CUIABÁ

AGRONEGÓCIO

O impacto do Canal do Paraná para a logística de exportação

Publicados

AGRONEGÓCIO

Mais uma preocupação para o agronegócio brasileiro: a recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intenção de retomar o controle do Canal do Panamá. A possibilidade de o canal mudar de mãos trouxe à tona discussões significativas no cenário geopolítico e econômico internacional.

Para o Brasil, país com forte dependência do agronegócio e do comércio exterior, essa eventual mudança na administração do canal pode ter implicações diretas na logística e competitividade de suas exportações.

Inaugurado em 1914, o Canal do Panamá é uma via estratégica que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, reduzindo consideravelmente o tempo e os custos de transporte marítimo. Para o Brasil, especialmente para os portos das regiões Norte e Nordeste, o canal oferece uma rota mais curta para mercados asiáticos.

Por exemplo, a distância entre Belém (PA) e Xangai, via Canal do Panamá, é de aproximadamente 20,4 mil quilômetros, enquanto a rota pelo Cabo da Boa Esperança soma cerca de 22,4 mil quilômetros, uma diferença de 2 mil quilômetros que pode resultar em economia de combustível e aumento no número de viagens anuais.

Leia Também:  Mercado de soja fecha a semana com pequena alta e grandes expectativas

Contudo, apesar dessa vantagem geográfica, as altas tarifas de passagem pelo canal, que variam entre US$ 80 mil e US$ 300 mil por navio, têm sido um fator limitante para o aumento da utilização dessa rota pelo Brasil. Em 2024, o país movimentou 3,4 milhões de toneladas pelo Canal do Panamá, ocupando a 15ª posição no ranking global. Em contraste, os Estados Unidos lideraram com 157 milhões de toneladas no mesmo período.

Em dezembro de 2024, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam retomar o controle do Canal do Panamá, alegando que as taxas cobradas eram “exorbitantes” e que o canal estaria “caindo em mãos erradas”, referindo-se à suposta influência chinesa na região. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, respondeu prontamente, negando qualquer controle estrangeiro sobre o canal e afirmando que ele é parte do “patrimônio inalienável” do país.

Essas declarações geraram tensões diplomáticas e preocupações sobre possíveis impactos no comércio internacional. Para o Brasil, mudanças na administração do canal ou alterações nas políticas tarifárias podem afetar diretamente a logística de exportação, especialmente de commodities agrícolas destinadas ao mercado asiático.

Leia Também:  Consulta pública atualiza lista de espécies vegetais introduzidas no Brasil

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, e a eficiência logística é crucial para manter a competitividade no mercado global. Tarifas mais competitivas no Canal do Panamá poderiam fortalecer as exportações via Arco Norte, reduzindo custos e tempos de transporte para a Ásia e a costa oeste dos Estados Unidos. Por outro lado, restrições de acesso ou aumentos nas tarifas podem comprometer essa eficiência, exigindo a busca por rotas alternativas, como o contorno pelo Cabo da Boa Esperança, que aumenta a distância e os custos.

Além disso, eventos climáticos, como a seca histórica que afetou o canal em 2024, podem restringir o tráfego marítimo e impactar ainda mais a logística global. Nesses cenários, o Brasil precisa estar preparado para adaptar suas estratégias de exportação, buscando diversificar rotas e mercados para mitigar possíveis impactos negativos.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Mato Grosso exporta US$ 2,1 bilhões em setembro para 115 países

Publicados

em

Reprodução Secom/MT

Mato Grosso exportou US$ 2,1 bilhões em setembro e encerrou o mês como o 6º maior exportador do Brasil, responsável por 6% das vendas brasileiras ao exterior. Os produtos mato-grossenses chegaram a 115 países, com o milho liderando os embarques. Como as importações somaram US$ 233 milhões, o Estado registrou um saldo positivo de aproximadamente US$ 1,9 bilhão na balança comercial.

Os números integram o boletim de comércio exterior elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), por meio do DataHub MT, com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O desempenho acumulado está acima do registrado no ano passado. Entre janeiro e setembro, Mato Grosso vendeu US$ 26,5 bilhões ao mercado internacional, crescimento de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado representa US$ 3,8 bilhões a mais em exportações.

Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, a força exportadora de Mato Grosso deve ser acompanhada pela ampliação do processamento da produção dentro do Estado.

Leia Também:  MAPA faz apreensão de mais de 52 mil quilos de amendoim com irregularidades

“Mato Grosso é um grande exportador e tem um papel importante no abastecimento de mercados internacionais. O Governo tem atuado fortemente para que essa capacidade também se traduza em mais agroindustrialização. Queremos ampliar a transformação da nossa produção aqui, agregar valor ao que vendemos e gerar mais empregos e renda para os mato-grossenses. Além de produzir e exportar commodities, precisamos aproveitar cada vez mais as oportunidades que a indústria oferece”, afirma.

Em setembro, o milho respondeu por US$ 641,1 milhões, equivalentes a 30,3% das exportações estaduais. Na sequência aparecem a soja, com US$ 354 milhões, e a carne bovina congelada, com US$ 257,5 milhões. Farelo e resíduos da extração do óleo de soja somaram US$ 249,3 milhões, enquanto o algodão alcançou US$ 163,3 milhões.

A China foi o principal destino dos produtos mato-grossenses, com compras de US$ 342,3 milhões, ou 16,2% do total. Países Baixos, Egito, Irã e Espanha completaram a lista dos cinco maiores compradores no mês.

Na comparação com agosto, o valor exportado caiu 12,6%. Frente a setembro de 2025, a redução foi de 6,2%. O volume embarcado totalizou 4,75 milhões de toneladas, queda de 23,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Leia Também:  Mercado de soja fecha a semana com pequena alta e grandes expectativas

Do lado das importações, os fertilizantes nitrogenados, potássicos e fosfatados concentraram 54,5% dos US$ 233 milhões gastos pelo Estado em setembro. Defensivos e reguladores para plantas representaram outros 22,7%, mostrando o peso dos insumos agrícolas nas compras internacionais.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as importações chegaram a US$ 2 bilhões. Com isso, a diferença entre as vendas e as compras externas de Mato Grosso ficou positiva em US$ 24,5 bilhões, avanço de 17,9% sobre o mesmo período de 2025.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA