ECONOMIA
PR, GO, MG, SE e SP lideram em Liberdade para Trabalhar
ECONOMIA
Os empreendedores no Paraná, em Goiás, em Minas Gerais, em Sergipe e em São Paulo encontram menos burocracia e podem exercer mais atividades econômicas sem precisar de alvarás estaduais, aponta a nova edição do Ranking Nacional de Liberdade para Trabalhar – Nível Estadual, produzido pelo Instituto Liberal de São Paulo (ILISP).
A aplicação da Lei de Liberdade Econômica (LLE) é desigual no país: avança no Sul e no Sudeste, enquanto tem pouco alcance no Norte e no Nordeste, mesmo após quase sete anos da sanção da lei federal.
Segundo o levantamento, o Paraná lidera com 975 CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) dispensados da exigência de alvarás. Logo atrás aparecem Goiás (960 CNAEs), Minas Gerais (945), Sergipe (936), São Paulo (927) e Piauí (908), os seis únicos a alcançar o nível verde-escuro, o mais elevado do estudo.
Um degrau abaixo, no nível verde, figuram Santa Catarina (896 CNAEs livres de alvará), Pernambuco (846) e Rio Grande do Sul (770).
No terceiro patamar, o verde claro, aparecem Espírito Santo (620 CNAEs), Mato Grosso do Sul (612), Maranhão (572) e Rio de Janeiro (532).
O nível laranja, o quarto da escala, reúne os estados cuja regulação é igual ou inferior à federal, que dispensa 298 CNAEs de alvarás: Acre (298), Alagoas (298), Mato Grosso (290), Distrito Federal (287) e Pará (264).
No nível rosa, o antepenúltimo, estão os estados que já têm a LLE, mas ainda não definiram as atividades econômicas de baixo risco: Rio Grande do Norte (lei de 2025), Rondônia (lei de 2024), Amapá (lei de 2023) e Roraima (lei de 2020).
Por último, no nível vermelho, estão os estados sem qualquer lei ou decreto estadual que preveja a dispensa de alvarás para atividades de baixo risco: Bahia (que conta apenas com uma portaria da Vigilância Sanitária), Amazonas (em que a dispensa de alvarás foi vetada duas vezes), Ceará, Paraíba (cujo projeto de lei foi vetado) e Tocantins.
Lei de Liberdade Econômica: o que é e como avança a adoção
Criada para enxugar a burocracia sobre as atividades econômicas e tornar mais simples abrir e manter empresas, a Lei de Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019, a “LLE”) completa sete anos em 20 de setembro. Seu principal efeito para o empreendedor é a dispensa de alvarás para atividades de baixo risco, o que permite abrir e manter negócios de forma mais rápida, barata e objetiva.
Pela regulação federal, 298 atividades econômicas (os CNAEs) ficam dispensadas de alvarás, mas cabe aos estados e municípios regulamentar a lei para que a dispensa seja válida, de fato, em todos os órgãos (Bombeiros, Defesa Agropecuária, Fazenda, Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, entre outros).
Ainda assim, quase sete anos após a sanção da lei, apenas 44,3% dos municípios adotaram a LLE, conforme mostra o site do projeto Liberdade para Trabalhar do ILISP. Nele, é possível encontrar o mapeamento e o link de cada uma das legislações nos 2.466 municípios que aprovaram a lei, além das normas estaduais e suas atualizações. A iniciativa oferece consultoria gratuita para a adoção da lei nos estados e municípios.
Dois estudos conduzidos pelo ILISP mostram que os municípios que aprovaram a lei tiveram uma alta de 40% na média de contratações em relação ao período anterior à lei e um crescimento de 89% na média anual de empresas abertas após a adoção da lei.
Sul e Sudeste têm mais liberdade para trabalhar
Além de abrigarem três dos cinco estados mais livres em suas regulações estaduais (Paraná, São Paulo e Minas Gerais), o Sul e o Sudeste reúnem os maiores índices de adoção da LLE entre os municípios: São Paulo (100% aderiram aos princípios da lei, embora a maior parte ainda precise definir a lista de atividades dispensadas), Espírito Santo (93,6%), Santa Catarina (85,1%) e Minas Gerais (71,8%).
Em valores absolutos, quem mais se sobressai é Minas Gerais: dos 853 municípios mineiros, 612 já aprovaram a LLE e a regulamentaram.
Há poucos meses, Santa Catarina sancionou, com o apoio do ILISP, o PL 563/2024, que isenta 896 atividades da exigência de alvará.
No Sul, estão também o município campeão em dispensa de atividades de baixo risco, Medianeira (PR), com 1.247 CNAEs, e as duas capitais com mais atividades dispensadas: Porto Alegre (1.179) e Curitiba (1.164).
Centro-Oeste: Goiás na frente, enquanto Goiânia continua sem LLE
Com o apoio do ILISP, Goiás editou decreto que define 960 atividades econômicas como de baixo risco, o segundo maior número do país. Na sequência aparecem o Mato Grosso do Sul (612), o Mato Grosso (290) e o Distrito Federal (287).
Em percentual de municípios que adotaram a lei, o Mato Grosso do Sul lidera (51,9%), à frente do Mato Grosso (23,2%) e de Goiás (9,8%). No nível das capitais, Goiânia (GO) segue sem aprovar a LLE.
Norte e Nordeste: adesão baixa ainda é a regra
No Nordeste, a adoção da lei está abaixo da média nacional. Dos nove estados da região, quatro já têm a dispensa de alvarás regulamentada: Sergipe (936 CNAEs), Piauí (908), Pernambuco (846) e Maranhão (572). Alagoas tem a lei desde 2020, mas a dispensa de alvarás foi vetada. Bahia, Ceará e Paraíba seguem sem lei estadual, enquanto o Rio Grande do Norte tem a norma, mas ainda não a regulamentou.
A adesão dos municípios à lei é baixa. Alagoas é o estado com mais cidades sob a LLE (27,5%), à frente de Ceará (26,1%), Bahia (20,6%), Maranhão (18,4%), Pernambuco (16,8%), Piauí (14,3%), Paraíba (12,6%), Sergipe (10,7%) e Rio Grande do Norte (7,8%). Recife (PE) se destaca como a terceira capital do país em CNAEs dispensados (1.131) e a primeira da região, enquanto São Luís (MA) ainda não regulamentou a LLE.
No Norte, apenas 2 dos 7 estados aplicam a LLE: Acre (298 CNAEs dispensados) e Pará (264). Rondônia (desde 2024), Amapá (desde 2023) e Roraima (desde 2020) têm a lei, mas ainda não a regulamentaram. No Amazonas, a dispensa foi vetada duas vezes; no Tocantins, sequer há lei estadual.
No percentual de municípios que aprovaram a lei, o Amapá lidera o Norte (25%), seguido de Roraima (20%), Rondônia (17,3%), Pará (16%), Acre (13,6%), Tocantins (5,8%) e, com o menor índice do país, Amazonas (3,2%). O destaque é Boa Vista (RR), com 1.072 atividades dispensadas, a quarta capital que mais libera atividades no país e a primeira do Norte.
ECONOMIA
Preço de alimentos recua, e inflação oficial de junho fica em 0,16%
Os preços dos alimentos tiveram a primeira queda desde novembro de 2025 e ajudaram a inflação oficial fechar o mês de junho em 0,16%. O resultado mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o menor desde outubro de 2025 .
O dado de junho mostra que a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido. Em maio, o índice era de 0,58%. Em 12 meses, o IPCA soma 4,64%, ainda acima da meta do governo de até 4,5%, mas abaixo do acumulado até maio, quando era 4,72%. Em junho de 2025, o IPCA foi de 0,24%.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No semestre, a inflação acumulada fica em 3,36%. Veja o comportamento da inflação oficial nos últimos meses:
- Junho: 0,16%
- Maio: 0,58%
- Abril: 0,67%
- Março: 0,88%
- Fevereiro: 0,70%
- Janeiro: 0,33%
O IPCA do mês passado veio abaixo da estimativa do mercado. O relatório Focus da última segunda-feira (6), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projeta que a inflação de junho ficaria em 0,32%. Para o fim de 2026, a projeção do mercado é de 5,3%.
Alimentos
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, os alimentos representaram a maior pressão de baixa de preços .
Confira os desempenhos e os impactos em pontos percentuais (p.p.):
- Alimentação e bebidas: -0,24% (-0,05 p.p.)
- Habitação: 0,63% (0,10 p.p.)
- Artigos de residência: 0,23% (0,01 p.p.)
- Vestuário: 0,17% (0,01 p.p.)
- Transportes: 0,17% (0,03 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,25% (0,02 p.p.)
- Educação: -0,02% (0,00 p.p.)
- Comunicação: 0,19% (0,01 p.p.)
Dentro do grupo alimentação, a alimentação no domicílio ficou em média 0,39% mais barata.
É a primeira deflação (inflação negativa) desde novembro de 2025 e o menor número desde agosto de 2025 (-0,83%). Já a alimentação fora do domicílio ficou em 0,15%.
Entre os produtos alimentícios, os que mais puxaram o IPCA para baixo foram:
- Café moído: -3,72% (-0,02 p.p.)
- Frutas: -1,58% (-0,02 p.p.)
- Carnes: -0,64% (-0,02 p.p.)
- Açaí (emulsão): -14,41% (-0,01 p.p.)
- Óleo de soja: -2,78% (-0,01 p.p.)
- Tomate: -2,02% (-0,01 p.p.)
De acordo com o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, o recuo dos preços dos alimentícios mostram uma tendência e representam devolução de altas recentes e maior oferta de alguns produtos, como o tomate.
Habitação
A maior pressão de alta ficou com o grupo habitação. Dentro desse grupo fica o custo da energia elétrica, que subiu 1,53%, sendo o elemento que mais contribuiu para a inflação no mês . A explicação está na manutenção da bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, além de reajustes em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Como o IPCA é um índice nacional, os reajustes locais entram no cálculo da inflação média do país.
Transportes
Dentro do grupo transportes, as passagens aéreas (7,12%) puxaram a inflação para cima, enquanto os combustíveis ficaram 0,48% mais baratos:
- etanol: -3,09%
- óleo diesel: -1,19%
- gás veicular: -0,19%
- gasolina: -0,12%
Espalhamento
O índice de difusão, que mostra o quanto a inflação está espalhada, foi de 54%, ou seja, mais da metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE teve aumento de preço. O dado de junho é o menor desde outubro de 2025 (52%).
Preços de serviços e monitorados
O IBGE desagrega o IPCA em dois grupos, o de serviços, que traz os preços que sofrem mais influência do aquecimento ou esfriamento da economia – ou seja, mais suscetíveis à taxa de juros – e o de preços monitorados, que costumam ser controlados por contratos, e os combustíveis.
Em junho, o grupo de serviços subiu 0,34%, menos que no mês anterior (0,40%). Já os monitorados variaram 0,29%, também menos que em maio (0,43%).
Inflação oficial
O IPCA é o índice utilizado pelo Banco Central (BC) para monitorar a política de meta de inflação.
A meta atual estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%.
Desde o início de 2025, o período de avaliação é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.
O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todos, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços).
A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
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