AGRONEGÓCIO
Atraso no plantio da soja acabou beneficiando a safra de milho
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Com os atrasos no plantio da safra de soja 2023/24 devido à falta de chuvas, a semeadura do milho em uma janela ideal foi colocada em xeque, porém, muitas regiões acabaram tendo um encurtamento do ciclo de desenvolvimento da soja, o que ajudou no início do plantio da safrinha que tem trabalhos adiantados até o momento.
Até o última sábado (24.02), a semeadura da segunda safra de milho no Brasil estava em 59% do total estimado, de acordo com o levantamento oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), patamar que é superior aos 48,7% registrados no mesmo período do ano passado. Os estados mais avançados na semeadura são Mato Grosso (77,4%), Paraná (55%), Goiás (49%), Tocantins (45%), Mato Grosso do Sul (40%), Minas Gerais (26,3%), Maranhão (1250%), São Paulo (10%) e Piauí (2%).
Segundo analistas, o que foi problema para a soja acabou se tornando benéfico para o milho, já que a seca encurtou o ciclo da soja e a antecipou o plantio da safrinha, consequentemente, pegando um período de menos risco climático.
Mato Grosso, principal estado produtor de milho no Brasil e localidade onde o plantio está mais avançado, já semeou 80,38% até a última sexta-feira (23), de acordo com os dados levantados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).
“A soja encurtou um pouco o ciclo e o produtor antecipou um pouco esse início, mas ainda temos um grande desafio pela frente. Temos um risco por conta do clima e perspectivas de clima para março e abril no estado”, diz o Superintendente do Imea, Cleiton Gauer.
Gestora do Imea, Vanessa Gasch, destaca que, até o momento não há relatos de problemas para o plantio do milho, que se beneficiou do encurtamento do ciclo da soja. Porém, ela ressalta que as preocupações com o clima estão sempre no radar dos produtores.
“As previsões apontam para chuvas a partir de março abaixo do observado nas médias históricas, o que pode prejudicar o desenvolvimento da cultura. Incialmente, o Imea prevê uma redução de 17,58% na produção, ante a safra 22/23. Esse decréscimo é reflexo da menor área semeada (-7,31%) e da menor produtividade aguardada (-11,08%) para o estado”, diz Gasch.
Em Nova Mutum, por exemplo, o plantio da safrinha de milho já estava praticamente finalizado por volta do dia 15 de fevereiro, de acordo com Paulo Zen, Presidente do Sindicato Rural do município. A liderança destaca que, as primeiras áreas semeadas, que se aproveitaram do adiantamento da soja, devem receber mais investimentos de tecnologia, enquanto a tendencia é de redução deste pacote nas lavouras implantadas após 25 de janeiro, de acordo com o andamento das condições climáticas.
Outro município com plantio se encerrando por volta do dia 20 de fevereiro foi Ipiranga do Norte, onde os produtores optaram, em sua maioria, pelo cultivo do milho na segunda safra, como relatou a Presidente do Sindicato Rural do município, Karine Souza.
PARANÁ – Até a última terça-feira (20), o estado do Paraná já havia semeado 55% das lavouras estimadas para a segunda safra de milho, conforme o relatório de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.
“O plantio da segunda safra, com raros problemas, se desenvolve muito bem. Temos um plantio bastante adiantado na região Oeste do estado, que é a região mais crítica do ponto de vista climático, a região mais ao centro, região de Campo Mourão também com plantio bastante avançado e ficando mais a região Norte, que é um plantio tradicionalmente mais tarde a partir da segunda quinzena de fevereiro avançando para março. Então neste primeiro momento, as lavouras de modo geral estão boas, com problemas bastante pontuais tanto para o plantio quanto para o desenvolvimento”, relata o Analista de Milho do Deral, Edmar Gervásio.
Nas projeções do Departamento, o Paraná pode colher mais de 14,5 milhões de toneladas, caso as condições climáticas sigam positivas, e registrar a maior safra de milho da história do estado.
