AGRONEGÓCIO
Câmara dos Deputados retira PL da taxação do milho
AGRONEGÓCIO
Câmara dos Deputados retira PL da taxação do milho
Aprosoja-MT enviou ofícios apontando arquivamento do projeto
02/02/2022
Foi retirado nesta quarta-feira (02.02), da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 2.814 de 2021 que permitia a criação de imposto sobre as exportações de milho até 31 de dezembro de 2022. De acordo com a proposta, o objetivo era assegurar o abastecimento interno do grão. A autoria é da deputada federal Soraya Manato (PSL), que recebeu críticas de diversas entidades do setor, entre elas a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), que enviou ofícios solicitando o arquivamento do PL.
O projeto, que chegou a ser classificado pelos agricultores como uma “aberração”, desconsidera que a produção do grão no país é superior ao consumo interno, o que de acordo com a Aprosoja-MT, não justifica criar entraves às exportações. Outro detalhe importante apontado pela Associação é que o produtor rural não escolhe o destino da sua produção, mas sim a indústria adquirente, que a entrega àqueles com quem firmou contratos antecipados, mecanismo de compra que está à disposição também dos players internos.
Ainda segundo a Aprosoja Mato Grosso, “soma-se a isso o déficit de armazenagem do país que afeta produtores e compradores nacionais e obriga que o escoamento da safra ocorra concomitantemente a colheita”.
“Vale pontuar, ainda, que a taxação de alimentos vai absolutamente na contramão dos compromissos assumidos no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (ODS 2) da Organização das Nações Unidas (ONU) de erradicar a fome e a má-nutrição até 2030, além de ser uma estratégia de fracasso comprovado por nosso vizinho, a Argentina, que amargou uma inflação de alimentos no último ano superior a 50%, conforme dados oficiais”, frisou o presidente da Aprosoja-MT, Fernando Cadore.
Aprosoja-MT enviou ofícios solicitando o arquivamento do projeto para a deputada federal Aline Sleutjes (PSL), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados e para a deputada Jaqueline Cassol (PP), relatora da proposta. Porém, após repercussão negativa por parte dos produtores do grão, a deputada Soraya Manato, autora do PL, decidiu pedir a retirada da proposição.
“A entidade agradece à parlamentar pelo nobre ato de retroceder diante das evidências de que uma iniciativa sua poderia trazer resultados nocivos a sociedade. É esta escuta ativa e humildade que o cidadão espera dos seus representantes”, finalizou o presidente Cadore.
AGRONEGÓCIO
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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