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Juíza de Pernambuco fala sobre inteligência artificial e liderança feminina em webinário

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“Tecnologia, Inteligência Artificial, Discriminação Algorítmica e o Papel da Liderança Feminina no Judiciário” foi o tema do webinário promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) em parceria com o Comitê de Equidade de Gênero entre Homens e Mulheres do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na manhã de segunda-feira (2 de dezembro), via Plataforma Teams.
 
A palestrante foi a juíza de Direito Eunice Prado, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, mestre em Direito e Poder Judiciário pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), e certificada em Ética da Inteligência Artificial pela London School of Economics. A magistrada integrou o grupo de trabalho “Ética e Inteligência Artificial” no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi membro do Conselho de Inovação do AMB Lab e da Diretoria AMB Mulheres. Atualmente é membro do Fórum Nacional de Violência Contra a Mulher (Fonavim) do CNJ. As boas-vindas à palestrante foi feita pela juíza Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, coordenadora do webinário e presidente da Associação Brasileira de Mulheres Juízas (ABMJ).
 
A juíza Eunice Prado iniciou a palestra com um questionamento para reflexão: as magistradas estão realmente ocupando espaços de poder? Segundo ela, o Judiciário é cada vez mais dependente da tecnologia e os números não melhoram, com o aumento de casos novos e o déficit de pessoas para atender a essa demanda crescente. “Nesse cenário, a tecnologia apresenta papel essencial”, ressaltou.
 
Um dos primeiros desafios listados pela palestrante é a litigância predatória e repetitiva, prática abusiva que consiste em ajuizar processos judiciais de forma fraudulenta ou abusiva. Eunice destacou que essa situação é extremamente preocupante e que todos os sistema tecnológicos que puderem ser utilizados para ajudar nessa questão são válidos, citando como exemplo o “Bastião”, usado pelo Judiciário pernambucano.
 
Outro desafio apontado pela palestrante é o da cibersegurança. Ela lembrou do ataque de hackers ao Superior Tribunal de Justiça, ocorrido em 2020, o mais grave já ocorrido no Brasil, e que há poucas pesquisas sobre esse tema. Listou ainda grandes desafios a serem enfrentados e temas a serem estudados: infraestrutura, conectividade e exclusão digital. Eunice destacou a maior falha de TI vivenciada recentemente, que foi o apagão cibernético ocorrido em 19 de julho deste ano, que não foi causado por um ataque cibernético e sim por uma falha na atualização de sistema que gerou prejuízos em todo o mundo.
 
Eunice Prado ressaltou ainda a falta de acesso à internet vivenciada em diversas regiões do país e que Mato Grosso, apesar de estar em 11º lugar com relação ao índice de conectividade no país, enfrenta problemas de desigualdade de acesso entre os municípios. Pontuou que um dos maiores problemas vivenciados hoje é a falta de dados. “Dados são a matéria-prima da Inteligência Artificial. É preciso ter isso primeiro e dados de qualidade.” Ela enfatizou ainda a falta de equipes qualificadas para trabalhar com IA no país e do imenso déficit de profissionais de TI no Brasil, onde se formam 53 mil profissionais, mas a demanda é por 159 mil.
  
Outro ponto abordado foi a discriminação algorítmica de gênero e raça. Ela apresentou um estudo americano de reconhecimento fácil que detectou que os sistemas erravam maciçamente quando se trata de mulheres e, mais ainda, quando são mulheres negras. Falou ainda sobre os desafios do assédio sexual e moral no meio de TI, um dos maiores problemas vivenciados por mulheres nessa área. “Índice de assédio em TI é muito maior do que em outras carreiras. Isso faz com que mulheres abandonem ou não queiram ficar no setor”, lamentou.
 
Dentre outros assuntos abordados, Eunice apresentou cinco sugestões para o Judiciário nessa seara: aumentar a participação das magistradas nos espaços dos tribunais em assuntos de TI; elaborar estratégias para aumentar a diversidade na força de trabalho de TI nos tribunais; elaborar políticas de enfrentamento ao assédio, observando as especificidades do setor de TI; ampliar a capacitação de mulheres em tecnologia e ampliar a presença de magistradas nas mesas de eventos sobre TI.
 
