possa voltar. O lenço rosa, que hoje enfeita o Outubro Rosa, muitas vezes esconde o constrangimento diário de ter que explicar por que se está sem cabelos a moldura do rosto que a doença temporariamente levou.

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Estar ali reviveu dentro de mim memórias dolorosas. Lembrei-me do combate de cinco anos travado pela minha irmã contra um câncer na garganta. Ela era jovem, cheia de sonhos, e partiu devido às sequelas. Até hoje é difícil compreender, embora eu respeite os desígnios de Deus. A pior dor, no entanto, é olhar para a minha mãe e enxergar a tristeza permanente em seu olhar. Nenhuma mãe deveria passar pela dor de perder um(a) filho(a).

Hoje, bem perto de mim, vejo mais três pessoas enfrentando a mesma batalha. E preciso dizer com convicção: o câncer não é falta de cuidado. Qualquer um de nós pode ser surpreendido por ele. Mulheres, homens, crianças nenhum ser humano quer adoecer, sofrer ou ver quem ama passar por tamanha provação.

A grande questão é que nos esquecemos de nos amar. Priorizamos o trabalho, as obrigações e as urgências dos outros, enquanto negligenciamos o nosso próprio corpo. Não somos máquinas  e até as máquinas exigem manutenção.

Precisamos nos olhar com carinho. Tirar um tempo para ir ao médico, fazer os exames de rotina, mesmo quando não sentimos absolutamente nada. Esperar pelos sintomas pode significar chegar tarde demais, quando nem o melhor tratamento será suficiente.

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A vida é uma grande colcha de retalhos. Nem sempre as cores que a costuram são bonitas ou vibrantes. Mas, enquanto houver vida, a prevenção continua sendo a melhor demonstração de amor-próprio e o nosso maior escudo.

Se ame, se olhe e se cuide. A sua saúde não pode esperar.

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