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Alta nos preços de alimentos e desafios do abastecimento

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Nos últimos meses, o cenário de preços dos alimentos no Brasil tem sido pauta constante entre produtores, governo e consumidores. Produtos como arroz, carne bovina, café, óleo de soja e, mais recentemente, os ovos, apresentaram elevações nos valores praticados no mercado interno. Esse movimento reflete tanto a valorização da produção brasileira no cenário internacional quanto fatores internos, como a demanda crescente da população.

De acordo com especialistas, o aumento do consumo de ovos é um reflexo da melhora na renda e no emprego. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que, em fevereiro de 2025, a caixa de ovos vermelhos em Santa Maria de Jetibá (ES) atingiu uma média de R$ 244,67, superando os R$ 232,51 registrados em maio de 2023, até então o mês com o maior valor no período recente. Esse crescimento acompanha uma mudança de perfil de consumo, em que os ovos deixaram de ser uma alternativa secundária e passaram a ser amplamente consumidos por todas as classes sociais.

Outro fator que impulsiona os preços de alguns alimentos é a maior demanda internacional pelos produtos agropecuários brasileiros. A confiança na qualidade da produção nacional tem crescido, especialmente diante de desafios sanitários enfrentados por outros países. Questões como gripe aviária nos Estados Unidos e a ocorrência de febre aftosa na Europa têm ampliado o espaço do Brasil como um fornecedor seguro e confiável, reforçando sua posição como um dos principais exportadores mundiais.

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Esse aumento da demanda externa tem levado o setor produtivo a se preparar para atender tanto o mercado interno quanto as necessidades do comércio global. No caso dos ovos, por exemplo, a expectativa de aumento nas exportações tem levado atacadistas a antecipar compras para formação de estoques, o que contribui para oscilações nos preços. Esse movimento, conhecido como “corrida aos estoques”, ocorre em momentos de incerteza sobre os valores futuros, levando empresas a garantir abastecimento antes de possíveis novas altas.

Diante desse cenário, o governo federal aposta no fortalecimento do Plano Safra como uma ferramenta para incentivar a produção e minimizar impactos sobre os preços dos alimentos. A estratégia é garantir crédito e apoio à cadeia produtiva, de forma a ampliar a oferta e reduzir pressões inflacionárias sobre os consumidores. Em anos anteriores, medidas voltadas para a produção de arroz já demonstraram efeitos positivos, e a expectativa é que novas diretrizes possam beneficiar outros segmentos estratégicos da agropecuária.

Especialistas avaliam que o estímulo à produção agrícola por meio de crédito rural acessível é uma solução estruturada e de longo prazo. Diante de um cenário econômico desafiador, com juros ainda elevados, o acesso a financiamento se torna essencial para que os produtores possam planejar suas atividades e atender à crescente demanda.

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Além do crédito, a estabilidade fiscal e o controle da inflação também são fatores determinantes para o equilíbrio do setor. O impacto dos juros elevados sobre o agronegócio é significativo, uma vez que grande parte dos investimentos na produção depende de financiamentos. Dessa forma, políticas econômicas que garantam previsibilidade e condições favoráveis ao crescimento do setor são fundamentais para manter a competitividade do Brasil no mercado global e assegurar a oferta de alimentos à população.

O agronegócio brasileiro segue como um dos pilares da economia nacional, garantindo segurança alimentar interna e consolidando sua posição de destaque no comércio exterior. A valorização da produção nacional e a confiança de mercados internacionais são conquistas importantes, mas exigem um planejamento eficiente para manter o equilíbrio entre exportações e abastecimento interno.

O fortalecimento de políticas agrícolas estratégicas, como o Plano Safra, aliado a medidas macroeconômicas que garantam previsibilidade e acesso ao crédito, será essencial para manter o setor produtivo competitivo e sustentável nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

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A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

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Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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