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Pressão bancária amplia busca por reorganização financeira

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O avanço da inadimplência empresarial no Brasil reforça os sinais de pressão financeira sobre diversos setores da economia. Dados da Serasa Experian apontam que o país alcançou níveis recordes de empresas inadimplentes, o que reflete um ambiente de crédito mais restrito, custos financeiros elevados e desafios crescentes para a manutenção da liquidez e da previsibilidade financeira.

Nesse cenário, adotar uma gestão de crises financeiras se tornou uma ferramenta estratégica para empresas, produtores rurais e profissionais liberais, assim como também para qualquer pessoa que busca preservar capacidade de negociação, proteger patrimônio e manter a continuidade de suas atividades.

Em muitos casos, no entanto, a busca por soluções ocorre apenas quando a capacidade de negociação e previsibilidade financeira já foi reduzida, momento em que os riscos financeiros e patrimoniais se tornam mais evidentes e as decisões estratégicas passam a ser tomadas sob pressão.

Especialista em gestão de crises financeiras, reorganização de passivos e proteção patrimonial, a advogada Júlia Turrek atua há mais de duas décadas assessorando empresas e profissionais liberais afirma que um dos principais equívocos está na ideia de que a dificuldade financeira permanecerá estável ou será naturalmente resolvida.

“Ao longo dos anos, assessorando empresas em diferentes estágios de crise financeira, percebo um padrão recorrente: muitos gestores acreditam que conseguirão reorganizar a situação mais adiante ou que a própria atividade econômica absorverá a pressão financeira. Na prática, essas alternativas tendem a diminuir à medida que a crise evolui”, afirma.

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Segundo a especialista, o processo de deterioração costuma ocorrer de forma gradual e nem sempre é percebido nos estágios iniciais. Frequentemente, começa com dificuldades pontuais de fluxo de caixa, avança para o uso recorrente de linhas de crédito e culmina em renegociações sucessivas que não atacam a origem do problema.

“Uma situação recorrente é a utilização de novas operações para sustentar compromissos anteriores. Nesse momento, a questão deixa de ser apenas financeira e passa a envolver decisões estratégicas relacionadas à continuidade do negócio, preservação patrimonial e capacidade de recuperação”, sintetiza.

A especialista também ressalta que “grande parte das perdas patrimonialismo não decorre apenas do endividamento, mas das decisões tomadas durante a tentativa de resolver o problema. Em cenários de pressão financeira, é comum que gestores e famílias priorizem soluções imediatas sem avaliar adequadamente seus impactos futuros”.

Em muitos casos, os efeitos da crise ultrapassam a atividade econômica e passam a atingir o patrimônio construído ao longo de anos. Imóveis, propriedades rurais, participações societárias e outros ativos estratégicos podem se tornar progressivamente mais expostos quando a deterioração financeira não é acompanhada de uma estratégia adequada de reorganização.

Na avaliação de Julia, o principal risco não está no tamanho da dívida, mas na perda progressiva de previsibilidade financeira e de capacidade de negociação. “Quando a pressão aumenta, as instituições financeiras passam a atuar com maior cautela na gestão de risco, o que torna a negociação mais complexa e limita as possibilidades de reorganização”.

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A especialista destaca que a busca por apoio técnico ainda ocorre, na maior parte das vezes, em fases avançadas da crise. “Quanto mais cedo houver diagnóstico, clareza sobre os riscos e definição de estratégia, maiores tendem a ser as possibilidades de reorganização financeira, proteção patrimonial e recuperação do controle sobre a situação”.

Segundo a advogada, a reorganização financeira não deve ser vista apenas como uma resposta ao endividamento, mas como uma ferramenta de gestão voltada à preservação da continuidade dos negócios. “Grande parte do nosso trabalho consiste justamente em auxiliar empresas sob pressão financeira a recuperar previsibilidade, ampliar alternativas de negociação e proteger ativos estratégicos antes que a crise alcance estágios mais severos”, finaliza Julia.

Quem é Julia Turrek?

Julia Turrek é advogada e consultora estratégica com atuação em reorganização financeira, gestão de crises bancárias, renegociação de passivos e proteção patrimonial. Há mais de 20 anos assessora empresários, produtores rurais, profissionais liberais, investidores, grupos familiares e outros agentes econômicos em processos de reestruturação financeira e gestão de crises.



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Mercado imobiliário de 2026 revela cenário de contrastes

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O cenário analisado aponta para direções opostas: uma aceleração no setor popular, devido aos incentivos habitacionais; e uma queda no segmento de alta renda diante dos juros, que impacta diretamente no valor dos aluguéis e na oferta de crédito.

Já nos setores de construção e incorporação, o país vive um momento de adaptação estratégica. De acordo com o Valor Econômico, os lançamentos na capital paulista registraram recuo de 5% no primeiro trimestre, puxados pela retração dos segmentos de médio e alto padrão. Esse dado contrasta bastante com o desempenho nacional medido pela Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), em que os lançamentos subiram 19,3% no acumulado de 12 meses. Esse crescimento nacional é impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que funciona como um amortecedor para as grandes construtoras manterem suas margens de lucro saudáveis.

Essa cautela na compra da casa própria por parte da classe média, assustada com as taxas de juros, pressionou o mercado de locação. Em abril, o Índice FipeZAP registrou um avanço de 1,04%, a maior alta mensal em um ano. Com a demanda aquecida e a oferta de imóveis prontos limitada, os preços dos aluguéis dispararam muito acima da inflação oficial.

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Para Ana Carolina Gozzi, co-CEO do Compre & Alugue Agora, esse cenário redesenha o comportamento de consumo. “A classe média é empurrada para o aluguel devido às barreiras do financiamento tradicional. Para o investidor, essa escalada transforma a locação residencial em uma das ferramentas de maior proteção patrimonial e rentabilidade em 2026”, analisa a executiva.

Em contrapartida, o setor financeiro começou a se movimentar de forma agressiva. Mesmo com o Banco Central fixando a taxa Selic em 14,5% ao ano, instituições privadas liberaram crédito. O grande destaque do período é o Santander, que passou a permitir o financiamento de até 90% do valor do imóvel em operações selecionadas, reduzindo a barreira de entrada do comprador para apenas 10%. De forma paralela, o mercado de home equity (crédito com garantia de imóvel) bateu recorde histórico, movimentando R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

De acordo com Ana Carolina, a engenharia financeira se tornou o principal pilar de sustentação do mercado. “As instituições perceberam que precisavam flexibilizar as regras para capturar o comprador de média e alta renda. Movimentos como reduzir o valor de entrada e o teto recorde do home equity provam que o mercado imobiliário está criando mecanismos criativos para gerar liquidez e manter as engrenagens girando, transformando um cenário macroeconômico complexo em previsibilidade de negócios”.

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O panorama analisado indica que o sucesso no setor imobiliário depende da capacidade de se adaptar às oscilações do mercado. O contraste entre a força do segmento popular e a cautela da alta renda, impulsionado pela flexibilidade do crédito bancário e forte demanda de locação, exige que construtores e investidores abandonem velhas práticas. Compreender essa situação e antecipar as flutuações trimestrais é garantia da resiliência patrimonial e lucratividade em futuras negociações.



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