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Curso da Escola da Magistratura de Mato Grosso debate os desafios contemporâneos do sistema penal

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A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) realiza esta semana o curso ‘Desafios Contemporâneos do Sistema Penal: Internacionalização, Tecnologia e Inteligência Artificial’. O objetivo é capacitar os participantes a lidar com os novos desafios relacionados às ciências penais, especialmente para compreenderem a influência da globalização na atuação do magistrado, com especial atenção ao controle internacional dos direitos humanos, oriundo das cortes regionais de direitos humanos.
 
O curso também discute o papel da tecnologia na vida social e, consequentemente, o reflexo sobre as questões relacionadas ao uso da inteligência artificial. O tema é apresentado pelo professor-doutor em Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Adriano Japiassú.
 
Participam magistrados e magistradas, desembargadores e desembargadoras, servidores e servidoras do Poder Judiciário e convidados da Esmagis-MT, como representantes da Polícia Militar e Polícia Civil. O curso teve início no dia 12 de abril no formato ensino a distância e prossegue nos dias 13 e 14 de abril de forma presencial, sendo realizado na sede da Esmagis-MT.
 
“O curso fala sobre tecnologia, uso das redes sociais, temas como metaverso, inteligência artificial, tudo relacionado com a tecnologia e os crimes relacionados ao uso da tecnologia. Claro que tem um ser humano por trás de tudo isso, mas eles estão usando a tecnologia para a prática de crimes. Nós precisamos estudar, entender essas práticas, porque o nosso Código Penal é analógico, ele trouxe apenas situações em que essa prática de crime ainda não existia. É muito importante os juízes entenderem o que está acontecendo, começarem a se adaptar e aplicar, para punirem as pessoas que cometem esses crimes”, explica a diretora da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso, desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos.
 
Coordenador do curso, o juiz Antônio Veloso Peleja Júnior explica que “são novos temas que se inserem cotidianamente na sociedade, no mundo do Direito, e, por isso, o juiz e a juíza mato-grossense têm que ficar plenamente preparados e preparadas com as novas temáticas. Há uma dinâmica muito grande na sociedade, em todos os setores. Por isso, nós trouxemos o professor Carlos Eduardo, um grande especialista no tema, doutor, para que nos trouxesse os vários entendimentos acerca desses temas.
 
O professor Carlos Eduardo Adriano Japiassú registra que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos promoveram uma mudança no sistema civil criminal no mundo ocidental, que deixou de ser apenas investigativo e punitivo para atuar também de forma preventiva. “O mundo que a gente se refere hoje, em um sistema que é cada vez mais preventivo, é consequência de um fato do qual a gente (Brasil) não tem relação direta nenhuma. As relações sociais, hoje, se fazem muito mais em meio digital que meio físico. A gente vive em um mundo cada vez mais inter-relacionado e o que acontece num lugar se reflete no outro e a tecnologia muda as perspectivas”.
 
O professor cita como exemplo, o fato ocorrido esta semana, em que autoridades brasileiras tiveram um encontro oficial com representantes da rede social Twitter, cobrando medidas de prevenção a ataques a escolas (grupos em redes sociais estimulam a realização de ataques). As autoridades declararam que, caso o Twitter e outras redes sociais não colaborem, poderão sofrer sanções, inclusive podendo ser banidas do Brasil.
 
“Falar sobre as novas tecnologias, as modernidades, inseridas dentro de um contexto penal é primordial, principalmente porque o Poder Judiciário tem esse dever de sempre estar se atualizando. Então, essa busca pela atualização, pela modernização dos instrumentos é capaz de assegurar um melhor atendimento ao público, uma melhor prestação dos serviços judiciários e são temas que devem ser fomentados”, destaca Natália Nunes, servidora do 3º Juizado Cível de Cuiabá.
 
Currículo: Carlos Eduardo Adriano Japiassú possui doutorado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e fez estágio pós-doutoral na University of Warwick. É Professor Titular de Direito Penal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Professor Titular de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Direito – Mestrado e Doutorado – da Universidade Estácio de Sá. É também professor conferencista do Curso de Master Droit de l’Exécution de Peines et Droit de l’Hommes, organizado pelas Universidades de Bordeaux IV, de Pau et des Pays de l’Adour e École Nationale d`Administration Penitentiaire (ENAP), em Agen, na França.
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: Foto colorida, horizontal. O professor Carlos Eduardo Adriano Japiassú fala aos participantes do curso. Ele tem cabelos e pele clara, veste terno escuro e segura um microfone. Está na frente de um quadro de aula branco. A sua frente alguns participantes do curso. Imagem 2: Foto colorida, horizontal. A diretora da Esmagis-MT, desembargadora Helena Maria Ramos fala para os participantes do curso. Ela veste um vestido marrom claro com estampas de flores e segura um microfone. Ao fundo um painel de projeção de imagens. Imagem 3: Foto colorida, horizontal: Foto geral da sala do curso, com todos os participantes. Eles estão de costas. O professor Carlos Eduardo Adriano Japiassú está de frente e fala para todos. Ao fundo um painel com o nome do curso.
 
Angela Jordão
Assessora de Comunicação
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.

Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.

Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.

“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.

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O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.

Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.

Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.

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Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.



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