MATO GROSSO
Espaço para atendimento especializado às mulheres é inaugurado
MATO GROSSO
Inaugurado na manhã desta terça-feira (6), na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, o “Espaço Caliandra” prestará serviço especializado de atenção às mulheres cisgênero e transgênero em situação de violência. O atendimento contemplará as vítimas diretas de violência doméstica, familiar e outras violências contra o gênero feminino e de seus familiares e pessoas economicamente dependentes. A inciativa é do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio do Centro de Apoio Operacional (CAO) sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino.
“Esse espaço pretende ser um local de acolhimento, onde ofertaremos um atendimento multidisciplinar à vítima de violência doméstica, aos seus familiares e àquelas pessoas que dependem economicamente dessa mulher. Preparamos com muito cuidado e com muito zelo essa sala em que atuarão profissionais qualificados, inclusive para o serviço de assessoria jurídica, buscando dispensar à vítima o direito à informação sobre o processo dela, a fase em que se encontra e o que vai acontecer depois”, explicou a coordenadora do CAO, promotora de Justiça Gileade Souza Maia.
O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, destacou que a inauguração do “Espaço Caliandra”, com todo o cuidado dispensado pelo MPMT, é um momento simbólico. “Faz parte de um processo de mudança de cultura que vem ocorrendo, mesmo que de forma lenta, de as mulheres reconhecerem que sofrem violência e buscarem ajuda. E nós, do Ministério Público, não podemos perder essa vontade, que é um dever constitucional, de contribuir para essa mudança de cultura. Assim nasce esse projeto, como uma semente para ser levada futuramente aos demais polos como uma iniciativa estratégica”, considerou.
Ao enfatizar o avanço dos últimos anos, o procurador-geral de Justiça lembrou que, segundo o escritor Contardo Calligaris, o maior movimento político brasileiro desde a década de 70 é o das mulheres, na busca de garantir os seus direitos e espaços.
A subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Hellen Uliam Kuriki, reforçou que o “Espaço Caliandra” foi construído a muitas mãos. “Nosso objetivo é que, de fato, as mulheres se sintam acolhidas, compartilhem conosco seus anseios e busquem emponderar-se para seguir em frente. Espero que seja um espaço de recomeço para essas vítimas”, afirmou. Ao apresentar dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que apontam 1.319 feminicídios registrados no Brasil em 2021, a promotora de Justiça ainda defendeu que o enfrentamento à violência contra a mulher depende de um conjunto de ações.
Inspiração – Conforme a promotora de Justiça Gileade Souza Maia, a Caliandra é conhecida como a Flor do Cerrado brasileiro. “Portanto, é uma flor aqui do nosso estado, que tem uma característica muito peculiar, a capacidade de florescer em condições adversas. E isso nos faz lembrar muito as vítimas de violência doméstica, que são resilientes”, esclareceu.
A assistente social Raquel Mendes, que integra a equipe de atendimento do local, acrescentou que a ideia inicial de uma sala de atendimento a vítimas diretas e indiretas de violência doméstica foi lapidada aos poucos. “Cada palavra que colocamos aqui expressa uma diretriz teórica e metodológica para o atendimento que pretendemos prestar aqui. Então usamos a palavra espaço porque traduz a experiência que desejamos proporcionar, para além de uma simples sala institucional de atendimento. Todo esse cuidado é porque o serviço vai muito além de um atendimento, reforça o papel do Ministério Público dentro de uma rede de enfrentamento, de fomentar e fortalecer essa rede na capital”, pontuou.
Campanha – A inauguração do “Espaço Caliandra” integra a programação do “Dia D de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, que também inclui entrevistas em emissoras de televisão a respeito do tema e panfletagem no Centro de Cuiabá sobre os canais de atendimento oferecidos pelo Ministério Público, como a Ouvidoria das Mulheres. Para a coordenadora do CAO da Violência Doméstica, trata-se de um momento importante de conscientização da população sobre a necessidade de respeitar a mulher e protegê-la de todos os tipos de violência.
“No Brasil, ainda são poucas as pessoas que se engajam nessa luta contra a violência que atinge as mulheres. Mas, aqueles que o fazem, fazem verdadeiramente e de uma forma profunda e para sempre. Então, eu quero dizer que inaugurar esse espaço significa a realização de um grande sonho de todos os promotores de Justiça que atuam no enfrentamento à violência doméstica e dos colegas que nos antecederam nessa área, que deram início a esse trabalho de ir além da atuação processual”, declarou a promotora de Justiça Gileade Maia.
Agradecimento – A coordenadora do CAO da Violência Doméstica ainda salientou que o do “Dia D de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres” também tem o propósito de buscar um engajamento maior dos homens na luta contra a violência, conforme prevê a Campanha Nacional do Laço Branco. “Quero aproveitar esse momento para agradecer a presença e o apoio do nosso procurador-geral, que compreendeu a importância de ampliar o nosso trabalho para além do processo, possibilitando essa estrutura. Muito obrigada pelo apoio e por nos incentivar a continuar”, afirmou, dando a ele um laço branco, símbolo da campanha.
Dizendo-se honrado, José Antônio Borges Pereira agradeceu e disse estar feliz por viver esse momento, lembrando que o procurador-geral de Justiça é um catalisador de ideias e não faz nada sozinho.
Voltando-se à ouvidora-geral do MPMT, procuradora de Justiça Rosana Marra, a promotora de Justiça garantiu que o “Espaço Caliandra” veio para somar à Ouvidoria das Mulheres, oferecendo às vítimas uma ampliação dos canais de denúncia. A ouvidora enalteceu a importância de ter um lugar para encaminhar as vítimas após a escuta especializada.
Fonte: MP MT
MATO GROSSO
Dr. João recebe relatório inédito da CST do Nelore
O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dr. João (MDB), recebeu em seu gabinete, na última terça-feira (2), a entrega simbólica do relatório final da Câmara Setorial Temática de Melhoria da Genética na Criação de Zebuínos, iniciativa criada por requerimento de sua autoria e que se tornou a primeira CST da história da ALMT totalmente dedicada à pecuária e ao melhoramento genético. O documento fecha um ciclo de debates técnicos e políticos que colocaram no centro da pauta temas como melhoramento genético de ponta, eficiência produtiva, performance e rentabilidade ao produtor, regularização ambiental com foco no CAR 2.0, segurança jurídica e criação de políticas públicas reais de fomento.
O deputado abriu espaço institucional dentro da Assembleia para um tema que movimenta a economia mato-grossense, gera empregos e impacta diretamente desde o pequeno até o grande produtor. No relatório, o próprio parlamentar ressalta que a melhoria genética dos rebanhos zebuínos não é apenas pauta técnica, mas uma política pública estratégica para a economia do Estado, para a sustentabilidade produtiva e para o futuro da pecuária.
“Quando criamos essa Câmara Temática, o nosso objetivo era muito claro: tirar esse debate do campo da conversa isolada e transformar conhecimento técnico em proposta concreta para quem produz em Mato Grosso. Fortalecer a genética do rebanho zebuíno é fortalecer a economia do Estado, gerar mais renda no campo e dar mais competitividade ao nosso agro”, afirmou Dr. João.
O relatório destaca que o estado reúne condições singulares para liderar nacionalmente o avanço do melhoramento genético de raças zebuínas, por ter o maior rebanho bovino do país, produtores tecnificados, instituições com conhecimento acumulado e ambiente político favorável. Ao mesmo tempo, o documento aponta que ainda existe um descompasso entre o potencial já instalado e os resultados efetivamente alcançados, sobretudo entre pequenos e médios produtores.
Esse diagnóstico ajuda a explicar o peso político da iniciativa de Dr. João. O relatório conclui que não falta genética em Mato Grosso, falta política pública estruturada para democratizar o acesso à genética. Também enumera os principais gargalos que travam esse avanço: ausência de assistência técnica contínua, dificuldades fundiárias e ambientais, pouca integração entre cadeia produtiva e poder público e obstáculos para que pequenos produtores consigam incorporar manejo, nutrição e gestão compatíveis com animais geneticamente superiores.
