MATO GROSSO
Seis municípios de Mato Grosso recebem Festival Paralímpico no sábado (20)
MATO GROSSO
Seis municípios mato-grossenses, incluindo uma aldeia indígena, serão polos do Festival Paralímpico, que ocorre em todo o país, na manhã de sábado (20.05), para oferecer vivências em modalidades paralímpicas e propiciar inclusão social por meio do esporte a crianças deficientes. O evento é uma iniciativa do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e, em Mato Grosso, é coordenado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Direcionado a crianças e jovens de 08 a 17 anos, praticantes ou não de esportes, o Festival será realizado em Cuiabá, Várzea Grande, Barra do Garças, Brasnorte, Cáceres e Canarana. Cada núcleo desenvolverá quatro modalidades paralímpicas, incluindo atletismo, basquete em cadeiras de rodas, badminton, bocha e vôlei sentado.
Para o superintendente de Esporte e Lazer da Secel, Otávio Rodrigo P. Favaro, o evento de amplitude nacional possibilita que Mato Grosso participe desse grande movimento de inclusão e de incentivo ao esporte.
“Fomentar e ampliar o acesso a atividades esportivas para pessoas com deficiência são vertentes da missão da Secel. Para isso, temos inclusive uma Coordenadoria de Inclusão para dar suporte a essas ações em todo o Estado”, explica o superintendente.
Em sua 5ª edição, o Festival Paralímpico 2023 será realizado em dois momentos. O primeiro, em 20 de maio, e o segundo, no dia 23 de setembro, em referência ao Dia Nacional do Atleta Paralímpico, comemorado em 22 de setembro.
Locais e inscrições
A Escola Arena Educação, que fica na Arena Pantanal, recebe as atividades do Festival Paralímpico em Cuiabá. O acesso ao local será pelo setor Leste, localizado em frente à rua Ranulfo Paes de Barros.
Em Várzea Grande, as vivências acontecem no ginásio poliesportivo Fiotão, local em que também acontecem as atividades do programa de iniciação esportiva do Centro de Referência Paralímpico.
Em Barra do Garças, o evento será na Escola Interativa Coophema; E em Brasnorte, no ginásio municipal Marcelo Félix Pietsch.
O ginásio poliesportivo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), sedia as atividades no município de Cáceres. O espaço esportivo abriga também o primeiro Centro de Referência Paralímpico do Estado.
Já em Canarana, o Festival Paralímpico será realizado pela primeira vez em uma aldeia indígena. Com o apoio da Prefeitura Municipal, a iniciativa será levada à aldeia Tanguro, da etnia Xavante, que fica a 73 km da cidade.
Em todos os seis municípios, as atividades ocorrem pela manhã, a partir das 7h30. A experimentação paradesportiva é aberta também a pessoas que não apresentem deficiência, de forma a atender a proposta de inclusão social e integração.
Para participar do Festival em qualquer um dos municípios, os interessados podem se inscrever até a próxima segunda-feira (15.05), pelo formulário online AQUI
“De forma lúdica, as atividades têm o objetivo de aproximar a criança com deficiência do esporte paralímpico. Serão momentos de muita integração”, finaliza o secretário adjunto de Esporte e Lazer da Secel, David Moura.
Serviço | Festival Paralímpico 2023
Data: sábado (20.05)
Inscrições pelo formulário: www.secel.mt.gov.br/eventos-esportivos
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Entre ensino e recomeços, EJA da ALMT ganha significado especial no Dia dos Professores
Quando o expediente termina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), enquanto muitos servidores e parlamentares encerram mais um dia de trabalho, alunos e professores iniciam uma nova jornada nas salas de aula da Secretaria de Escola e Memória do Legislativo. Entre cadernos, livros e novas descobertas, jovens e adultos retomam uma etapa da vida que, por diferentes motivos, precisou ser interrompida.
É nesse ambiente que funciona a Educação de Jovens e Adultos (EJA), parceria entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, a iniciativa evidencia histórias de educadores e estudantes marcadas por persistência, aprendizado e recomeços.
O projeto começou em 2023 e já chegou à quarta turma. Nesse período, 161 alunos foram matriculados. Nas três primeiras turmas, 103 concluíram os estudos: 50 em 2023, 32 em 2024 e 21 em 2025. A turma atual reúne 37 estudantes e tem formatura prevista para dezembro. Segundo dados da Escola do Legislativo, aproximadamente 90% dos alunos concluem o curso.
A ideia surgiu quando a psicopedagoga Telma Campos começou a trabalhar na Secretaria de Escola e Memória do Legislativo e percebeu que havia servidores que não tinham concluído o ensino médio. A partir dessa necessidade, a Assembleia passou a criar condições para que essas pessoas retornassem à escola.
