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Produtor precisa de cautela e planejamento para enfrentar cenário de guerra comercial

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A nova safra brasileira de grãos, prevista para alcançar um recorde de 328,3 milhões de toneladas, surge em meio a um cenário internacional turbulento. A tensão mundial provocada pelo “tarifaço” de Donald Trump abalou o mercado mundial e acendeu um alerta: estamos diante de uma verdadeira “terceira guerra mundial” — não com tanques e soldados, mas com tarifas, retaliações e impactos profundos no mercado agrícola.

Essa guerra comercial, iniciada por decisões protecionistas da maior economia do mundo, está provocando reações em cadeia. Tarifas de até 34% estão sendo aplicadas em diversos produtos, e a China, um dos maiores compradores mundiais de soja, respondeu à altura, cortando drasticamente as importações norte-americanas. Nesta sexta-feira (04.04) as ações de todas as bolsas despencam, os títulos disparam, o petróleo atingiu menor valor em quatro anos, e as commodities agrícolas oscilaram para baixo e, consequentemente, os preços pagos ao produtor brasileiro também derreteram.

Diante dessa espécie de guerra silenciosa travada nas bolsas, nas tarifas e nas decisões políticas globais, o produtor rural brasileiro precisa estar mais atento do que nunca. O momento exige inteligência estratégica: usar bem a tecnologia, diversificar mercados, proteger a produção contra o clima e buscar alternativas de crédito vantajosas são caminhos para enfrentar os próximos meses.

Segundo analistas, se por um lado, a redução da competitividade dos Estados Unidos abre espaço para que o Brasil conquiste novos mercados, especialmente junto aos compradores chineses; de outro, esse “benefício” vem acompanhado de riscos: com a atividade econômica global desacelerando, os preços das commodities agrícolas tendendo a cair ainda mais, reduzindo a margem de lucro de quem planta e colhe.

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Essa nova ordem mundial está exigindo muito mais do produtor rural. Se antes bastava plantar e colher bem, hoje é necessário navegar por um mar de incertezas geopolíticas, financeiras e climáticas. É um jogo de xadrez onde cada movimento no exterior afeta diretamente a realidade dentro da porteira.

No campo financeiro, outro obstáculo desafia o planejamento do agricultor: o custo do dinheiro. Com a taxa básica de juros em patamares elevados, os financiamentos estão mais caros e burocráticos. Muitos produtores estão enfrentando juros na casa dos 19% ao ano, o que exige ainda mais cautela na hora de contratar crédito.

Os bancos estão mais rigorosos, exigindo garantias, analisando com mais atenção a capacidade de pagamento e a segurança produtiva das lavouras. Ou seja, quem não estiver preparado e bem estruturado pode ficar fora do jogo.

Diante desse novo tabuleiro global, investir em segurança produtiva se tornou uma necessidade. A irrigação, por exemplo, vem ganhando destaque como uma das principais ferramentas para garantir estabilidade mesmo em anos de clima adverso. Sistemas como pivôs irrigados permitem ao produtor ampliar a produtividade e até realizar mais de uma safra ao ano, o que representa uma vantagem competitiva significativa.

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Além de aumentar a produção, o uso de tecnologias como a irrigação melhora a imagem do produtor diante das instituições financeiras, que começam a enxergar esses investimentos como uma espécie de garantia adicional na hora de liberar crédito.

Outra opção é o cooperativismo e as parcerias estratégicas com instituições financeiras. Há esforços crescentes para facilitar o acesso ao crédito, inclusive por meio de financiamentos próprios e convênios com bancos e cooperativas. Programas estaduais, como o Irriga + SP, surgem como alternativas importantes, embora ainda pouco utilizados.

Além disso, os recursos disponíveis em programas federais, como o Proirriga, dentro do Plano Safra, ainda podem ser acessados — mas é preciso agir rápido. A alta dos juros pressiona o orçamento público, e ninguém sabe por quanto tempo esses recursos continuarão disponíveis.

A única certeza que se tem neste momento é que a “guerra” atual não será vencida com bravura, mas com planejamento, informação e agilidade. Aquele que conseguir se adaptar, enxergar oportunidades em meio ao caos e investir com sabedoria sairá fortalecido. O agro brasileiro tem força para atravessar essa tempestade — mas precisa estar preparado.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

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A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

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Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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