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Demanda elevada garante preço médio da carne de frango em fevereiro

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O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou nesta sexta-feira (23.02) que, embora tenha ocorrido uma queda nos preços da carne de frango na segunda metade do mês, o aumento na procura pela proteína na primeira quinzena de fevereiro assegurou uma elevação no preço médio mensal do produto.

Apesar dessa recente redução, a média de preços ainda reflete um acréscimo de 2,7% em relação a janeiro, cotada a R$ 7,22 por quilo. A observação vem do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), parte da renomada Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), que se dedica a analisar as flutuações do mercado.

Os especialistas do Cepea indicam que essa correção nos preços durante a segunda metade do mês é uma resposta à capacidade financeira mais limitada da população brasileira, um fenômeno comum que influencia o comportamento do mercado. Este ajuste reflete as dinâmicas do consumo interno, onde, após um período de elevação nos preços, é natural observar uma retração conforme o mês avança e o poder de compra dos consumidores se mostra mais restrito.

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Essa análise detalhada do Cepea evidencia a volatilidade do mercado de carnes no Brasil, destacando a importância de monitorar as tendências de preços para entender melhor as oscilações econômicas que afetam diretamente produtores, varejistas e consumidores. A instituição, com seu histórico de pesquisa aplicada, oferece insights valiosos sobre as forças que moldam o setor agropecuário nacional, contribuindo para estratégias de mercado mais informadas e eficazes.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

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A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

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Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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