MATO GROSSO
Alfabetizados pelo Muxirum se matriculam na EJA e continuam em busca do tão sonhado diploma
MATO GROSSO
Dona Alice Barbosa de Oliveira, de 70 anos, é um exemplo de determinação e superação. Ela foi alfabetizada no ano passado pelo Muxirum e agora se matriculou na EJA. Diz estar empenhada em alcançar seus objetivos. Ela, que sempre sonhou em aprender a ler e escrever, conta que se sente realizada e até motivada a incentivar os mais jovens a não deixarem a oportunidade de estudar passar.
“Nasci no sítio, longe da cidade. Era tudo muito difícil e tive que me casar aos 16 anos. Naquela época, meu marido não permitiu que eu estudasse. Só após o nascimento da minha terceira filha que nos mudamos para Rondonópolis”, contou.
Depois de 50 anos casada, dona Alice ficou viúva, há 11 anos, mas só no ano passado pode viver o sonho de se sentar numa carteira de escola para aprender a ler e a escrever. “Eu sentia muita vontade de entender o que estava escrito nas coisas. Mas, como ia saber se nem escrever eu sabia? Hoje eu consigo ler e aprendi graças à professora do Muxirum”.
Seo Adão Francisco Santana, de 79 anos, foi colega de dona Alice na alfabetização e também se matriculou na EJA para continuar os estudos. Ele também nasceu e viveu na zona rural de Rondonópolis.
Conta que superou as dificuldades ao se mudar para a cidade e hoje se alegra ao dizer que há escolas para todos os lados. “A professora do Muxirum me ofereceu a oportunidade e eu não pensei duas vezes. Com o Muxirum tive a certeza de que ninguém iria tirar esse sonho de mim”.
Dona Alice e seo Adão não tiveram dificuldades, pois as aulas têm carga horária de 12 horas semanais, totalizando 384 horas anuais. O atendimento aos estudantes é flexibilizado e facilitado em relação ao local, podendo ser realizado em centros comunitários, igrejas ou escolas. As turmas são reduzidas, de 10 a 14 estudantes no máximo, para que tenham um desempenho melhor.
Condições favoráveis que levaram os dois até a conclusão, além de outros atributos. “Não foi difícil aprender porque a professora foi muito dedicada e carinhosa”, falou Adão. Já dona Alice, destacou a paciência da professora durante as aulas. “Ela pegava na minha mão e ia me ajudando a desenhar as letras. Depois, consegui fazer sozinha”, falou com o riso no rosto.
Parceria
De acordo com a Secretária Municipal de Educação de Rondonópolis, professora Mara Gleibe Ribeiro Clara da Fonseca, por meio do regime de colaboração com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), o Mais MT Muxirum tem sido um grande sucesso. “A meta, neste ano, é ampliar o número de matriculados no programa, pois temos todo o apoio da Seduc para isso”.
Quem também comemora os resultados é a coordenadora local do Mais MT Muxirum, professora Lindinalva da Silva Gomes. “Fico emocionada toda vez que recebo a notícia de que mais um dos alfabetizados pelo Muxirum procurou a EJA para dar continuidade à sua formação”, expressou ao comentar sobre os próximos passos do programa.
A exemplo dos demais municípios, Rondonópolis segue em ritmo acelerado para este ano. “Em março começam as formações e oficinas pedagógicas para coordenadores e professores, além da busca ativa dos estudantes e a efetivação das matrículas. O início das aulas está previsto para o mês de abril”, concluiu Lindinalva.
Expansão
O secretário de Estado de Educação, Alan Porto, destaca que o Governo de Mato Grosso mantém a meta de redução do analfabetismo no Estado para menos de 4% até o ano de 2025 e que o Mais MT Muxirum é uma ação fundamental para que isso ocorra.
Ele lembra que na alfabetização de jovens e adultos, o projeto já alfabetizou 52 mil pessoas desde 2021. “São mato-grossenses que já conseguem ler e escrever, graças ao esforço dos coordenadores e alfabetizadores que atuam em mais de 127 municípios que aderiram ao programa”. Para 2024, a perspectiva da Seduc é inscrever cerca de 18 mil pessoas no programa com a adesão de todos os 142 municípios.
Os investimentos até o final de 2024 somarão R$ 47,7 milhões. O Muxirum é uma das ações da Política Educação de Jovens e Adultos – EJA, uma das 30 políticas educacionais do Plano EducAção 10 Anos, que objetiva colocar a Rede Estadual de Ensino entre as redes públicas mais bem avaliadas no país até 2032.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Dr. João recebe relatório inédito da CST do Nelore
O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Dr. João (MDB), recebeu em seu gabinete, na última terça-feira (2), a entrega simbólica do relatório final da Câmara Setorial Temática de Melhoria da Genética na Criação de Zebuínos, iniciativa criada por requerimento de sua autoria e que se tornou a primeira CST da história da ALMT totalmente dedicada à pecuária e ao melhoramento genético. O documento fecha um ciclo de debates técnicos e políticos que colocaram no centro da pauta temas como melhoramento genético de ponta, eficiência produtiva, performance e rentabilidade ao produtor, regularização ambiental com foco no CAR 2.0, segurança jurídica e criação de políticas públicas reais de fomento.
