MATO GROSSO
Livros de escritores regionais são lançados com apoio de edital do Governo do Estado
MATO GROSSO
Uma das obras é o livro ‘Metamorfose’, do escritor Édson Ceretta, que será lançada na próxima sexta-feira (1º.03), às 19h30, na Biblioteca Municipal Rachid Mamed, em Rondonópolis. Com 22 contos inéditos, divididos em duas partes, o livro traz temáticas como mistério, aventura, suspense e humor. Édson é autor de outras obras, como ‘À Sombra do 13’, ‘Crisântemo Verde’, ‘Coletânea Aterrorizante’ e ‘Coletânea Poética’.
Outro livro finalizado com recursos do Edital Estevão de Mendonça de Mendonça é ‘Meu zeloso guardador’, escrito por Dilson César Devides e ilustrado por Luis Napoli, e que será lançado oficialmente, mas já está disponível para ser adquirido AQUI. A obra foi inspirada na filha do autor e marca a estreia dele na literatura infantil.
A obra narra a história de uma menina que tinha muito medo, e, devastada por este sentimento, muitas vezes se sentia irritada, desconfiada ou indiferente. Até que, em uma noite, ela lembra do anjo da guarda, que era mencionado pela mãe para confortar seu coração. Assim nasce ‘Meu zeloso guardador’, com uma personagem que tinha medo de dormir e que acordava assustada à noite, sendo consolada pelo sentimento de segurança trazido pela figura do seu anjo protetor.
“Acredito que os editais sejam de suma importância para a cultura de modo geral, pois dão chance de projetos saírem do papel. Sem este apoio, muita coisa ficaria engavetada para sempre”, destaca o autor, que escreveu o livro em 2003 e só agora conseguiu publicar.
O lançamento do livro está previsto para ocorrer em dois momentos, em Barra do Garças e Pontal do Araguaia, e as datas ainda serão definidas.
O Edital também prevê ações de contrapartida para os autores, visando ampliar o acesso das obras literárias para a população. Entre elas estão a doação de exemplares, incluindo obras com tradução em Braille ou transcrição em áudio, para que a Secel possa distribuir a bibliotecas públicas cadastradas no Estado. Outras atividades são palestras e rodas de conversa entre os escritores e público geral.![]()
Oficina de Criação Literária e Livro Eletrônico
Também realizada com recursos do Edital Estevão de Mendonça de Incentivo à Literatura Mato-Grossense, a Oficina de Criação Literária e Livro Eletrônico oferece conteúdos online para quem busca técnicas de escrita e formatação de livros.
Conduzida pelo poeta mato-grossense e produtor cultural Alexandre Rauh, a capacitação começou em janeiro e finaliza nesta quinta-feira (29.02). Entre os temas abordados estão criação literária, publicação de livros, diagramação no Canva, tradução literária, escrita criativa e poemas, livros online no Google Docs, projetos de captação de recursos, registro e publicação em plataformas online, além de bate-papo com autores.
Todo conteúdo por ser acessado no YouTube.
Edital de Literatura
O Edital Estevão de Mendonça de Mendonça de Incentivo à Literatura Mato-Grossense foi lançado em 2022 e contou com R$ 2 milhões distribuídos em 67 projetos de criação (incentivo a novos autores), publicação de livros e fomento à leitura (contação de histórias, formação de mediadores e de escritores).
Em 2023, foi lançado o Edital Prêmio Literatura Mato Grosso dentro do leque de seleções públicas viabilizadas com recursos da Lei Paulo Gustavo. A edição conta com R$ 1 milhão de recursos para reimpressão ou reedição de 20 obras de autores mato-grossenses.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Entre ensino e recomeços, EJA da ALMT ganha significado especial no Dia dos Professores
Quando o expediente termina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), enquanto muitos servidores e parlamentares encerram mais um dia de trabalho, alunos e professores iniciam uma nova jornada nas salas de aula da Secretaria de Escola e Memória do Legislativo. Entre cadernos, livros e novas descobertas, jovens e adultos retomam uma etapa da vida que, por diferentes motivos, precisou ser interrompida.
É nesse ambiente que funciona a Educação de Jovens e Adultos (EJA), parceria entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, a iniciativa evidencia histórias de educadores e estudantes marcadas por persistência, aprendizado e recomeços.
O projeto começou em 2023 e já chegou à quarta turma. Nesse período, 161 alunos foram matriculados. Nas três primeiras turmas, 103 concluíram os estudos: 50 em 2023, 32 em 2024 e 21 em 2025. A turma atual reúne 37 estudantes e tem formatura prevista para dezembro. Segundo dados da Escola do Legislativo, aproximadamente 90% dos alunos concluem o curso.
