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Conselho Internacional de Grãos reduz estimativa da safra mundial 2024/2025

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O Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) revisou para baixo sua projeção de produção global de grãos para a temporada 2024/25. A nova estimativa, divulgada na última quinta-feira (17), aponta para um total de 2,303 bilhões de toneladas, três milhões a menos do que o previsto anteriormente. O principal fator para o recuo é a redução na expectativa para o trigo.

O IGC é um órgão intergovernamental que reúne os principais países exportadores e importadores de grãos do mundo. Sua função é monitorar o mercado global de cereais e oleaginosas, além de promover maior transparência e estabilidade no comércio internacional desses produtos. Os relatórios do conselho são acompanhados de perto por governos, empresas e produtores rurais em todo o mundo.

Mesmo com o ajuste, a nova projeção ainda fica abaixo do volume registrado na safra anterior, de 2,310 bilhões de toneladas. Já o consumo global foi estimado em 2,328 bilhões de toneladas — oito milhões a menos do que o previsto em março, mas ainda acima do que foi consumido na safra 2023/24, que fechou em 2,325 bilhões.

Por outro lado, os estoques globais devem ser um pouco maiores. A previsão subiu para 580 milhões de toneladas, quatro milhões acima do relatório anterior. Apesar do aumento, o número ainda é inferior ao volume estocado na temporada passada, que foi de 605 milhões.

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Soja
A produção global foi reduzida em 1 milhão de toneladas e deve ficar em 417 milhões. O consumo foi mantido em 409 milhões, e os estoques, agora estimados em 181 milhões, também caíram 1 milhão em relação à previsão anterior. No ciclo passado, a produção foi de 396 milhões, com consumo de 385 milhões e estoques de 73 milhões.

Milho
A produção mundial teve um leve acréscimo e deve alcançar 1,218 bilhão de toneladas. O consumo, por sua vez, caiu para 1,237 bilhão. Já os estoques subiram para 276 milhões, dois milhões a mais que na estimativa anterior. No ciclo anterior, o milho teve uma produção de 1,233 bilhão, com consumo de 1,231 bilhão e estoques de 295 milhões.

Trigo
Foi o que mais influenciou a revisão para baixo da produção total de grãos. A nova estimativa é de 798 milhões de toneladas, uma queda de 1 milhão. O consumo também recuou, passando de 807 milhões para 802 milhões. Ainda assim, os estoques cresceram ligeiramente e devem alcançar 268 milhões. Na safra anterior, a produção foi de 794 milhões, com consumo de 807 milhões e estoques finais de 272 milhões.

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O IGC também divulgou uma visão preliminar para a safra 2025/26, que traz um cenário um pouco mais animador. A produção mundial foi estimada em 2,373 bilhões de toneladas, volume 2,9% superior ao esperado para o ciclo atual. O consumo deve acompanhar esse crescimento e também foi projetado em 2,373 bilhões. Já os estoques devem se manter estáveis, na casa de 580 milhões de toneladas.

A soja deve apresentar crescimento em 2025/26, com produção prevista de 428 milhões de toneladas — um milhão a mais do que o estimado em março. O consumo também sobe para 427 milhões, enquanto os estoques permanecem em 83 milhões.

O milho deve avançar ainda mais: a produção foi ajustada para 1,274 bilhão de toneladas, um aumento de 5 milhões em relação à previsão anterior. O consumo deve acompanhar esse ritmo e chegar a 1,269 bilhão, com estoques estimados em 281 milhões.

No caso do trigo, a produção foi reduzida em 1 milhão, para 806 milhões de toneladas. Ainda assim, o consumo cresceu e foi estimado em 814 milhões, o que pode levar a um aperto nos estoques, mesmo com a leve alta prevista para 260 milhões de toneladas.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

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A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

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Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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