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Audiência Pública discute melhorias para a educação indígena
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por intermédio do deputado Lúdio Cabral (PT), realizou audiência pública, na segunda-feira (10), para discutir a situação da educação indígena promovida pelo governo do estado. Hoje, existem 70 unidades escolares indígenas e quase 12 ml estudantes.
Para explicar as ações, o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, afirmou que a Seduc vai publicar em abril um edital autorizando cada um dos 43 povos indígenas a elaborar material didático especifico, com os saberes e linguagens maternas.
“Após a elaboração de todo o conteúdo, a Seduc será responsável pela impressão do material pedagógico. O governo está avançando, mas há muito desafios pela frente. A Secretaria está atenta em aperfeiçoar as políticas voltadas à educação na aldeia indígena”, explicou Porto.
A presidente da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso, Eliane Xunakalo, afirmou que Cuiabá é território indígena durante o 1º Acampamento Terra Livre (ATL) em Mato Grosso, que acontece na capital até o dia 14 de abril e tem o objetivo de lutar por políticas públicas para os povos originários e contra a violação dos direitos.
“A educação indígena é uma prioridade do Estado e precisa ser também de todo o cidadão mato-grossense. Essa Casa de Leis também é nossa. Somos cidadãos indígenas e fazemos parte dela. Há inúmeros problemas estruturais na educação e, por isso, precisamos de políticas públicas eficazes que atendam os indígenas”, disse.
Foto: Ronaldo Mazza
Para Filadelfo Neto, índio Umutina do município de Barra do Bugres, os indígenas precisam ter autonomia e independência, mas para isso é preciso que o governo invista em educação forte e de qualidade à comunidade indígena.
“É lá que está nossa base e a nossa raiz. Qualquer mudança proposta pelas autoridades, nesse processo para a melhoria da educação indígena, é preciso que o índio seja parte do processo da mudança”, disse Neto.
Para ele, as autoridades constituídas e responsáveis pela mudança têm que se atentar para não padronizar a política educacional indígena. “Hoje, em Mato Grosso, existem 43 povos indígenas, cada um com especificidade. Parece-me que os legisladores têm preguiça de olhar para isso. A legislação tem que ser especifica. Cada um tem sua forma cultural, organização política e social”, destacou Filadelfo Neto.
Durante a audiência pública, Alan Porto disse aos representantes dos povos indígenas que o governo está para fechar um convênio com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em abril, para a formação de 150 profissionais na área de educação em nível superior. “O investimento é de R$ 8 milhões na formação de novas turmas de graduação em licenciatura plena”, desatacou.
Essa conquista foi comemorada pelo deputado Lúdio Cabral. Segundo ele, o “governo vai realizar um vestibular para 150 vagas à formação de professores indígenas. Essa é uma conquista, a outra é a realização de concurso público para professores indígenas. Isso ficou claro. Mas a data ainda não foi definida”, disse o parlamentar.
Questionado sobre a qualidade da infraestrutura dos prédios que abrigam as escolas indígenas, Porto disse que “o governo já investiu R$ 34 milhões em construções e reformas. Além disso, o governo aplicou recursos financeiros para a manutenção preventiva e corretiva das estruturas físicas escolares”.
Em relação às escolas que possuem conexão com Internet, o secretário disse que das 70 unidades de ensino, apenas, quatro não tem acesso a essa tecnologia. Mas segundo ele, é preciso melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos já existentes e fornecidos às escolas indígenas. De acordo com Porto, a Seduc já entregou mais de 1.560 chromebooks em 38 escolas indígenas.
O secretário informou ainda aos indígenas que a Seduc está constituindo dois Grupos de Trabalho, um para discutir a gestão educacional e o outro para a infraestrutura. “A 1ª reunião está agendada para 3 de maio. Vamos ter como referência a política educacional que foi construída pelos povos indígenas e pelo Conselho Estadual Indígena. O foco é implementá-la, para torná-la uma referência em todo o brasil”, destacou Porto.
O deputado Lúdio Cabral, que é o autor do requerimento solicitando a audiência pública, afirmou que, em mais de quatro horas de reunião, o debate foi importante para o fortalecimento de um espaço dos povos indígenas na definição de políticas escolares indígenas, que é o Conselho Estadual Escolar Indígena (CEEI).
