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Possibilidade de confisco de terras em caso de desmatamento ilegal é tema de audiência na ALMT

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Foto: Ronaldo Mazza

Produtores rurais e entidades que representam o setor estiveram reunidos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta segunda-feira (05), durante audiência pública requerida pelo deputado Gilberto Cattani (PL). Em pauta, o confisco de terras pela prática de ilícitos diversos como forma de punição.

O parlamentar decidiu requerer a audiência após o governador Mauro Mendes (União Brasil) ter defendido, durante sua participação na 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 27), a pena de confisco e perda de bens a quem praticar desmatamento ilegal no Brasil. Na ocasião, Mendes se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), a quem expôs a proposta.

O tema ganhou repercussão entre os produtores rurais do estado e, por isso, Gilberto Cattani decidiu trazer a discussão para o legislativo. Thiago Rocha é consultor de Relações Governamentais da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e participou da reunião. Ele explicou que a Constituição Federal e o Estatuto da Terra já contemplam situações de desapropriação, com prévia e justa indenização e que outras tentativas de confisco poderiam configurar atentado ao direito à propriedade.

Para Thiago, as normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro já são suficientes para frear o desmatamento ilegal, basta garantir o cumprimento delas. “Ao invés disso, penso que o Estado precisa se concentrar na regularização fundiária, para facilitar a identificação dos donos das terras e, com isso, viabilizar a responsabilização deles nos casos dos crimes ambientais previstos em lei”, disse o consultor.

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Para o advogado Armando Candia Biancardini, da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a fala do governador foi tirada de contexto. “Existe uma pressão internacional e a declaração ocorreu num evento político, em que se espera posicionamento mais incisivo por parte dos líderes”, destacou. Por considerar o estado brasileiro altamente burocrático, o advogado defendeu que a prioridade governamental seja a eficiência nos processos que acontecem dentro dos órgãos públicos e que impactam o setor produtivo, como é o caso da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Esse ponto também foi reforçado pela deputada federal eleita Coronel Fernanda (PL). Ela acredita que é fundamental ter um olhar para os pequenos produtores e proporcionar instrução a eles. “O povo precisa ser ensinado para que, com isso, se torne um verdadeiro parceiro dos agentes públicos. É fundamental dar atenção a quem não tem tanta estrutura, mostrar a eles os erros existentes em documentações e processos, ajudá-los a solucionar”, destacou Fernanda. 

A advogada Rebeca Youssef, outra participante da audiência, explicou que, embora Mato Grosso seja um dos estados que mais validou cadastros rurais, o percentual está em 7%. “Não quer dizer que estejamos avançados, mas que o Brasil, como um todo, está atrasado”, disse Rebeca. De acordo com ela, a regularização ambiental precisa ser vista não apenas como um dever, mas como um direito dos produtores, por uma questão de segurança jurídica.

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A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, ouviu os apontamentos dos participantes e reforçou o compromisso do atual governo em melhorar a eficiência dos processos que passam pela Sema. Segundo Lazzaretti, um plano de ação está sendo estabelecido para reduzir o tempo de análise dos licenciamentos, o que também foi reiterado pelo deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil) em sua fala durante a audiência.

União Europeia e importações – Nesta terça-feira (06), a União Europeia chegou a um acordo sobre a lei que deve proibir a importação de produtos que contribuem para o desmatamento.

Entre os produtos listados na legislação estão cacau, café, soja, óleo de palma, madeira, carne bovina e borracha, assim como vários materiais associados, como couro, chocolate e carvão vegetal, conforme indicou o Parlamento Europeu em comunicado. A importação de tais produtos será proibida caso estes sejam oriundos de regiões desmatadas após dezembro de 2020. Em dois anos será avaliado se outros produtos (como o milho, por exemplo) deverão ser incluídos na lista. 

Durante a audiência pública na ALMT, o consultor técnico da Acrimat Amado de Oliveira apontou a relação entre meio ambiente e mercado como um dos principais desafios da atualidade. “A questão ambiental é de grande impacto ao mercado e o mercado nos impacta diretamente. Por mais delicados que sejam esses pontos, precisaremos discuti-los cada vez mais e encontrar caminhos de resolução com o apoio do poder público”, disse o consultor.

Fonte: ALMT

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Medeiros pede bloqueio de valores pagos por Vorcaro à esposa de ministro Alexandre de Moraes

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O deputado federal José Medeiros (PL) protocolou uma representação junto a órgãos de controle pedindo o bloqueio de valores, ativos e bens pagos por Daniel Vorcaro a Viviane Barcy, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Medeiros justifica que há fortes indícios de um esquema financeiro de grandes proporções, com risco de prejuízo bilionário aos cofres públicos, e pede investigação.

O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Banco Central, à Polícia Federal, à Controladoria-Geral da União (CGU), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), solicitando a adoção de medidas cautelares, incluindo o bloqueio de ativos e bens, além da instauração de notícias-crime.

Na representação, o parlamentar afirma que há suspeitas envolvendo movimentações financeiras consideradas atípicas entre o empresário Daniel Vorcaro e Viviane Barcy, com possível uso de estruturas complexas para ocultação de recursos e dificultar a rastreabilidade das operações. Viviane Barcy recebeu R$ 80 milhões de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, alvo de investigação por fraudes no sistema financeiro.

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No pedido, Medeiros solicita que o Banco Central atue de forma imediata para rastrear movimentações, identificar contas vinculadas e monitorar transferências, inclusive internacionais, além de adotar medidas para evitar a dispersão dos recursos.

O parlamentar também pede investigação ampla sobre eventual participação de agentes públicos, destacando a necessidade de apuração por parte da PGR, inclusive em casos que envolvam autoridades com foro privilegiado.

“Diante da gravidade desses fatos, do risco de um prejuízo enorme e da possibilidade de sumirem com o patrimônio, é preciso uma atuação firme e imediata dos órgãos de controle. É necessário bloquear os valores, preservar os bens e investigar tudo a fundo, inclusive para apurar a responsabilidade de possíveis autoridades envolvidas”, afirmou.

A representação também ressalta que a demora na adoção de medidas pode comprometer a recuperação de valores e prejudicar as investigações, aumentando o risco de prejuízo ao erário.

Entre os pedidos estão o bloqueio imediato dos valores envolvidos, a indisponibilidade de bens, a abertura de investigações pela Polícia Federal e a realização de auditorias pelo TCU, além do compartilhamento de informações entre os órgãos.

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