O deputado abriu espaço institucional dentro da Assembleia para um tema que movimenta a economia mato-grossense, gera empregos e impacta diretamente desde o pequeno até o grande produtor. No relatório, o próprio parlamentar ressalta que a melhoria genética dos rebanhos zebuínos não é apenas pauta técnica, mas uma política pública estratégica para a economia do Estado, para a sustentabilidade produtiva e para o futuro da pecuária.
“Quando criamos essa Câmara Temática, o nosso objetivo era muito claro: tirar esse debate do campo da conversa isolada e transformar conhecimento técnico em proposta concreta para quem produz em Mato Grosso. Fortalecer a genética do rebanho zebuíno é fortalecer a economia do Estado, gerar mais renda no campo e dar mais competitividade ao nosso agro”, afirmou Dr. João.
O relatório destaca que o estado reúne condições singulares para liderar nacionalmente o avanço do melhoramento genético de raças zebuínas, por ter o maior rebanho bovino do país, produtores tecnificados, instituições com conhecimento acumulado e ambiente político favorável. Ao mesmo tempo, o documento aponta que ainda existe um descompasso entre o potencial já instalado e os resultados efetivamente alcançados, sobretudo entre pequenos e médios produtores.
Esse diagnóstico ajuda a explicar o peso político da iniciativa de Dr. João. O relatório conclui que não falta genética em Mato Grosso, falta política pública estruturada para democratizar o acesso à genética. Também enumera os principais gargalos que travam esse avanço: ausência de assistência técnica contínua, dificuldades fundiárias e ambientais, pouca integração entre cadeia produtiva e poder público e obstáculos para que pequenos produtores consigam incorporar manejo, nutrição e gestão compatíveis com animais geneticamente superiores.
Ao longo dos trabalhos, a CST reuniu discussões que passaram por todas as frentes decisivas para o setor. Houve debates sobre ciência aplicada ao melhoramento genético, nutrição gestacional, uso de reprodutores avaliados, acesso à assistência técnica, ultrassonografia de carcaça, regularização fundiária, entraves ambientais, CAR, crédito rural, impacto da reforma tributária e integração entre governo, entidades e cadeia produtiva. O resumo do relatório destaca que, ao fim de oito reuniões, foi formado um corpo coerente de análises técnicas, institucionais, econômicas e políticas capaz de embasar uma política pública robusta para o melhoramento genético da pecuária de corte em Mato Grosso.
No mérito, o documento deixa duas entregas centrais. A primeira é a defesa da criação de um Programa Estadual de Melhoramento Genético da Pecuária de Corte, com acesso democrático a reprodutores avaliados e biotecnologias, integração entre genética, manejo, nutrição e gestão, fortalecimento da Empaer, alinhamento entre crédito, meio ambiente e regularização fundiária, além de metas e indicadores de impacto econômico, social e ambiental. A segunda é a proposta de realização da ExpoGenética Mato Grosso, pensada como um evento nacional para transformar o Estado em referência institucional e mercadológica na genética zebuína.
Na prática, isso significa que a Câmara não ficou restrita ao debate. O relatório aponta saídas concretas, com diretrizes, metas e fontes possíveis de financiamento, além de defender uma política permanente e não episódica para o setor. Entre as metas projetadas estão ampliar a inseminação, reduzir a idade média de abate, elevar rendimento de carcaça, aumentar marmoreio, eficiência alimentar e produtividade por hectare, com prioridade para pequenos e médios produtores.
O trabalho também reforça uma visão que Dr. João sustenta desde a instalação da CST: fortalecer o rebanho zebuíno é fortalecer uma cadeia que sustenta Mato Grosso. O texto introdutório do relatório trata a pecuária zebuína, especialmente o Nelore, como patrimônio estratégico do Estado, base de uma cadeia produtiva que gera empregos, renda, competitividade e crescimento econômico em todas as regiões. Também destaca que a modernização genética conversa diretamente com sustentabilidade, eficiência produtiva e posicionamento internacional da carne mato-grossense.
“Mato Grosso já é gigante na pecuária, mas pode ser ainda maior quando transformar esse potencial em política pública estruturada. O que estamos entregando aqui é um caminho técnico, sério e possível para fazer a genética chegar na ponta, principalmente para quem mais precisa dela, que é o pequeno e o médio produtor”, declarou o deputado.
A CST foi formalmente aprovada em março de 2025, reunindo representantes do setor produtivo, da academia, de associações de criadores, órgãos públicos e técnicos da própria Assembleia. Participaram das discussões, segundo o relatório final, representantes da Nelore MT, Federação Mato-grossense de Agricultura (Famato), Associação dos criadores de Mato Grosso (Acrimat), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Fórum Agro MT, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (FESA), Sindicato Rural de Cuiabá, Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer-MT), Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SEAF), , Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Desenvolve MT, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar), além de técnicos, pesquisadores, assessores legislativos, representantes de cooperativas, indústria frigorífica e outras instituições ligadas à pecuária e ao desenvolvimento rural. A composição oficial da CST também teve nomes como José Esteves de Lacerda Filho, Alexandre El Hage, Jociani Gonçalves de Oliveira, Marcos Carvalho, Francisco Manzi, Juliano Latorraca Ponce, Celso Nogueira, Rayane Lage Cordeiro, Carlos Bolzan, Leôncio Pinheiro da Silva Filho, Salvador Santos Pinto, Olímpio Riso de Brito, Xisto Bueno e Ida Beatriz Machado.
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