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PROPÓSITO E GRATIDÃO

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Por Virginia Mendes

Encerrar um ciclo nunca é fácil. Ao olhar para trás, levo comigo um sentimento profundo de gratidão por tudo o que vivemos ao longo desses anos à frente das ações sociais do Governo de Mato Grosso.

No início, os desafios eram grandes. Faltava estrutura e, principalmente, recursos para que pudéssemos chegar a quem mais precisava. Ainda assim, houve coragem para começar. Mauro acreditou no propósito, confiou no trabalho e compreendeu que cuidar das pessoas mais vulneráveis precisava ser prioridade.

Foi nesse contexto que nasceu o SER Família, pensando na superação, na esperança e no respeito, tendo a família como o nosso maior pilar. Com o tempo, o programa se consolidou como uma das maiores políticas sociais do estado, com milhões de atendimentos e presença em todos os municípios, levando dignidade e apoio a milhares de famílias.

Como idealizadora do SER Família, fui reconhecida nacionalmente com importantes honrarias, como o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, no Senado Federal, e o título de Personalidade do Ano na Influência Digital em Ação Social, reconhecimentos que reforçam que estamos no caminho certo e que esse trabalho tem alcançado e transformado vidas.

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Como eu sempre falo, ninguém faz nada sozinho. Por isso, deixo aqui meu reconhecimento e agradecimento a todos os parceiros e secretários de Estado que contribuíram para transformar esse trabalho em realidade.

Faço um agradecimento especial à Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), sob a liderança do secretário Klebson Haagsma, e a cada servidor e colaborador que, com dedicação e sensibilidade, executa as ações sociais com excelência. Levo cada um de vocês no coração.

À Unidade de Ações Sociais e Atenção à Família (UNAF), que esteve presente em cada etapa, sendo parte essencial na construção dessa rede de cuidado com as famílias de Mato Grosso.

Em nome do secretário de Segurança Pública, coronel Roveri, agradeço a todos os profissionais da Segurança Pública; em nome do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fernando Tinoco, a cada policial militar; do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Gledson, a todos os bombeiros; e, em nome da delegada-geral Daniela Maidel, a toda a Polícia Judiciária Civil. Minha gratidão também à equipe de segurança que esteve diretamente com a nossa família ao longo desses 7 anos e 3 meses, tornando-se parte dela.

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A toda a equipe do Palácio Paiaguás, meu muito obrigada pelo apoio, dedicação e parceria ao longo dessa jornada.

Aos deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que compõem a base do Governo e foram fundamentais para que tantos avanços se concretizassem.

Aos jornalistas e profissionais da comunicação, que acompanham de perto cada ação e cumprem um papel essencial ao levar informação com responsabilidade e transparência à população. O trabalho de vocês foi indispensável para que essas ações chegassem a quem realmente precisava.

O SER Família é feito por muitas mãos. Cada ação, cada entrega e cada resultado refletem o compromisso de uma equipe que acredita que é possível fazer política pública com sensibilidade, responsabilidade e impacto real na vida das pessoas.

Saio com a certeza de que avançamos muito e com a convicção de que ainda há caminhos a serem percorridos.

Não é um adeus. É apenas um até logo.

Muito obrigada!

Com amor,
Virginia

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No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado

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No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.

Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.

O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.

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De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.

É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.

Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.

O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.

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O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.

Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.

Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.

O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.

O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.

Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.

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