A ideia surgiu quando a psicopedagoga Telma Campos começou a trabalhar na Secretaria de Escola e Memória do Legislativo e percebeu que havia servidores que não tinham concluído o ensino médio. A partir dessa necessidade, a Assembleia passou a criar condições para que essas pessoas retornassem à escola.
Com o tempo, o projeto ultrapassou os corredores da Casa de Leis e chegou à comunidade. Em 2023, dos 58 matriculados, 15 eram servidores da ALMT e 43 integrantes da comunidade. Em 2024, foram dez servidores e 28 pessoas da comunidade; em 2025, cinco servidores e 23 alunos externos. Neste ano, dos 37 matriculados, apenas um é servidor da Assembleia e 36 são da comunidade.
Entre os estudantes, está a babá Larissa Nascimento Sampaio, de 22 anos. Incentivada pela mãe, que também não concluiu os estudos, ela decidiu retornar à escola para realizar um sonho: ingressar em uma faculdade e conquistar uma profissão.
“Minha mãe sempre me incentivou e hoje é minha principal motivação. Quero trazer esse orgulho para ela. Meu maior sonho, depois de concluir o ensino médio, é entrar para uma faculdade. Sei que terminar os estudos é o primeiro passo”, afirma.
Larissa conta que se sentia insegura ao ver antigas colegas seguindo para a faculdade enquanto ela permanecia com o ensino médio incompleto. Dentro da sala, porém, encontrou nos professores um incentivo para recuperar a confiança. “Muitas vezes eu pensava que não era capaz. Um dia, uma professora elogiou minhas atividades e aquelas palavras me fizeram perceber que realmente consigo. Os professores incentivam a gente de verdade e fazem cada um enxergar que é capaz”, diz.
A aluna Abadia Gonçalves Medeiros Silva, de 52 anos, conta que voltou a estudar depois de muitos anos sem acreditar que ainda seria capaz. “O EJA não é só uma escola, é acolhimento. Os professores fazem a gente acreditar que consegue, mesmo diante das dificuldades. Voltar a estudar trouxe de volta para mim a vontade de seguir em frente e sonhar novamente”, ressalta.
Desde o início do projeto, 17 professores já atuaram no EJA da Assembleia. Atualmente, quatro docentes trabalham nas áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens, todos da rede estadual de ensino.
Para a professora Soely Maria de Meira, ensinar quem retorna à escola depois de anos é uma experiência de troca. Segundo ela, os estudantes chegam trazendo conhecimentos construídos na família, no trabalho e na comunidade.
“Eles trazem vivências e experiências adquiridas ao longo dos anos. Poder contribuir nessa nova fase, ajudar na realização de sonhos e na recuperação da confiança é uma vivência muito rica”, relata.
A professora Antônia Lúcia de Queiroz Tenório considera que o trabalho desenvolvido no EJA vai além do conteúdo escolar. Para ela, ensinar esses estudantes significa participar de um processo de resgate da dignidade e da cidadania.
“Ensinar na EJA não é apenas ensinar os conteúdos que ficaram para trás, mas acolher pessoas que, por caminhos difíceis, acabaram saindo da escola. Ver uma pessoa de 60, 70 ou até 80 anos sentada em uma carteira mostra que o desejo de aprender e de transformar nunca morre. Cada dia ali é uma vitória contra o tempo e contra a exclusão”, destaca.
Entre as histórias que marcaram sua trajetória está a de seu Sebastião, trabalhador da construção civil com mais de 60 anos que chegou à EJA sem saber ler. O sonho dele era simples e carregado de significado: conseguir ler a Bíblia na igreja e identificar sozinho o letreiro do ônibus, sem precisar pedir ajuda.
Com acompanhamento durante o ano, atividades extras e apoio pedagógico, Sebastião começou a ler. Antônia lembra do dia em que ele conseguiu ler sozinho um pequeno parágrafo diante da turma. “Ele chorou, a turma inteira aplaudiu. Depois disso, mudou a postura, a forma de andar e de falar. Ele se empoderou”, recorda.
Segundo Antônia, histórias como essa também modificam quem está do outro lado da sala. “Eles me ensinam todas as noites o verdadeiro significado da palavra resiliência. Ensinam que o conhecimento é um direito básico e que nunca é tarde para recomeçar”, afirma.
Para as professoras Soely e Antônia, o que faz valer a pena seguir em sala de aula é acompanhar a autonomia conquistada pelos estudantes a cada novo aprendizado. “É ver os olhos deles brilharem quando conseguem compreender alguma coisa nova, saber que aquela aula melhora a autoestima, dá autonomia para ler um letreiro, a Bíblia, um contrato de trabalho ou ajudar os netos no dever de casa. O papel mais puro da educação é transformar vidas”, destaca Antônia.
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