AGRONEGÓCIO
Ministro da Agricultura tranquiliza o agronegócio dizendo que “o momento é de atenção, mas não de crise”
AGRONEGÓCIO
O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, esteve presente ontem (07.02) no Show Rural de Cacavel, no Paraná e aproveitou para tranquilizar os produtores sobre a situação da safra brasileira. Ele destacou que, apesar das dificuldades climáticas que causaram quebras significativas na produção em algumas regiões, o momento atual deve ser encarado com atenção, não como uma crise.
O ministro ressaltou que, em contrapartida às perdas, algumas regiões, como o Rio Grande do Sul, estão compensando com um excedente de 10 milhões de toneladas de soja em comparação com a produção do ano anterior. Esse aumento na oferta, aproximadamente 15 milhões de toneladas, está contribuindo para manter os preços equilibrados no mercado.
Fávaro reconheceu que os custos de produção ainda não atingiram níveis ideais para garantir rentabilidade aos produtores, mas salientou que esse é um aspecto natural do mercado, que se ajusta ao longo do tempo.
Ele pediu compreensão aos agricultores, assegurando que o governo está acompanhando de perto a situação da safra.
O ministro afirmou que, no momento oportuno e de maneira adequada, serão implementadas medidas de auxílio para os produtores rurais.
Suas declarações têm o objetivo de acalmar os ânimos do setor diante das adversidades climáticas, transmitindo confiança e garantindo que o governo está atento às necessidades dos agricultores.
Assista à entrevista que Fávaro deu ao Notícias Agrícolas:
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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