MATO GROSSO
Adoção homoafetiva – disruptura do preconceito 13 anos depois de o STF reconhecer união homoafetiva
MATO GROSSO
“Quando fui me entendendo como homem gay, sabia que não iria ter uma esposa e para me tornar pai, não poderia ser da forma natural”. Em outubro de 2013, os irmãos Lorenzo, de quatro anos, e Victor Hugo, de quase um ano, deixaram a instituição que os abrigavam no município de Rondonópolis–MT, para conhecerem, pela primeira vez, um lar. Local onde encontraram respeito, amor e segurança, ao lado de seus pais, o juiz Wagner Plaza, autor da frase que abre esta matéria, e o advogado Fábio Bazotti.
Responsável pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Várzea Grande e integrante da Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Estado de Mato Grosso (CEJA-MT), a juíza Christiane da Costa Marques Neves, explica um pouco sobre o ato de adoção.
“Somos o primeiro casal homoafetivo a conseguir registrar as crianças em Mato Grosso”, afirma o juiz Wagner Plaza. A conquista partiu de uma provocação do casal, enquanto tentavam fazer as identidades das crianças. “A Politec não conseguia fazer os documentos, porque o sistema só permitia a inclusão dos nomes de mãe e pai. Isso acontecia porque, infelizmente, temos no Brasil uma absurda quantidade de crianças sem pai, mas todas têm mãe. Então o sistema da Politec não permitia fazer a identidade dos meninos, com dois pais”.
Advogado e acadêmico em Biomedicina, Fábio Bazotti, recorda do processo até a decisão pela adoção. “Demorou um pouco para decidirmos a questão da adoção. Eu sempre tive a vontade de acompanhar todas as fases de uma criança: a primeira cólica do bebê, os primeiros passos. Queria vivenciar todos esses momentos. O Wagner, pela questão da magistratura que o fez presenciar a realidade de várias de família, ele via o lado das crianças mais velhas, que dificilmente eram adotadas. Demorou um tempo para chegarmos a um consenso”.Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT
MATO GROSSO
ALMT aprova em 1ª votação projeto que destrava emendas
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou em primeira votação, na sessão desta quarta-feira (21), o Projeto de Lei nº 546/2026 , de autoria do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que altera a Lei Estadual nº 10.587/2017 para permitir que emendas parlamentares sejam destinadas de forma direta e simplificada às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e a outras entidades sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência.
Pelo texto, as emendas individuais e de bancada poderão ser repassadas por meio de termo de fomento, sem chamamento público quando os recursos forem provenientes de emendas parlamentares, possibilidade já prevista na legislação federal (Lei nº 13.019/2014). A indicação do parlamentar deverá conter a identificação da entidade, a finalidade pública, o valor e o órgão estadual responsável pela execução.
Para Gilberto Cattani, o excesso de burocracia tem dificultado o direcionamento de emendas às instituições e impedido que os recursos cheguem a quem precisa.
“Temos tentado mandar emendas para as Apaes e temos conseguido, mas a burocracia é gigantesca. Muitas vezes a gente tem que mandar para uma secretaria da Prefeitura para que ela faça o repasse, e isso muitas vezes inviabiliza. Existem situações em que as emendas foram, inclusive, devolvidas porque não conseguiram chegar ao destino final”, disse o deputado.
O projeto também determina que o governo adote um rito simplificado e prioritário, exigindo apenas os documentos indispensáveis. Pendências meramente formais não poderão impedir o andamento do processo, e a entidade deverá receber notificação e prazo para corrigir eventuais falhas, além de orientação do órgão estadual sobre o plano de trabalho, a documentação e a prestação de contas.
Questionado sobre o projeto, o parlamentar reafirmou a importância das associações para os municípios. “As Apaes têm um papel fundamental de acolhimento a pessoas com alguma deficiência, mas também para as famílias dessas pessoas. Nós queremos que elas recebam esse recurso sem burocracia, de forma simples e direta. O nosso projeto faz com que a emenda possa ser direcionada diretamente para a instituição, de maneira muito simplificada. E isso vai trazer um benefício enorme para essas pessoas que precisam das Apaes em todo o estado”.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção das entidades, na aquisição de equipamentos e veículos adaptados, além da realização de obras e reformas. A proposta mantém a exigência de plano de trabalho, fiscalização e prestação de contas. O órgão estadual também não poderá recusar a execução da emenda com base em exigências burocráticas sem amparo legal.
Na justificativa, o deputado destaca que as Apaes têm papel histórico na assistência, na educação, na habilitação e na inclusão de pessoas com deficiência e que, em muitos municípios mato-grossenses, suprem lacunas na atuação do poder público. Segundo o texto, o excesso de exigências, a demora na análise e a insegurança quanto à execução dificultam a chegada dos recursos às instituições que prestam atendimento.
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