Ao final, ela fez um questionamento às magistradas presentes. “Você está preparada? Pensem nisso, se interessem por isso, o Judiciário brasileiro conta com você. É muito complicado ser uma das únicas ou a única mulher presente em várias mesas e ter muito trabalho para ser ouvida, se fazer ouvir. Então eu tenho certeza de que quando tivermos mais mulheres em mesas falando sobre esse assunto será melhor para todos e todas nós”, finalizou.
 
Participaram do evento como mediadora a desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, presidente do Comitê de Equidade de Gênero entre Homens e Mulheres do TJMT, e como co-mediador o desembargador Luiz Octavio Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro, membro da comissão do PJe e da comissão de governança de TI do Judiciário de Mato Grosso. Também participou do webinário o desembargador Hélio Nishiyama.
 
Na oportunidade, a desembargadora Vandymara Zanolo convidou dois os desembargadores a integrar a Associação Brasileira de Mulheres Juízas (ABMJ). O convite foi prontamente aceito pelos magistrados, que se disseram honrados em receber tal convite. “Desde que vim para o Tribunal defendo que a gente precisa construir uma magistratura forte e unida, que seja assertiva. Isso só conseguimos fazer eliminando as nossas diferenças, questões que limitam a atuação desta ou daquela pessoa. Tudo que for para fortalecer o Poder Judiciário, pode contar comigo”, pontuou Saboia.
 
  
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: print de tela colorido onde aparece uma imagem de uma mesa virtual, onde estão “sentados” quatro participantes do webinário. À direita, em destaque, a palestrante. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros compridos, que veste usa fones de ouvido. Imagem 2: print de tela colorido onde aparece, à esquerda, um slide da apresentação da palestrante. Há uma foto de Ruth Ginsburg (mulher branca, de óculos de grau), e, ao lado, uma citação dela. “As mulheres pertencem a todos os lugares onde as decisões são tomadas. As mulheres não deveriam ser a exceção.” À direita, imagens pequenas de quatro participantes e, abaixo, da palestrante.
 
Lígia Saito
Assessoria de Comunicação
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Dr. João recebe relatório inédito da CST do Nelore

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O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dr. João (MDB), recebeu em seu gabinete, na última terça-feira (2), a entrega simbólica do relatório final da Câmara Setorial Temática de Melhoria da Genética na Criação de Zebuínos, iniciativa criada por requerimento de sua autoria e que se tornou a primeira CST da história da ALMT totalmente dedicada à pecuária e ao melhoramento genético. O documento fecha um ciclo de debates técnicos e políticos que colocaram no centro da pauta temas como melhoramento genético de ponta, eficiência produtiva, performance e rentabilidade ao produtor, regularização ambiental com foco no CAR 2.0, segurança jurídica e criação de políticas públicas reais de fomento.

O deputado abriu espaço institucional dentro da Assembleia para um tema que movimenta a economia mato-grossense, gera empregos e impacta diretamente desde o pequeno até o grande produtor. No relatório, o próprio parlamentar ressalta que a melhoria genética dos rebanhos zebuínos não é apenas pauta técnica, mas uma política pública estratégica para a economia do Estado, para a sustentabilidade produtiva e para o futuro da pecuária.

“Quando criamos essa Câmara Temática, o nosso objetivo era muito claro: tirar esse debate do campo da conversa isolada e transformar conhecimento técnico em proposta concreta para quem produz em Mato Grosso. Fortalecer a genética do rebanho zebuíno é fortalecer a economia do Estado, gerar mais renda no campo e dar mais competitividade ao nosso agro”, afirmou Dr. João.

O relatório destaca que o estado reúne condições singulares para liderar nacionalmente o avanço do melhoramento genético de raças zebuínas, por ter o maior rebanho bovino do país, produtores tecnificados, instituições com conhecimento acumulado e ambiente político favorável. Ao mesmo tempo, o documento aponta que ainda existe um descompasso entre o potencial já instalado e os resultados efetivamente alcançados, sobretudo entre pequenos e médios produtores.