“A expectativa neste momento é que a gente tenha uma safra muito boa, mas claro que a gente tem um lento caminho para ser vencido, especialmente nas questões de clima que há previsão de ter um clima mais seco a partir do outono e isso pode eventualmente impactar. Entretanto, por outro lado, a gente teve um plantio bastante adiantado no mês de janeiro e início de fevereiro e isso deve tentar mitigar algum risco de clima, especialmente quando a gente fala de geadas precoces e temperaturas mais baixas a partir de maio”, diz Gervásio.
Uma das localidades que registram dificuldades para as lavouras é Palotina, onde tanto o plantio quanto o desenvolvimento das lavouras já semeadas está sendo impactado pela chuva má distribuída.
“As áreas lá de janeiro que foram feitas plantio de milho saíram com um estande bom, muito bonito e bem desenvolvido, mas nós sofremos mais uma vez falta de chuva e intenso calor nesses últimos dias. As chuvas são muito irregulares, em determinados lugares chove 100 mm em outros 2 mm. Temos áreas que já tiveram problemas de replantio e o milho plantado por último, agora nesse mês de fevereiro, tivemos áreas com estande muito feio devido à falta de chuva e, principalmente, pelo calor de 45 °C de sensação térmica, áreas sendo replantadas pela falta de germinação e algumas áreas, mesmo após germinação boa, sofreram intenso calor que judiou muito o início dessa cultura”, conta o Presidente do Sindicato Rural de Palotina/PR, Edmílson Zabot.
GOIÁS – Em Goiás, os trabalhos de plantio do milho segunda safra também estão avançando bastante, sem que os produtores enfrentem grandes dificuldades e ainda dentro da janela ideal de semeadura que vai até a virada do mês.
“Aquele produtor que já tinha optado pelo cultivo do milho não está tendo dificuldades para fazer a semeadura. No entanto, a gente sabe que tem um ponto importante que é o final do período de semeadura, que é final de fevereiro e início de março. Se não tivermos cotações de milho favoráveis, com certeza os produtores irão optar por outras culturas que não o milho”, relata Joel Ragagnin, Presidente da Aprosoja GO.
Já prevendo essa troca de culturas, o Presidente do Sindicato Rural de Rio Verde/GO, Olávio Teles Fonseca, estima uma redução de 20% no cultivo de milho nesta segunda safra, em detrimento do crescimento de culturas como sorgo, girassol e gergelim.
SÃO PAULO – São Paulo é um dos estados com cenário mais negativo para a segunda safra de milho. A Aprosoja estadual estima uma redução em torno de 40% no plantio do cereal, em decorrência das dificuldades arrastadas da safra de soja.
“A segunda safra é uma consequência da safra principal. Como ela está sendo difícil, a segunda safra vai sofrer também. Tenho percebido que a área vai diminuir, porque o milho tem um custo mais alto e precisa de mais água”, diz Anna Paula Nunes, Diretora Administrativa da Aprosoja SP.
No município de Cândido Mota, já na divisa com o Paraná, a projeção é de reduzir entre 20 e 25% o plantio do milho safrinha, de acordo com o Produtor Rural Antônio José Tondato.
MATO GROSSO DO SUL – O Presidente da Aprosoja MS, Jorge Michelc, apontou que no estado o plantio da safra de milho já está comprometido, após um grande atraso registrado na safra de soja.
Em Laguna Carapã, por exemplo, o Técnico Agrícola da Casa da Lavoura de Dourados, Antônio Rodrigues Neto, classificou como péssimos os trabalhos de plantio para esta segunda safra de milho de 2024.
“Houve mangas de chuvas em algumas regiões. Alguns andaram plantando, outros esperaram, outros plantaram e acabaram perdendo com a semente não germinando da maneira com que era previsto. Já tem problema muito sério nessa safrinha, vai atrasar bastante o plantio com seca e o produtor está em um aperto terrível aqui na região”, conta Rodrigues Neto.
Com informações do noticiasagricolas.com.br
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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