Ao longo dos trabalhos, a CST reuniu discussões que passaram por todas as frentes decisivas para o setor. Houve debates sobre ciência aplicada ao melhoramento genético, nutrição gestacional, uso de reprodutores avaliados, acesso à assistência técnica, ultrassonografia de carcaça, regularização fundiária, entraves ambientais, CAR, crédito rural, impacto da reforma tributária e integração entre governo, entidades e cadeia produtiva. O resumo do relatório destaca que, ao fim de oito reuniões, foi formado um corpo coerente de análises técnicas, institucionais, econômicas e políticas capaz de embasar uma política pública robusta para o melhoramento genético da pecuária de corte em Mato Grosso.
No mérito, o documento deixa duas entregas centrais. A primeira é a defesa da criação de um Programa Estadual de Melhoramento Genético da Pecuária de Corte, com acesso democrático a reprodutores avaliados e biotecnologias, integração entre genética, manejo, nutrição e gestão, fortalecimento da Empaer, alinhamento entre crédito, meio ambiente e regularização fundiária, além de metas e indicadores de impacto econômico, social e ambiental. A segunda é a proposta de realização da ExpoGenética Mato Grosso, pensada como um evento nacional para transformar o Estado em referência institucional e mercadológica na genética zebuína.
Na prática, isso significa que a Câmara não ficou restrita ao debate. O relatório aponta saídas concretas, com diretrizes, metas e fontes possíveis de financiamento, além de defender uma política permanente e não episódica para o setor. Entre as metas projetadas estão ampliar a inseminação, reduzir a idade média de abate, elevar rendimento de carcaça, aumentar marmoreio, eficiência alimentar e produtividade por hectare, com prioridade para pequenos e médios produtores.
O trabalho também reforça uma visão que Dr. João sustenta desde a instalação da CST: fortalecer o rebanho zebuíno é fortalecer uma cadeia que sustenta Mato Grosso. O texto introdutório do relatório trata a pecuária zebuína, especialmente o Nelore, como patrimônio estratégico do Estado, base de uma cadeia produtiva que gera empregos, renda, competitividade e crescimento econômico em todas as regiões. Também destaca que a modernização genética conversa diretamente com sustentabilidade, eficiência produtiva e posicionamento internacional da carne mato-grossense.
“Mato Grosso já é gigante na pecuária, mas pode ser ainda maior quando transformar esse potencial em política pública estruturada. O que estamos entregando aqui é um caminho técnico, sério e possível para fazer a genética chegar na ponta, principalmente para quem mais precisa dela, que é o pequeno e o médio produtor”, declarou o deputado.
A CST foi formalmente aprovada em março de 2025, reunindo representantes do setor produtivo, da academia, de associações de criadores, órgãos públicos e técnicos da própria Assembleia. Participaram das discussões, segundo o relatório final, representantes da Nelore MT, Federação Mato-grossense de Agricultura (Famato), Associação dos criadores de Mato Grosso (Acrimat), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Fórum Agro MT, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (FESA), Sindicato Rural de Cuiabá, Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer-MT), Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF), , Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Desenvolve MT, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar), além de técnicos, pesquisadores, assessores legislativos, representantes de cooperativas, indústria frigorífica e outras instituições ligadas à pecuária e ao desenvolvimento rural. A composição oficial da CST também teve nomes como José Esteves de Lacerda Filho, Alexandre El Hage, Jociani Gonçalves de Oliveira, Marcos Carvalho, Francisco Manzi, Juliano Latorraca Ponce, Celso Nogueira, Rayane Lage Cordeiro, Carlos Bolzan, Leôncio Pinheiro da Silva Filho, Salvador Santos Pinto, Olímpio Riso de Brito, Xisto Bueno e Ida Beatriz Machado.
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