Esse diagnóstico ajuda a explicar o peso político da iniciativa de Dr. João. O relatório conclui que não falta genética em Mato Grosso, falta política pública estruturada para democratizar o acesso à genética. Também enumera os principais gargalos que travam esse avanço: ausência de assistência técnica contínua, dificuldades fundiárias e ambientais, pouca integração entre cadeia produtiva e poder público e obstáculos para que pequenos produtores consigam incorporar manejo, nutrição e gestão compatíveis com animais geneticamente superiores.

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Ao longo dos trabalhos, a CST reuniu discussões que passaram por todas as frentes decisivas para o setor. Houve debates sobre ciência aplicada ao melhoramento genético, nutrição gestacional, uso de reprodutores avaliados, acesso à assistência técnica, ultrassonografia de carcaça, regularização fundiária, entraves ambientais, CAR, crédito rural, impacto da reforma tributária e integração entre governo, entidades e cadeia produtiva. O resumo do relatório destaca que, ao fim de oito reuniões, foi formado um corpo coerente de análises técnicas, institucionais, econômicas e políticas capaz de embasar uma política pública robusta para o melhoramento genético da pecuária de corte em Mato Grosso.

No mérito, o documento deixa duas entregas centrais. A primeira é a defesa da criação de um Programa Estadual de Melhoramento Genético da Pecuária de Corte, com acesso democrático a reprodutores avaliados e biotecnologias, integração entre genética, manejo, nutrição e gestão, fortalecimento da Empaer, alinhamento entre crédito, meio ambiente e regularização fundiária, além de metas e indicadores de impacto econômico, social e ambiental. A segunda é a proposta de realização da ExpoGenética Mato Grosso, pensada como um evento nacional para transformar o Estado em referência institucional e mercadológica na genética zebuína.

Na prática, isso significa que a Câmara  não ficou restrita ao debate. O relatório aponta saídas concretas, com diretrizes, metas e fontes possíveis de financiamento, além de defender uma política permanente e não episódica para o setor. Entre as metas projetadas estão ampliar a inseminação, reduzir a idade média de abate, elevar rendimento de carcaça, aumentar marmoreio, eficiência alimentar e produtividade por hectare, com prioridade para pequenos e médios produtores.

O trabalho também reforça uma visão que Dr. João sustenta desde a instalação da CST: fortalecer o rebanho zebuíno é fortalecer uma cadeia que sustenta Mato Grosso. O texto introdutório do relatório trata a pecuária zebuína, especialmente o Nelore, como patrimônio estratégico do Estado, base de uma cadeia produtiva que gera empregos, renda, competitividade e crescimento econômico em todas as regiões. Também destaca que a modernização genética conversa diretamente com sustentabilidade, eficiência produtiva e posicionamento internacional da carne mato-grossense.

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“Mato Grosso já é gigante na pecuária, mas pode ser ainda maior quando transformar esse potencial em política pública estruturada. O que estamos entregando aqui é um caminho técnico, sério e possível para fazer a genética chegar na ponta, principalmente para quem mais precisa dela, que é o pequeno e o médio produtor”, declarou o deputado.

A CST foi formalmente aprovada em março de 2025, reunindo representantes do setor produtivo, da academia, de associações de criadores, órgãos públicos e técnicos da própria Assembleia. Participaram das discussões, segundo o relatório final, representantes da Nelore MT, Federação Mato-grossense de Agricultura (Famato), Associação dos criadores de Mato Grosso (Acrimat), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Fórum Agro MT, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (FESA), Sindicato Rural de Cuiabá, Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer-MT), Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF), , Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Desenvolve MT, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar), além de técnicos, pesquisadores, assessores legislativos, representantes de cooperativas, indústria frigorífica e outras instituições ligadas à pecuária e ao desenvolvimento rural. A composição oficial da CST também teve nomes como José Esteves de Lacerda Filho, Alexandre El Hage, Jociani Gonçalves de Oliveira, Marcos Carvalho, Francisco Manzi, Juliano Latorraca Ponce, Celso Nogueira, Rayane Lage Cordeiro, Carlos Bolzan, Leôncio Pinheiro da Silva Filho, Salvador Santos Pinto, Olímpio Riso de Brito, Xisto Bueno e Ida Beatriz Machado.



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