De acordo com o parlamentar, o encontro serviu para definir a realização de reuniões periódicas do Conselho e, que, as decisões deliberadas sejam respeitadas e acatadas pela Seduc.
“Há necessidade de organizar um funcionamento prático das escolas indígenas. Mas isso tem que acontecer desde o registro de ponto. A sistemática de um ponto eletrônico, pela internet, não tem sentido. Não respeita a especificidades de cada um”, explicou Cabral.
Para o parlamentar, é preciso que a Seduc faça a distribuição dos povos indígenas e de as escolas estarem mais próximos onde cada um dos povos vive em suas aldeias, para que elas consigam dialogar com a cultura de cada uma deles”, explicou Lúdio Cabral.
O Procurador da República em Mato Grosso, Ricardo Pael Anderghi, mostrou-se preocupado com a educação escolar para os povos não indígenas. Segundo ele, é preciso uma educação voltada para os indígenas lidar com a sociedade envolvente (não índios), mas também não pode esquecer de preparar a sociedade envolvente para receber o indígena. Para ele, é dessa forma que se combate o preconceito.
“Há os mais diversos tipos de adereços indígenas, mas não vemos nas escolas a representação disso. Será que o estudante não índio conhece os indígenas? O estado brasileiro é pluricultural, por isso a cultura indígena deve ser protegida e valorizada. Levada para dentro da escola. Mas em Mato Grosso, o ancião da aldeia não pode ser contratado pela escola porque não tem formação acadêmica. O ancião deveria estar ensinando a cultura indígena dentro da escola”, disse. Ricardo Pael.
Na próxima quinta-feira (13), a Assembleia Legislativa realiza audiência pública, às 9 horas, na Praça Ulisses Guimarães – em Cuiabá – para debater o direito dos povos indígenas e a relação dos biomas de Mato Grosso (Cerrado, Amazônia e Pantanal).
Fonte: ALMT – MT
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Medeiros pede bloqueio de valores pagos por Vorcaro à esposa de ministro Alexandre de Moraes
O deputado federal José Medeiros (PL) protocolou uma representação junto a órgãos de controle pedindo o bloqueio de valores, ativos e bens pagos por Daniel Vorcaro a Viviane Barcy, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Medeiros justifica que há fortes indícios de um esquema financeiro de grandes proporções, com risco de prejuízo bilionário aos cofres públicos, e pede investigação.
O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Banco Central, à Polícia Federal, à Controladoria-Geral da União (CGU), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), solicitando a adoção de medidas cautelares, incluindo o bloqueio de ativos e bens, além da instauração de notícias-crime.
Na representação, o parlamentar afirma que há suspeitas envolvendo movimentações financeiras consideradas atípicas entre o empresário Daniel Vorcaro e Viviane Barcy, com possível uso de estruturas complexas para ocultação de recursos e dificultar a rastreabilidade das operações. Viviane Barcy recebeu R$ 80 milhões de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, alvo de investigação por fraudes no sistema financeiro.
No pedido, Medeiros solicita que o Banco Central atue de forma imediata para rastrear movimentações, identificar contas vinculadas e monitorar transferências, inclusive internacionais, além de adotar medidas para evitar a dispersão dos recursos.
O parlamentar também pede investigação ampla sobre eventual participação de agentes públicos, destacando a necessidade de apuração por parte da PGR, inclusive em casos que envolvam autoridades com foro privilegiado.
“Diante da gravidade desses fatos, do risco de um prejuízo enorme e da possibilidade de sumirem com o patrimônio, é preciso uma atuação firme e imediata dos órgãos de controle. É necessário bloquear os valores, preservar os bens e investigar tudo a fundo, inclusive para apurar a responsabilidade de possíveis autoridades envolvidas”, afirmou.
A representação também ressalta que a demora na adoção de medidas pode comprometer a recuperação de valores e prejudicar as investigações, aumentando o risco de prejuízo ao erário.
Entre os pedidos estão o bloqueio imediato dos valores envolvidos, a indisponibilidade de bens, a abertura de investigações pela Polícia Federal e a realização de auditorias pelo TCU, além do compartilhamento de informações entre os órgãos.
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