Com o tempo, o projeto ultrapassou os corredores da Casa de Leis e chegou à comunidade. Em 2023, dos 58 matriculados, 15 eram servidores da ALMT e 43 integrantes da comunidade. Em 2024, foram dez servidores e 28 pessoas da comunidade; em 2025, cinco servidores e 23 alunos externos. Neste ano, dos 37 matriculados, apenas um é servidor da Assembleia e 36 são da comunidade.
Entre os estudantes, está a babá Larissa Nascimento Sampaio, de 22 anos. Incentivada pela mãe, que também não concluiu os estudos, ela decidiu retornar à escola para realizar um sonho: ingressar em uma faculdade e conquistar uma profissão.
“Minha mãe sempre me incentivou e hoje é minha principal motivação. Quero trazer esse orgulho para ela. Meu maior sonho, depois de concluir o ensino médio, é entrar para uma faculdade. Sei que terminar os estudos é o primeiro passo”, afirma.
Larissa conta que se sentia insegura ao ver antigas colegas seguindo para a faculdade enquanto ela permanecia com o ensino médio incompleto. Dentro da sala, porém, encontrou nos professores um incentivo para recuperar a confiança. “Muitas vezes eu pensava que não era capaz. Um dia, uma professora elogiou minhas atividades e aquelas palavras me fizeram perceber que realmente consigo. Os professores incentivam a gente de verdade e fazem cada um enxergar que é capaz”, diz.
A aluna Abadia Gonçalves Medeiros Silva, de 52 anos, conta que voltou a estudar depois de muitos anos sem acreditar que ainda seria capaz. “O EJA não é só uma escola, é acolhimento. Os professores fazem a gente acreditar que consegue, mesmo diante das dificuldades. Voltar a estudar trouxe de volta para mim a vontade de seguir em frente e sonhar novamente”, ressalta.
Desde o início do projeto, 17 professores já atuaram no EJA da Assembleia. Atualmente, quatro docentes trabalham nas áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens, todos da rede estadual de ensino.
Para a professora Soely Maria de Meira, ensinar quem retorna à escola depois de anos é uma experiência de troca. Segundo ela, os estudantes chegam trazendo conhecimentos construídos na família, no trabalho e na comunidade.
“Eles trazem vivências e experiências adquiridas ao longo dos anos. Poder contribuir nessa nova fase, ajudar na realização de sonhos e na recuperação da confiança é uma vivência muito rica”, relata.
A professora Antônia Lúcia de Queiroz Tenório considera que o trabalho desenvolvido no EJA vai além do conteúdo escolar. Para ela, ensinar esses estudantes significa participar de um processo de resgate da dignidade e da cidadania.
“Ensinar na EJA não é apenas ensinar os conteúdos que ficaram para trás, mas acolher pessoas que, por caminhos difíceis, acabaram saindo da escola. Ver uma pessoa de 60, 70 ou até 80 anos sentada em uma carteira mostra que o desejo de aprender e de transformar nunca morre. Cada dia ali é uma vitória contra o tempo e contra a exclusão”, destaca.
Entre as histórias que marcaram sua trajetória está a de seu Sebastião, trabalhador da construção civil com mais de 60 anos que chegou à EJA sem saber ler. O sonho dele era simples e carregado de significado: conseguir ler a Bíblia na igreja e identificar sozinho o letreiro do ônibus, sem precisar pedir ajuda.
Com acompanhamento durante o ano, atividades extras e apoio pedagógico, Sebastião começou a ler. Antônia lembra do dia em que ele conseguiu ler sozinho um pequeno parágrafo diante da turma. “Ele chorou, a turma inteira aplaudiu. Depois disso, mudou a postura, a forma de andar e de falar. Ele se empoderou”, recorda.
Segundo Antônia, histórias como essa também modificam quem está do outro lado da sala. “Eles me ensinam todas as noites o verdadeiro significado da palavra resiliência. Ensinam que o conhecimento é um direito básico e que nunca é tarde para recomeçar”, afirma.
Para as professoras Soely e Antônia, o que faz valer a pena seguir em sala de aula é acompanhar a autonomia conquistada pelos estudantes a cada novo aprendizado. “É ver os olhos deles brilharem quando conseguem compreender alguma coisa nova, saber que aquela aula melhora a autoestima, dá autonomia para ler um letreiro, a Bíblia, um contrato de trabalho ou ajudar os netos no dever de casa. O papel mais puro da educação é transformar vidas”, destaca Antônia.
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